Jornal dos Desportos

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Futebol

Seleco empata com frica do Sul

Ant?nio Felix - 29 de Março, 2017

Angolanos ganharam confiana ao tomar posies no meio campo e zona restrita dos Bafana Bafana

Fotografia: kindala Manuelo

Perante cerda de 11 mil e 700 espectadores que ontem à noite acorreram ao Estádio Bufalo City, em Bloefonteim, os Palancas Negras empataram (0-0) com os Bafana Bafana da África do Sul em jogo da Data FIFA.

Tratou-se de um desafio em que, resumidamente falando, na primeira parte Angola acusou, de início, a dinâmica de jogo ofensivo imposto pela África do Sul que pretendeu marcar logo nos primeiros minutos e isto fez com que os comandados de Beto Bianchi não tivessem começado a criar também muitas situações de jogo perigoso.

A situação perdurou aos 32 minutos, altura em que Angola, sim, começou a ganhar já confiança, tomando posições no meio campo dos Bafana Bafana. Isto obrigou a equipa da casa a mudar o seu estilo de jogo, enveredando em jogadas de profundidade.

O ataque sul-africano, igualmente, passou a sentir dificuldades, pois Angola fechou todas as linhas de penetração, cortando passes. Os adversários  foram então obrigados, ora a mudar o jogo ofensivo para a esquerda, à direita e no centro, mas sem sucesso..

Aos 35 minutos, em consequência daquela postura os Palancas passaram dos vinte por cento de posse de possa para perto do quarenta. Otécnico  Beto Bianchi olhou para o relógio, foi gritando para mais \"ousadia\" dos seus pupilos que, aos 42 minutos, através de Nataniel podiam marcar. Só que fez correr demais a bola o que fez com que fechassem os primeiros 45 minutos do desafio com  empate (0-0) no marcador.

Na segunda parte o técnico sul-africano Da Gama colocou Doly para  o lugar de Selly; Zhane para o de Lughae; Mahlamba ao de Cereli... no sentido de para dar mais eficácia ao seu ataque. E de facto a sua equipa e recomeçou com maior domínio de posse de bola.

Devido ao caudal de futebol imposto, aos 49 minutos, apanharam descompensados  os Palancas numa jogada de contra-ataque. Neblu evitou, eficazmente, que os anfitriões inaugurassem o marcador.

Do lado angolano, 53, Ary Papel ainda cruzou para a \"cabeçada\" de Nandinho, mas este sem pontaria falhou a fazer golo. Manguxi aos 54 através da zona de finalização rematou para a barraAos 63Angola  passou a acusar desgaste físico.

Yano saiu e entrou Vá por orientação de Beto Bianchi para dar mais velocidade ao ataque, mas numa altura em que Angola passou a mostrar-se maleável no ataque, porque os Bafana Bafana, donos de boa de uma boa qualidade de passe e movimentações  obrigaram os angolanos a abrirem as linhaAs de passe, resistindo, contudo, estes até ao apito final, com empate.

LUÍS CAZENGUE
Antigo futebolista
quer mais trabalho


O antigo futebolista do Pedro de Luanda,  várias vezes internacional pelos Palancas Negras, Luís Cazengue \"Luizinho\", defendeu no Dundo, a construção de espaços desportivos para o futebol, com vista a massificação da modalidade na província da Lunda Norte.

O agente desportivo esteve de 23 a 26 do corrente, na Lunda Norte, a convite da direcção do Grupo Desportivo do Sagrada Esperança, no âmbito um curso em matéria de Scouting (observação, captação e venda de jogadores e criação de base de dados).

Em declarações à Angop, Luís Cazengue afirmou que é fundamental que as entidades competentes, com destaque para o Governo, apostem mais nos domínio das infra-estruturas e na formação de técnicos, para o desenvolvimento do desporto em geral.

Na sua opinião, com infra-estruturas próprias pode contribuir na socialização de crianças e jovens, além de impulsionar à prática dum futebol de qualidade, com vista à melhoria e elevação dos níveis técnicos e competitivos dos jogadores no futuro.

Referiu ainda, que durante a sua estada no Dundo, constatou o gosto, a paixão, e a entrega por parte de várias crianças pela modalidade, em diferentes artérias.

“Temos uma massa humana, pois esses meninos ao invés de jogar na rua, estariam num campo mais estruturado para potenciar a técnica, além da socialização”, alertou o antigo internacional.Antes de evoluir no futebol português, o ex-ponta de lança, Luís Domingos António Cazengue, actuou no Petro de Luanda.

GIL SOUSA * ESPECIALISTA EM SCAUTING
“Futebol angolano precisa vender mais jogadores”


O futebol angolano está a registar excelentes níveis de evolução, a julgar pelo esforço  envidado pelos agentes ligados à modalidade rainha. A afirmação é do especialista português em observação e scauting, Gil Sousa, que trabalhou na última semana no Dundo, à convite do Grupo Desportivo do Sagrada Esperança.

Não obstante reconhecer as melhorias, Gil Sousa defendeu que existem ainda aspectos que carecem de investimentos, com destaque na venda urgente de jogadores, tanto em equipas do continente africano, como da Europa, América e Ásia.

 Para Gil Sousa, é necessário tirar maior proveito do talento de jogadores angolanos, a partir da tenra idade. “O futebol angolano precisa de vender jogadores, o mais cedo possível, e a partir de tenra idade, porque os clubes hoje em dia são empresas, que se transformaram em grandes indústrias de dinheiro, e os angolanos têm de saber tirar proveito do talento de seus atletas” defendeu.

Para Gil Sousa, se os clubes não obtêm receitas provenientes da venda de jogadores, ficam desprovidos de evoluir a sua economia, e  de se afirmar no mercado industrial do mundo de futebol.Tudo isso, segundo Gil Sousa, passa pela criação de pequenas academias para a formação de jogadores, através de projectos de massificação. Os potenciais talentos,  devem ser sinalizados a partir dos 12 até aos 16 anos de idade.

“Sinalizar jogadores dos 12 aos 16 anos de idade, estabelecer contrato que o permite firmar um vínculo profissional no futuro, com vista à venda do seu passe à equipas de média e grande dimensão” referiu.

Os clubes, os jornalistas, empresários e outros profissionais ligados ao futebol, devem procurar publicitar as potencialidades dos jogadores talentosos, seja na República Democrática do Congo, na África do Sul, América, Europa e Ásia, apelou Gil Sousa, e sublinhou que vender jogadores é um forte mecanismo para a captação de receitas para os clubes.

Gil Sousa disse, que promover o potencial de um jogador, permite não apenas vender o seu passe à clubes do estrangeiro, mas ajuda que o mesmo consiga o mais cedo possível chegar às selecções nacionais.

O especialista português deu como exemplo, a venda do passe do avançado angolano Gelson Dala, pelo 1º de Agosto para o Sporting Clube de Portugal, onde o seu talento está a ser valorizado. Gil Sousa considera que Gelson podia até ter saído mais cedo de Angola, mas reconhece que é um bom sinal para o futebol angolano.
ARMANDO SAPALO | DUNDO