Jornal dos Desportos

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Futebol

Samy quer cautela na formao

Betumeleano Ferro - 28 de Novembro, 2017

Coordenador do futebol de formao do Interclube defende em primeiro lugar a capacitao de treinadores

Fotografia: Jos Soares | Edies Novembro

O técnico Samy Matias, coordenador do futebol de formação do Interclube, considera prematura a ideia da Federação Angolana de Futebol (FAF) avançar para a criação de selecções municipais e provinciais. Defende que antes de pensar nesse sentido, a Federação devia  preocupar-se com coisas mais importantes, como por exemplo, olhar para o nível dos treinadores que trabalham nos referidos escalões.
A existência de selecções municipais e provinciais, têm de obedecer a várias etapas, todas  têm de ser cumpridas na íntegra para evitar o fracasso do projecto, alertou Samy Matias.
“Eu não sou contra esse tipo de selecções, pelo contrário, até acho que podem dar mais experiência aos atletas, mas a questão que se coloca é  de saber quem vão ser os treinadores, quais os seus níveis de formação” afirmou.
Por exemplo, o coordenador do futebol jovem do Interclube tem na sua contabilidade, "uns 300 treinadores com licença C", a trabalhar nos escalões de formação. Se o projecto das selecções municipais e provinciais sair do papel, Samy Matias gostava de saber se a Federação vai escolher um coordenador de nível superior, ou com o mesmo nível.
 “Essa é uma questão importante, temos de saber qual vai ser a licença desse coordenador, para desempenhar essa função", garantiu.
O técnico aconselhou a FAF a "cair na realidade", porque o contexto actual, ainda não é favorável para se fazer esse tipo de projecções.
“Nós temos dificuldades de arranjar treinadores nacionais para as nossas selecções, temos treinadores a trabalhar na formação, porque foram ex-praticantes, não têm licenças que os habilitem a treinar", sublinhou.
Os ex-praticantes que trabalham na formação, podem ajudar a Federação a atingir os seus objectivos, mas têm de fazer o curso para serem mais úteis na etapa que se pretende.
 “Se dermos formação a essas pessoas, que existem em grande número em todas as províncias, podemos chegar lá, há muito que penso nesses antigos atletas e tenho a certeza que podem ser mais importantes, se alguém se preocupar com a sua formação”, afirmou Samy Matias.
Antes de pensar em dar o primeiro passo, segundo o técnico, a Federação devia estabelecer prazos, mas  só seriam válidos se a primazia for dada à formação de treinadores.
“É isso, que tem de prevalecer antes de tudo, temos de formar os treinadores porque são eles que vão orientar as selecções, depois de cumprir com a etapa é que se devia pensar em formar as selecções”, assegurou.
Um outro motivo de inquietação para Samy Matias, treinador com mais de 23 anos ao serviço dp futebol de formação, são os meios de locomoção que essas selecções vão usar,  para realizar os seus jogos.
“Essa é uma coisa, que tem de estar bem definida (transporte), todos sabemos das dificuldades que existem para fazer viagens por estrada, não podemos colocar a carroça à frente dos bois, nem imitar outras realidades”, realçou.