Jornal dos Desportos

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Futebol

Seleco de sub-20 goleada em casa

Paulo caculo - 21 de Maio, 2018

Seleco foi impotente para conservar a vantagem trazida do jogo da primeira mo

Fotografia: Vigas da Purificao | EDIES NOVEMBRO

Quando a falta de concentração e um certo excesso de confiança toma conta de um plantel os resultados só podem ser desastrosos. E foi isso que aconteceu na goleada sofrida ontem pela Selecção Nacional de sub-20, ante a sua congénere do Malawi, em jogo da segunda mão das eliminatórias de qualificação ao CAN do próximo ano, no Níger.
Foi uma tarde de desilusão e frustração. Os jovens angolanos foram uma presa demasiado fácil para os malawís. Afinal, o triunfo conseguido há sensivelmente duas semanas, em casa do adversário, não passou de mera ilusão. O facto é que Angola não jogou absolutamente nada e, deixou em campo a imagem paupérrima de um conjunto de jogadores incapaz de honrar a camisola.
O conjunto nacional revelou-se impotente, sobretudo nos primeiros 45 minutos, para justificar merecer a continuidade na eliminatória. Pouco futebol, transições lentas, displicência ofensiva, passes errados, fraca posse de bola e ausência de grandes ocasiões claras de golo.
A verdade é que para quem pensava que depois do feito conseguido no terreno do adversário a decisão da eliminatória seria uma questão de minutos, depois do que foi a primeira parte, tudo ficou completamente esclarecido em relação a sorte de Angola.
A equipa nacional entrou a dormir e decorridos apenas sete minutos, já perdia por 1-0, mercê do golo de Chikondi, na sequência de uma jogada com largas culpas para o guarda-redes angolano Beny.
Mas, antes disso, os angolanos tiveram a melhor oportunidade para marcar, por Vanilson, com o cabeceamento a embater \'caprichosamente\' no travessão da baliza de Charle Tow. Depois desta jogada, chegou-se a pensar que o jogo seria acessível para o conjunto nacional. Mas, debalde!
Incapaz de produzir jogadas com princípio, meio e fim para provocar calafrios à defesa contrária, o conjunto orientado por Silvestre Pelé entregou de bandeja a iniciativa de ataque ao adversário. Passou a pertencer aos forasteiros a produção do maior caudal ofensivo, tendo sido com naturalidade que o Malawi chegou ao segundo golo por intermédio de Auspicious.
A perder por 0-2, em casa, esperava-se que Angola fosse capaz de reagir às adversidades que estava a enfrentar no jogo, mas continuava a ser um conjunto sem soluções no ataque, onde Jelson e Mucuia limitavam-se a fazer o papel de corpo presente.
Quando aos 27 minutos o árbitro nigeriano assinala o pênalti, castigando a falta na área sobre o avançado malawí, percebeu-se que estaria tudo acabado para Angola. Chikondi, na transformação, não desperdiçou.
O terceiro golo veio abalar ainda mais a estrutura psicológica dos jogadores, que limitaram-se a assistir o adversário a jogar. Impotentes e sem soluções para contrariarem o seu oponente a equipa nacional aos poucos foi se rendendo às evidências dos factos.
De resto, quando se pensava que a história do jogo ao intervalo estava fechada, com três golos, coube à Peter Banda carimbar a goleada, com um potente remate no coração da área de Angola. Se os palanquinhas desconheciam a palavra “sofrimento”, depois deste jogo ficaram com o vocabulário enriquecido de forma substancial.
Com toda a história escrita na primeira parte, Angola ainda tentou na etapa complementar dar a volta ao texto. Teve dez minutos de futebol intenso, mas o máximo que conseguiu fazer foi apenas um golo, aos 47 minutos, por intermédio de Vanilson.
O trabalho do trio de arbitragem que veio da Nigéria não teve qualquer influência no resultado. Sempre a seguir as jogadas de muito perto, o juiz contribuiu para que o desafio decorresse sem alaridos e dentro das regras.

OPINIÃO DOS TÉCNICOS
Angola Silvestre Pele


\"“Cometemos erros de palmatória”
“Falhamos nos pormenores. Treinamos para passarmos a eliminatória, mas cometemos erros de palmatória que comprometeram tudo aquilo que tínhamos projectado para a eliminatória. Falhamos muito e temos mil motivos para ficarmos tristes. Quem ganha fora não pode perde em casa. Foi mais demérito do que mérito do adversário, mas eles não têm culpa disso. Perdemos uma grande oportunidade”.

MALAWI
Mick Mwase


“Um jogo perfeito”“Fizemos uma boa exibição. O nosso jogo foi perfeito e vencemos, os meus jogadores estiveram muito bem e a atitude que incuti nos meus jogadores surtiu os efeitos que desejávamos. Temos bom futuro em África. O jogou correu muito bem, Angola ganhou em nossa casa e nós também ganhamos aqui, pois, o nosso maior objectivo é irmos ao CAN do Níger”.