Jornal dos Desportos

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Futebol

Soberbos lderes

Matias Adriano - 13 de Outubro, 2018

No final do jogo a satisfao no rosto dos presentes eram tanto que uma multido esperou o autocarro dos Palancas Negras sada do estdio.

Fotografia: PAULO MULAZA | EDIES NOUVEMBRO

O Estádio 11 de Novembro aplaudiu de pé a Selecção Nacional pela postura evidenciada no jogo de ontem diante da congênere da Mauritânia. Fazia tempo que não se via uma selecção tão ousada e determinada na prestação em campo. Deu para lembrar os bons tempos da velha catedral, do bairro Indígena. Em face disso, Angola deu um passo firme e decisivo na corrida ao CAN\'2019 nos Camarões. Os golos tiveram carimbo de Mateus Galiano( duas vezes), Djalma Campos e Gelson Dala.

O JOGO
De início, após aquele golo madrugador escapou a sensação de se estar perante um jogo insípido, desprovido de ingredientes que pudessem agradar à assistência. Terá sido apenas ledo engano de quem se achava na condição de analista. Pois, o que se viu a seguir foi um jogo intenso entre duas equipas que sabiam de cor e salteado aquilo que constituía o seu real objectivo em campo.
E aqui neste particular, sem quaisquer intenções de sair em defesa da própria dama, poder-se-á dizer que, em obediência à lógica, que Angola teve maior evidência. Surpreendeu pela positiva, deu gosto e conquistou a confiança do público. Tal é, pois, a forma rápida e inteligente como soube reagir à desvantagem. Fantástico, diga-se de passagem.
Pois, quando para o mais céptico as coisas apontavam para uma actuação sofrível dos Palancas Negras, já que nos instantes iniciais denotava alguma dificuldade de sair do seu meio-campo com bola jogada, a prática mostrou o inverso.
Dez minutos depois, aos 12 minutos, Mateus Galiano repunha a ordem no jogo com golo de pênalti a castigar entrada faltosa de um defensor mauritaniano sobre Gelson Dala
O golo da igualdade veio relançar o jogo, com os donos da casa mais motivados, e com maior dose de esperança no \"volt-face\" que o público na pancada pedia com alguma insistência. Na verdade, a equipa correspondeu a este desejo, chegando à vantagem aos 15 minutos novamente com Mateus Galiano. Estava o jogo aberto e lançado para quem tivesse argumentos para se impor na quadra.
A Mauritânia, que encontrava a sua expressão máxima na capacidade explosiva de El Hacen Ide, por sinal autor do seu único golo, não se deixou vergar, e durante os primeiros 45 minutos lutou, com todas as forças, pelo golo da igualdade, mas sem lograr sucesso. Em certos lances por falta de alguma frieza e calculismo dos seus homens de ataque, e noutros por mérito de Landu.
Terminada a primeira parte com o 2-1, certamente esperava a Mauritânia lutar para a inversão do quadro no período complementar. Mas parece que o destino do jogo já andava traçado. Os Deuses do futebol estavam Angola. Pois, aos seis minutos de jogo(51), na conclusão perfeita de uma bonita jogada de Fredy, Djalma Campos chegava ao terceiro golo de Angola. O estádio explodiu. Afinal dai só por tamanha ingenuidade se podia deixar escapar a vitória.
No geral a equipa estava boa. O ataque se revelava ousado, o meio campo criativo, mesmo a defesa, com largas culpas no golo sofrido, tinha acertado na sua actuação, concorrendo este factor pela forte pressão que era exercida sobre a baliza de Brain Souleimane. Aos 76 minutos Fredy viu um golo seu negado pela barra transversal.
 Ainda assim, a equipa não cruzou os braços. Continuou a investir sobre o meio-campo adversário. E apesar de que este também procurava, ao menos, reduzir a diferença, com acções ofensivas isoladas, que criavam algum embaraço a Landu, foi Angola a elevar o resultado para 4-1 aos 80 minutos, resultado final, que lhe coloca \"ex-aequo\" com a própria Mauritânia na liderança do Grupo I com seis pontos.
Palancas antes da selar a goleada repuseram a igualdade no jogo com golo  de Galiano de pênalti a castigar entrada faltosa.

AMBIENTE
Ovação, canto e carinho...até ao apito final

Mesmo sendo um dia normal de trabalho, os angolanos responderam com satisfação à chamada para o estádio 11 de Novembro, no sentido de apoiarem os Palancas Negras, rumo à mais um presença, ao Campeonato Africano das Nações. Perto vinte mil almas estiveram presentes, com a intenção de puxar pela equipa nacional.
Desta vez as coisas estiveram bem organizadas, desde a vendas dos bilhetes, disposição de autocarros de apoio, estradas de acesso dentro dos padrões.
Os policias chamados para assegurar o recinto devem ter  tido uma melhor sexta-feira de trabalho , pois, não houve muitas preocupações para que os mesmo interviessem. 
Trinta minutos antes do jogo, já o estádio estava muitas almas, e não eram só homens. Também mulheres e crianças, oriundos de varias partes de Luanda e arredores.
Entre os VIPs destaque para a ministra da Juventude e Desportos, Ana Paula Sacramento, ladeada de Artur Almeida e o embaixador da Mauritânia em Angola. Todos pronto para verem um bom jogo de futebol.
Tão logo \"soou\" o apito, para o começo do jogo, não tardou veio o balde de agua fria. Golo do camisola 18 da Mauritânia , mas o publico angolano não ficou quieto. Rapidamente se recompôs-se e voltou a puxar pela equipa nacional, pois tinha quase a certeza que bons momentos estavam para vir.
E foi só esperar durante sete minutos para alegria estar no rosto dos angolanos . Aos 10 minutos, a primeira grande explosão de alegria, devido à falta sofrida por Gelson Dala e... logo a seguir a segunda grande explosão de alegria, pois  Mateus, chamado a cobrar, fe-ló da melhor maneira, trazendo a euforia aos milhares de angolanos e não só presentes no estádio.
Tal como a música de Kelly Silva, foram apenas cinco minutos para o estádio voltar a entrar em ebulição novamente por Mateus Galiano.  E já todos acreditavam na vitoria.  E foi assim confirmado com golos de Djalma Campos e Gelson Dala.
No final do jogo a satisfação no rosto dos presentes eram tanto que uma multidão esperou o autocarro dos Palancas Negras à saída do estádio.
Valódia Kambata

ADVERSÁRIO
O golo “madrugador” não passou disso

Apesar da goleada sofrida a selecção nacional da Mauritânia deixou bem patente as razões que os colocavam na liderança isolada do grupo I de apuramento ao CAN de 2019 nos Camarões. Não podia ter começado melhor, com um golo madrugador, aos dois minutos, mas pecou demasiado nas transições defensivas.
O técnico luso francês, Courtin Martins, montou uma equipa em que se viu
guarda-redes Braim Soleimane não a ter culpas dos golos que sofreu. Apresentou-se como uma unidade que deu confiança aos seus companheiros, mas não conseguiu travar tanto o golo de penálti como o remate certeiro do capitão Mateus Galiano, em tarde de grande inspiração.
No terceiro golo, ainda foi a tempo de travar o remate de Gelson Dala, mas foi incapaz de fazer o mesmo quando surgiu Djlma Campos e Gelson Dala.
Na defesa os mauritanianos formaram um quarteto constituído por Sarr Sally, Ndiaye Bakary, Mohamed Yaly e Abeid Aly, que sendo jogadores fisicamente mais fortes em relação aos adversários, tiveram dificuldades em travar as arrancadas dos jogadores angolanos quando atacavam pelos corredores.
No primeiro tempo, o lateral esquerdo Abeid Aly participava bastante nas jogadas ofensivas da sua equipa, mas na segunda metade perdeu essa qualidade, talvez pela entrada em campo de Geraldo, passou a ter uma missão mais defensiva, pois teve “dores de cabeça” para tirar a bola ao extremo dos Palancas Negras.
Na zona intermédia, os pupilos do luso francês Courtin Martins começaram com um quarteto, mas depois de estarem em desvantagem passaram para um trio, onde Soudané, Gueye e Ba Adama eram os protagonistas.
Os mauritanianos mostraram ser uma equipa que troca bem a bola, municia bem o seu ataque, com uma boa visão de jogo e um bom posicionamento táctico.
Khalil, Ismael Tanjy e Amadou Niass formaram o trio ofensivo, criando situações de perigo para a defesa dos Palancas Negras, mas pecaram no momento do remate, pois foram poucos e quando surgiram a bola embatia nos defesas ou nas mãos de Landu, deixando boas referências e anunciando grandes dificuldades para o desafio da próxima terça-feira no seu país.                   
Jorge Neto

COMO JOGARAM OS ANGOLANOS
Exibição com hino ao futebol

Quando o binómio qualidade e maturidade competitiva atinge uma equipa os resultados só podem ser animadores. Ontem, diante da Mauritânia, a Selecção nacional encheu o \"pulmão\" de oxigénio e puxou dos galões uma exibição adulta, competente e que deixou o adversário à toa, incapaz de reagir às adversidades.
Apesar da justa vitória, o combinado nacional entrou a dormir no jogo e, fruto desta postura, sofreu um golo madrugador, logo aos 2\', na sequência de uma jogada em que os centrais Massunguna e Bastos não estão ilibados de responsabilidades, pois foram incapaz de fechar os caminhos ao avançado mauritaniano.
A verdade é que Angola teve força colectiva e solidez competitiva para responder ao insulto da Mauritânia. E, fê-lo com arte, engenho, hino ao futebol e, pois claro, quatro golos de belo efeito, traduzidos numa vitória histórica. Vejamos, de resto, como jogaram cada um dos nossos Palancas:
 Landu: Sofreu um golo madrugador, com apenas dois minutos de jogo. Ainda assim, está ilibado de responsabilidade na jogada, pois nada podia fazer perante a boa execução do remate do avançado mauritaniano. Na segunda parte, não teve grandes motivos para preocupação, pois teve largos períodos em que andou a assistir a equipa jogar.
Mira: Surgiu em campo com um novo look. Teve uma tarde de imenso trabalho, sobretudo na missão de tentar apagar o possante Diakité. Nas transições ofensivas, mostrou pulmão para galgar terrenos adiantados do meio-campo contrario, embora tivesse registado uma ligeira quebra na segunda parte.
Paizo: Deu enorme luta ao corredor esquerdo. Foi, talvez, das unidades angolanas que mais batalhou pela posse de bola e pela destruição das jogadas do adversário. Soube tapar ao extremo opositor os caminhos que pudessem dar encontro ao guarda-redes Landu. Nota muito positiva!
Bastos: Já o vimos fazer melhor exibição. Ontem não esteve no seu melhor nível, talvez as fracas actuações pela sua equipa esteja a pesar na sua forma. Ainda assim, consigo em campo, o eixo defensivo da equipa nacional é muito mais sólido. Nota negativa no golo sofrido pela selecção, aos dois minutos.
Massunguna: O que se disse  a Bastos assenta perfeitamente em si, mas com uma ligeira diferença. Foi muito mais interventivo nas jogadas aéreas da Mauritânia. Aos 59\', fez um corte acrobático, arriscado e em grande estilo, que podia ser fatal para a baliza de Angola.
Show: Esteve meio \"apagado\" na missão de destruir as jogadas do adversário. Ao contrário do belíssimo jogo feito ante o Botswana, ontem esteve alguns furos abaixo do que já nos habituou. Aos 59 minutos sofreu uma falta dura e teve de ser substituído.
Herenilson: Apesar de não ter surgido muito bem nas acções defensivas, esteve em bom nível na abordagem do caudal ofensivo da selecção. Franzino, mas teimoso ao mesmo tempo, o trinco cumpriu bem o seu papel.
Freddy: Pode não ter conseguido ontem superar as suas melhores exibições. Mas também esteve muito bem fechado e \"policiado\". Sempre que teve a bola nos pés, era cercado por um amontoado de pernas. Aos 74\' falhou, de forma escandalosa, uma jogada para golo oferecida por Gelson Dala. A bola foi travada pelo travessão.
Djalma: Deu muito trabalho à defesa contraria. Teve dificuldades em desfazer-se da gigante defesa da Mauritânia. Das vezes que conseguiu, fê-lo com arte e engenho. O golo, aos 52\' é um autêntico prémio ao excelente labor patenteado em campo.
Gelson: É, seguramente, a melhor unidade em franca produção na selecção nacional. O \"puto maravilha\" dos tempos que correm. Com a bola nos pés torna-se gigante, ainda que na sua estatura média e corpo franzino. Esteve no lance do pénalti, aos 11\', ao ser derrubado na área. Aos 79\' fechou o caixão, na sequência do terceiro golo rubricado com belo efeito, após impressões digitais de Geraldo.
Geraldo: Entrou a render Mateus, aos 54\' e passou a ser a fonte de inspiração do ataque angolano. O esquerdino trocou aos olhos ao lateral esquerdo da Mauritânia e, algumas vezes, fê-lo de gato sapato, com os seus dribles estonteantes e constantes mudanças de velocidade. Boa exibição.
Stelvio: Chamado a render Show, aos 59\', por lesão do jovem, o experiente médio trinco a evoluir em Luxemburgo ajudou a consolidar a vitória, na medida em que fechou espaços ao adversário em zonas nevrálgicas do meio-campo de Angola.
Vá: Poucos minutos em campo, mas ainda teve tempo para fazer algumas arrancadas e sentir o pé duro e pesado da defesa da Mauritânia.
Paulo Caculo

DECLARAÇÔES
“Estamos todos satisfeitos”


\"Sinto uma grande honra de estar à frente destes rapazes hoje, diante de um publico como este. Obrigado aos jogadores  o mérito é todo deles e muito obrigado aos adeptos de Angola. Quanto ao jogo não quero falar muito . Estamos  todos satisfeitos com resultado, mas existem coisas que temos que corrigir.  Neste momento, não quero prometer nada,  só posso dizer que lá os jogadores só podem dar o seu máximo e demonstrarem o desejo e vontade , para resultado ser aquele que tiver de ser\"

Srdjan Vasiljevic
NGOLA

 “Nosso sonho é o CAN”


\"Angola mereceu ganhar este jogo, pois cometemos muitos erros e Angola aproveitou . Antes deste jogo sabíamos que não éramos os melhore do mundo. Vamos continuar a trabalhar para conseguir o que queremos, pois, o nosso sonho é se qualificar para o CAN. Nos próximos três dias vamos corrigir os erros que cometemos.  Já conhecíamos bem a selecção de Angola que tem muita qualidade, com jogadores com técnica e rapidez. Não conseguimos parar o jogo dos angolanos. Todas as derrotas são pesadas e 4-1 é a mesma coisa\"

Corentin Martins
MAURITÂNIA

A FIGURA
Mateus Galiano
foi enorme!

O avançado angolano do Boavista está em grande nível. O nosso \"Matengó\" quando está endiabrado é um caso sério. E, ontem, provou que continua a ser uma aposta certa. Mateus Galiano jogou e fez jogar a equipa, tendo sido, por isso, muito bem recompensado com dois golos, um dos quais, o segundo, de uma execução irrepreensível. O remate fora da área é indefensável e quase deixou cair o estádio abaixo. Grande exibição!