Jornal dos Desportos

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Futebol

Soares disponvel para os Palancas

Aro Martins / Lubango - 25 de Novembro, 2017

Treinador angolano assegura que ser gratificante treinar a seleco nacional caso seja convidado

Fotografia: Vigas da Purificao

O treinador da equipa principal de futebol do Clube Desportivo da Huíla (CDH), Mário Soares, mostrou-se ontem, em entrevista ao Jornal dos Desportos, estar confiante em realizar um trabalho digno, caso seja convidado pela Federação Angolana de Futebol (FAF), para treinar a selecção nacional de honras, em substituição do hispano-brasileiro, Beto Bianchi, que deixou o comando para se dedicar exclusivamente ao Petro de Luanda.
Numa altura em que a FAF procura um novo seleccionar para orientar os Palancas Negras, que tem como primeiro desafio, a participação no CHAN (Campeonato Africano das Nações, reservado para jogadores que actuam nos respectivos campeonatos),  Mário Soares garante ostentar experiência e conhecimento para poder treinar a selecção nacional e proporcionar alegria ao país.“Se for contactado estou em condições de comandar os Palancas Negras. Somos profissionais de futebol.
No meu caso particular, sou um treinador de carteira profissional e tenho ambições. Quero crescer sempre, ser campeão nacional e sonho também poder ser seleccionador nacional, porque tenho carreira que começa desde adjunto dos caçulinhas e hoje estou como técnico principal de uma equipa do Girabola, com quem já representei o país na Taça da Confederação”, disse.  De acordo com Mário Soares, para ser seleccionador nacional, está em primeiro lugar os interesses da pátria e “sinto-me em condições para treinar qualquer equipa que seja. Tenho condições psicológicas e conhecimentos técnicos e metodológicos para poder treinar qualquer equipa, e a nossa selecção nacional, porque afinal de contas, o dever patriótico está sempre em primeiro lugar”, destacou.
Interrogado sobre o primeiro aspecto a ter em conta, caso seja chamado, Mário Soares adianta ser uma pergunta difícil de responder, porque afinal de contas, em qualquer contrato que se faz, a entidade contratante apresenta sempre um projecto.
“Caso seja chamado, primeiro vou analisar o projecto da Federação Angolana de Futebol (FAF) e ver se é do meu agrado”, disse, acrescentando que, independentemente de o projecto ser exequível, poderia aceitar ou não treinar a selecção.
“Mas é o que eu digo, estou em condições de treinar a selecção nacional, desde que o projecto me seja agradável.
No meu entender e do conhecimento que tenho do futebol nacional e das dificuldades que temos no país, vou abraçar aquele projecto que eu entenda ser exequível”, referiu.Mário Francisco Soares, nascido a 19 de Abril de 1967, em Luanda, tem cursos FIFA e CAF. Consta do seu curriculum, estágios de actualizações no Brasil e Portugal. Ostenta ainda certificado CAF e de nível B e é treinador há mais de 25 anos.
Já orientou as selecções provinciais de Sub-18 e Sub-20 de Luanda, com quem venceu o torneio inter-regional da FESA em 2004 e 2005. Em 2009 foi treinador adjunto do plantel principal de futebol do 1º de Agosto, sob comando do português Victor Manuel. No ano seguinte (2010), ocupou o mesmo cargo no plantel do Clube Militar do Rio Seco, com o treinador Viktor Bondarenko.


AVALIAÇÃO DO GRUPO D
“Adversários de Angola são fortes”


As selecções adversárias de Angola na quinta edição do CHAN 2018, que se disputa de 13 de Janeiro a 4 de Fevereiro, no Reino do Marrocos, são fortes e dispensam apresentações, segundo o treinador Mário Soares. De acordo com o técnico do Desportivo da Huíla, os Palancas Negras poderão sentir algumas dificuldades nos confrontos com os combinados dos Camarões, Burkina Faso e do Congo. 
 “(Camarões, Congo e Burkina Faso) São equipas fortes. Sabemos que Angola vai ressentir a ausência do treinador Beto Bianchi, em função do estilo e da filosofia que implementou na fase de apuramento. Mas mesmo assim, os Palancas Negras, independentemente do novo treinador, terão uma palavra a dizer na competição”, assegurou.
Referiu que os adversários dos Palancas Negras no CHAN dispensam qualquer apresentação, por serem países que estão melhor posicionadas em relação Angola no contexto futebolístico continental. As equipas que têm representado esses países nas provas africanas - Ligas dos Clubes Campeões e Taça da Confederação - fazem sempre melhores resultados em comparação com os representantes angolanos, por isso, perspectivou um grupo competitivo e forte.  Contudo, disse, o angolano tem um princípio forte, ou seja, faz sempre das dificuldades motivo para ultrapassar as barreiras.
“Creio que com mais esta turbulência que a nossa selecção está a passar, isso poderá ser um tónico forte para fazer uma boa prova em Marrocos”, afirmou.Segundo Mário Soares, com a ausência do treinador que garantiu a qualificação, era momento da Federação Angolana de Futebol (FAF) começar a pensar no futuro, que passa em levar para a competição uma selecção de Sub-23.
“Tivemos um Girabola com muita valia. Em todas equipas tivemos jogadores com 21 e 22 anos a fazer todas posições. E podemos começar hoje a plantar árvore para num futuro curto colher os melhores frutos e a melhor oportunidade é participar na prova com esses escalões. Com boa planificação podemos fazer boa figura no CHAN”, reconheceu.Mário Soares garante ter uma boa visão dos clubes e jogadores que militam no Girabola Zap, por isso pode ser feito uma boa selecção para o CHAN.
“Tenho boa visão, porque o fruto do nosso trabalho, na qualidade de treinador e dos bons resultados que o Desportivo da Huíla conseguiu, é fruto do scouting forte que fez das equipas adversárias, e inclusive conhecer a forma como cada um dos atletas se posicionam e actuam dentro da equipa. Temos que acreditar que é dessas 16 equipas que actuam no Girabola onde podem sair jogadores que podem fazer maravilhas;  jogadores capazes de chegar no CHAN e fazerem bons jogos ou mesmo deixar uma imagem positiva”, disse.                                                              


RECONHECIMENTO
“Beto Bianchi fez uma equipa”


O trabalho desenvolvido pelo antigo seleccionador nacional de honras, o hispano-brasileiro Beto Bianchi, foi elogiado pelo treinador do Desportivo da Huíla, Mário Soares, em entrevista ao Jornal dos Desportos. Segundo Mário Soares, com o técnico do Petro no comando da selecção nacional, notou-se, em todos os jogos que os Palancas Negras realizaram, quer na fase de qualificação para o CHAN, como em outros desafios, que os jogadores ganharam uma outra postura em campo.
“Beto Bianchi já trazia o seu trabalho nas eliminatórias e já teve um estágio muito prolongado, onde conseguiu fazer da selecção uma equipa. A sua saída só traz desvantagens porque com a entrada de um novo treinador, de certeza que os processos serão outros”, disse.Durante a passagem de Bianchi nos Palancas Negras, segundo o técnico do Desportivo da Huíla, notou-se uma selecção aguerrida, lutadora do princípio ao fim, com troca de bola afinada.
“Acho que é uma marca que fica e se dependesse de mim, defendia a sua continuidade na selecção”, sustentou. Salientou, como já é do domínio público, a direcção do Petro de Luanda, em função dos objectivos que traçou para a época futebolística de 2018, prefere ter o técnico a tempo integral, o que deve ser respeitado.“ Como disse antes, caso eu seja chamado ou convidado a treinar a selecção nacional, assim como qualquer outro treinador nacional que actua no Girabola, posso e tenho qualidades para o efeito”, afirmou.