Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Futebol

Seleco regressa hoje ao pas

04 de Julho, 2019

A seleco nacional falhou o apuramento aos oitavos-de-final na prova que decorre no Egipto

Fotografia: Edies Novembro

A selecção Nacional de futebol de honras tem chegada prevista para as 14h30 de hoje, a capital do país, Luanda, proveniente do Egipto, onde participou na 32ª edição do Campeonato Africano das Nações (CAN) de 2019.
A equipa deixa na noite de ontem  cidade do Cairo rumo ao Dubai, de onde parte, por volta das 6:30, para a capital angolana. O médio Geraldo ficou já na capital egípcia, para integrar os trabalhos da sua equipa, o Al Ahly.
Do grupo de atletas que actuam no estrangeiro, uns vão para Europa e outros para Luanda. A selecção nacional falhou o apuramento aos oitavos-de-final na prova que decorre no Egipto, ao perder, na última jornada do grupo E, para o Mali, por 0-1.A precisar apenas de um empate, os comandados de Srdjan Vasiljevic foram incapazes de se impor perante os malianos, perdendo a oportunidade de fazer melhor ou igual aos quartos-de-final das edições de 2008, no Ghana, e 2010, no país.
O combinado nacional terminou na terceira posição da série, com dois pontos. O Mali liderou, com sete, seguido da Tunísia, com três.
A Mauritânia ficou em último, também com dois. Nas duas primeiras jornadas os angolanos empataram com os tunisinos e mauritanianos, por 1-1 e 0-0, respectivamente. Lembre-se que foi a oitava participação de Angola num CAN em seniores.

OITAVA PRESENÇA
Palancas voltam falhar objectivo


Na sua oitava participação em fases finais do Campeonato Africano das Nações (CAN), Angola mais uma vez deu mostra da sua fragilidade competitiva entre os grandes do futebol no continente, ao não conseguir passar da fase de grupos nesta cimeira continental. Nesta 32ª edição, os angolanos não foram capazes de se manter entre os apurados para a fase seguinte, mesmo com o aumento de 16 para 24 participantes.
Com o acréscimo de concorrentes, a competição passou a apurar 16 selecções para os oitavos-de-final, contra os oito anteriores, que transitavam para os quartos-de-final.
Até os quatro melhores terceiros classificados entre os seis grupos tiveram passe para a etapa seguinte, e nem isso os Palancas Negras conseguiram, quando só precisavam de um empate para atingir tal nível.
Na jornada derradeira do grupo E, a Selecção Nacional não foi capaz de suplantar o Mali, com quem perdeu, por 0-1, ficando deste modo arredado de igualar ou melhorar os feitos de 2008 (Ghana) e 2010 (Angola), quando passaram da fase de grupos (na altura para os quartos-de-final).
A tentativa de afirmação no continente iniciou-se em 1980, quando pretendia atingir a fase final, feito alcançado 16 anos depois, com a qualificação ao CAN de 1996, na África do Sul. Até à estreia, os Palancas Negras falharam as edições da Líbia1982, Costa do Marfim1984, Egipto1986, Marrocos1988, Argélia1990, Senegal1992 e Tunísia1994, respectivamente.
Em terras de Mandela, a Selecção Nacional, liderada pelo  luso-cabo-verdiano Carlos Alhinho, foi enquadrada no grupo A com Egipto, Camarões e os anfitriões.
Foi eliminada na primeira fase com derrota diante do Egipto (1-2), África do Sul (0-1) e empate com Camarões (3-3). Com um plantel constituído maioritariamente por jogadores da diáspora, os Palancas exibiram-se em grande, mas foram “traídos” pela falta de experiência em provas do género.
Na segunda presença, Burkina Faso1998, Angola, treinada pelo português Manuel Gomes “Neca”, ficou novamente na fase inicial, em consequência de empates, com a África do Sul e RDC, por 3-3 e 0-0, respectivamente e derrota (2-5) diante da Costa do Marfim. Embora tenha ficado nas fases iniciais, a selecção dava mostra de querer sair do anonimato, sobretudo com as duas presenças consecutivas.
Quando se pensava que o estatuto estava garantido, surge o primeiro revés, com a selecção nacional a falhar as três edições seguintes (Ghana/Nigéria2000, Mali2002 e Tunísia2004). Era a confirmação de que faltava alguma “afinação” para melhor prestação. Após “travessia no deserto” e fruto de muito trabalho e dedicação, o combinado nacional marca o seu regresso à maior competição futebolística do continente berço da humanidade, com o angolano Oliveira Gonçalves a comandar o “barco”. O ano 2006 é de memória indelével para os angolanos, porque, além de assinalar a volta ao CAN, os Palancas Negras marcaram presença inédita num Mundial de futebol (Alemanha).
Angola não mais “largou” a competição até 2013, na África do Sul, ano em que fez a sua pior participação, com eliminação precoce, dados e performance tão baixas: um golo marcado e quatro sofridos foram os números da sétima participação do combinado nacional, liderado pelo uruguaio Gustavo Ferrin. 
Depois desta pobre presença, falhou as edições de 2015 (Guiné Equatorial) e 2017 (Gabão) e regressou nesta 32ª edição, onde mais uma vez não conseguiu se afirmar.