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Futebol

Seleco est viva

Paulo Caculo - 10 de Setembro, 2018

Um golo solitrio e de belo efeito rubricado por Gelson Dala, aos 30 minutos, proporcionou a Angola os primeiros trs pontos da eliminatria de qualificao ao CAN de 2019

Um golo solitário e de belo efeito rubricado por Gelson Dala, aos 30 minutos, proporcionou a Angola os primeiros três pontos da eliminatória de qualificação ao CAN de 2019, agendado para a República dos Camarões.
Apesar de não puxar dos galões uma exibição de encher os olhos, é importante referir que Angola fez o mais importante: vencer o jogo é afastar o clima de pressão em que esteve mergulhado nos últimos dias, mercê da necessidade imperiosa de vencer o jogo, para alimentar o sonho da qualificação.
Ciente da obrigação de vencer, a Selecção nacional entrou para o jogo com uma abordagem positiva. Ou seja, os Palancas tomaram de assalto às rédeas do jogo, assumiram o domínio territorial dos primeiros 45 minutos e, mais importante, gozaram de maiores ocasiões de golo.
Muito bem povoados no seu meio-campo, os angolanos ganhavam aos tswaneses todas as bolas. Pertencia ao conjunto nacional a maior posse de bola e a iniciativa de ataque.
Fruto desta atitude, acabou sendo com alguma naturalidade que a selecção passou a espreitar mais vezes a baliza adversária, com tridente formado por Djalma, Mateus e Gelson a criar enormes embaraços à defensiva forasteira.
E é bom que se diga que o voluntarismo de Gelson revelou-se fundamental para que o volume ofensivo dos Palancas ganhasse dinâmica e as jogadas produzissem a sensação de golo ao último reduto do Botswana.
E como água mole em pedra dura bate até que fura, depois de andar largos períodos a espreitar o golo, Angola chegou mesmo a concretizar com êxito uma jogada de individual e de belo efeito rubricada por Gelson. O avançado angolano foi esplêndido na forma como driblou o seu opositor antes de rematar forte e colocado, longe do alcance do guarda-redes contrário.
Mas, antes do golo, Angola queixou-se de um pênalti não assinalado por falta a Gelson, na área. Nessa altura, já a pressão sobre o último reduto do Botswana era evidente e o ataque demolidor.
A vencer por 1-0 esperava-se que Angola fosse surgir na segunda parte muito mais atrevida e eficiente. Mas, debalde. A equipa nacional continuou a dominar, mas revelou dificuldades em concretizar em golo as jogadas protagonizada. pés.
A passagem do minuto 60 a exibição de Angola registou um pequeno hiato, facto que provocou um crescimento por parte da equipa do Botswana, que passou a acreditar mais e, fruto disso, a jogar mais próxima da baliza de Landu.
Porém as investidas dos tswaneses esbarravam quase sempre na forte muralha defensiva montada pelos angolanos nos seus sectores mais recuado. Se, por um lado, no centro, Bastos e Massunguna eram autênticos muros de betão, por outro, nas laterais, Mira e Paizo davam bem conta de si. Sem esquecer a grandiosidade de Herenilson e Show nas possíveis mais recuadas do meio-campo angolano.
Mas a verdade é que a segunda parte foi sofrível para Angola, tendo o sector intermédio sentido muito a aproximação dos médios tswaneses. A dada altura sentia-se que o Botswana acreditava que podia chegar ao golo da igualdade.

Ficou um penalti
por assinalar

O trio de arbitragem proveniente da Gâmbia podia ter saído deste jogo com uma melhor prestação, não fosse a grande penalidade não assinalada de falta sobre Gelson, na primeira parte. À excepção deste aspecto, o árbitro gambiano esteve em pleno, quer no aspecto técnico, quanto na vertente disciplinar.

Gelson resolve

Em meio a um conjunto em que valeu muito pelo voluntarismo evidenciado pela maioria dos jogadores, não podemos deixar de eleger como a principal figura deste jogo o avançado Gelson Dala, autor do único golo da partida. O avançado angolano volta a revelar a sua grandiosidade e importância na equipa nacional, ao resolver um jogo em que Angola precisava dos três pontos, como se do “pão para a boca” se tratasse.

Colectivo com “show” de bola

Numa partida rodeada de imensa expectativa, os Palancas Negras fizeram apenas por demonstrar que a confiança e a crença que os angolanos depositaram nela, resultou num triunfo, embora magro. Mas, para isso, foi necessário muito trabalho. Foi necessário que os jogadores chamadas por Serdan Vassiljevic se aplicassem a fundo para sorrir, no final do desafio, pela retumbante vitória, embora esta, obviamente signifiquem apenas e só, os três primeiros pontos num grupo em que a “desconhecida” Mauritânia lidera com seis pontos.
Para construir a vitória, os angolanos jogaram e foram apreciados da seguinte forma:

Landu: Poucas vezes foi chamado a intervir, principalmente na primeira parte, talvez pela consistente \"parede\" que tinha pela frente, bem composta por Bastos, Dany Massunguna, Paizo e Mira. Na segunda parte, teve mais trabalho. Aos 78’ evitou um golo certo do Botswana ao defender, “em dois tempos” um remate perigoso de um atacante contrário. Em resumo, deu segurança ao último reduto dos Palancas Negras.
Mira: Tal alguns dos seus colegas, entrou um pouco nervo para o jogo mas, a medida que se foi ambientando ao jogo, cumpriu. Defendeu e atacou mas, nalguns lances, ficou a sensação de que poderia ter feito mais e melhor, principalmente no jogo ofensivo.
Dany Massunguna: Foi igual a si mesmo. Transmitiu confiança a equipa e, a par de Bastos constituíram a principal \"fechadura\" da defensiva angolana. Teve imensos e fortes duelos com Lemponye Tshireletso (nº 12) e Onkabetse MaKgantai (nº 10) que se revelaram bastante fortes física, técnica e tacticamente.
Bastos Kissanga: Outro esteio da nossa defensiva. Mostrou que cresceu muito. Aliás, o facto de actuar no campeonato italiano, proporcionou-lhe algum à-vontade na abordagem de vários lances e construção de jogadas. Teve em muito bom plano.
Paizo: Tremeu no início mas, tão logo o combinado nacional estabilizou o seu jogo, correspondeu com um único senão de que, no processo ofensivo, não ter cumprido cabalmente, principalmente no que aos cruzamentos para à área, dizem respeito.
 Show: Sempre habituou-nos a exibições de grande nível. Boa qualidade técnica, grande capacidade física. Quer defensiva como ofensivamente jogou o suficiente para ser o motor da equipa. Foi praticamente a melhor unidade do combinado nacional.
Herenilson: Sempre igual à si mesmo. Há quem diga que este rapaz, não sabe jogar e, provo-o ontem no jogo diante do Botswana. Recuperou e construiu tal como o seu colega de equipa Show que, no entanto, convenhamos, esteve a furos acima.
Fredy: Foi uma autêntica muleta para Gelson Dala. Jogou o suficiente para garantir personalidade ao jogo ofensivo de Angola. Pelo esforço empreendido, acabou esgotado e foi substituído aos 83’ dando lugar à Vá
Djalma Campos: Jogou enquanto pode. A fraca disponibilidade física limitou-lhe a produção. Na primeira parte, tentou em algumas ocasiões comandar o jogo ofensivo dos Palancas Negras mas, quase sempre claudicou. Foi substituído aos 79’ entrando para o seu lugar o jovem Mário.
Mateus Galiano: O capitão dos Palancas Negras não esteve muito bem. Tentou em alguns lances fazer melhor mas, o fraco poder de imaginação e a apatia demonstrada quartou os intentos e o muito que dele se esperava.
Gelson Dala: Foi o autor do golo de Angola aos 29’. Mais do que isso, demonstrou bom posicionamento e uma cultura táctica adulta. Tentou em alguns lances remar contra a maré mas, na segunda parte este mal apoiado, quer por Fred, como por Mateus Galiano
Job: Entrou aos 71’ a substituir o improdutivo Mateus Galiano. Pouco ou nada fez apesar da ovação que tinha do público. Pelo tempo que esteve em campo, esperava-se mais dele, principalmente para a melhoria do jogo ofensivo de Angola, numa altura em que os Tsuaneses comandavam as operações.
Mário: O \"garoto\" estreiou-se na selecção principal. Entrou nervoso. Substituiu aos 79’, Djalma. Cumpriu. Naturalmente algum nervosismo tomou conta dele mas, conseguiu trazer alguma estabilidade a nível do meio-campo. A insuficiência apenas foi no transporte rápido do jogo ofensivo de trás para frente. Estreia auspiciosa.
Vá: Jogou pouco. Entrou aos 83’ a substituir Fred. Tão pouco que não foi impossível avaliá-lo porém, com grande determinação. Morais Canâmua

Empate certo... se não houvesse “travessão”

O jogo entre as selecções de Angola e do  Botswana,  realizado ontem no Estádio 11 de Novembro, referente à segunda jorna  das eliminatórias  de qualificação  ao Campeonato Africano das Nações  de 2019 ( CAN),  teve momentos  bastantes relevantes.
As Zebras do Botswana, devido à pressão inicial, exercida pelos angolanos, apenas aos 20 minutos ousaram  incomodar  a baliza dos angolanos,  quando o camisola 2 passou por dois defensorese  rematou forte  para o desvio do defensor angolano, tendo a bola esbarrado para o canto.  
Aos 51 minutos, num lance de bola parada,  Lando  saiu aos papéis e, na recarga, estava o camisola 10 a rematar forte com selo de golo não fosse a bola ter batido na mão do atleta.
Aos 75 minutos, os tswanenses tiveram  a mais flagrante oportunidade  para igualar a partida quando o camisola 10,Onkabetse, cabeceou com selo de golo, mas a bola a embater no travessão com Lando já batido.
A segunda parte foi melhor para o Botswana, que procurou, a todo o custo,  pelo golo do empate, tendo mesmo encostado os angolanos às cordas, angolanos que tiveram uma segunda parte sofrível, em detrimento da primeira onde passeamos classe.
 Aliás, os tswanenses regressaram  do balneário totalmente modificados e determinados  a fazer melhor. Só não lograram o empate por alguma  falta de sorte. Eis, no entanto, os mais destacados.
Kabeu Danbe: O guarda-redes tsuanês teve uma postura digna de realce até antes de ter sofrido o golo. Foi bestial a defender tudo o que tentasse visar as suas redes.
Mpho Runa: Tirando o grande perigo que protagonizou aos  20 minutos nada mais fez.
Tshane: Teve muito trabalho para travar o imparavel djalma Campo que era  uma grande dor de cabeça para esse setor.
  Mosha: Tentou a todo o custo impedr que os angolanos  marcassem o golo e dessa forma foi muito viril fazendo muitas faltas.
Simisane Mathima:  Não teve pernas para travar Derson Dala,  ficava sempre fora da jogada ante a técnica do miúdo que actua em Portugal.
Thabang: Lutou como podia, mas  a pressão  exercida pelos os angolanos ao longo do deixava-o precipitado.
Kabelo: Tentou jogar pelo centro para libertar os seus colegas do ataque, mas foi quase impossível, porque os angolanos tinham um betão armado  em toda extensão do terreno.
Alfonse: Procurava sempre desfazer-se da bola com rapidez, sobretudo na segunda parte, mas os angolanos não davam espaço para jogar.
 Thayaone : Entrou a substituir Lemponde e  foi um dos artista da revolução do jogo da sua selecção ao longo da segunda parte,  jogou no colectivo.
 Onk Betse: Fisicamente bem dotado, dono de uma grande velocidade fez os angolanos suar às estopinhas para trava-lo. Teve a oportunidade mais flagrante de visar as redes angolans quando 78 minutos na pequena área onde cabeceou com perigo,  mas a bola  beijou o travessão. Manuel Neto

Público
acarinhou,
agradeceu
e festejou

Os Palancas Negras foram agraciadas com um banho de multidão desde as primeiras horas da manhã, quando tomavam ainda o pequeno almoço; gritos e assobios, quando saía da rua direita da Samba e depois em campo.
Quando eram 13 horas e trinta minutos Mingo Bile era o último a subir no autocarro escoltado pela Polícia.
Avenida Fidel de Castro estava repleto de bandeiras que coloriam o ambiente em preto amarelo e vermelho. Os apoiantes vieram transportadas em todos tipos de veiculo, desde camiões autocarros, mini autocarros, carrinhas, bicicletas e \"cupapatas\".
 \"Queremos vitória, queremos vitória\" era o que mais se ouvia entre as vozes dentro do estádio e valeu porque garantiu a coragem aos jogadores dentro das quatros linhas. Quando decorriam trinta minutos de jogo e cinquenta e cinco segundo, a baliza do Botswana estava violada com um toque bem colocado do avançado angolano Gelson Dala.
Foi o suficiente os adeptos  fazer estremecer do Estádio 11 de Novembro. Autentica  explosão de alegria do público que, tirando o intervalo, durou até que o árbitro colocava final na partida...com o \"placar\" a registar a vitória , por uma bola a zero...a favor de Angola!
Em gesto de agradecimento os adeptos que vibraram a cada lance de jogo, saíram festejando com músicas, na esperança de verem os Palancas Negras a disputarem a sua oitava competição da taça de África, nas terras dos Camarões. Edivaldo Lemos