Jornal dos Desportos

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Futebol

Suka & Reis denuncia tentativa de aliciamento dos seus atletas

29 de Julho, 2019

No podemos ignorar o trabalho, que tem sido feito nas escolas de futebol. importante haver apoio", rogou Suka.

Fotografia: Dr

Os mentores da escolinha de futebol "Suka&Reis", prometem levar à discussão da próxima reunião de preparação da época com a Associação Provincial de Futebol de Luanda (APFL),  a problemática do aliciamento de atletas, por parte de alguns clubes grandes do Girabola.
José Reis, presidente da escola de formação e Domingos Sapato "Suka", ex-futebolista, e treinador, revelaram ao Jornal dos Desportos, que nos últimos tempos, tem sido frequente a tentativa de alguns clubes do Campeonato Nacional da Primeira Divisão, usarem do seu poder financeiro, para aliciarem os pais e os jovens atletas à abandonarem os locais em que são formados, para seguirem carreiras nestes clubes, ignorando todas as normas legais para transferência de um atleta da formação.
"Isso não acontece com todos os clubes, mas existem alguns que têm feito esta prática, com uma certa frequência. A escola Suka&Reis corre o risco de sofrer uma tremenda sangria nos dois escalões. Alguns clubes até vêm falar connosco e prometem cumprir com as regras, mas existem outros que não nos procuram e preferem ignorar as normas de procedimentos para estes casos, ficando com os activos das escolas de futebol", esclarece José Reis.
O presidente da escolinha de formação, diz que estes casos de aliciamento  começam habitualmente nos pais e terminam nos atletas. Sublinha que tais práticas decorrem, habitualmente, em ambientes completamente alheios ao conhecimento dos responsáveis das escolas de futebol frequentadas pelos jovens.
"Ao invés de falarem com a direcção das escolas, para que a transferência seja feita de forma normal e natural, cumprindo com os procedimentos legais, estes clubes passam por trás e vão ter directamente com os encarregados de educação dos nossos atletas, privando-nos de seguir todo o processo de transferência", lamentou.
José Reis deplora, ainda, o facto de muitos destes clubes não levarem em consideração, os inúmeros gastos realizados com o processo de formação destes atletas, na compra de material desportivo, refeição, transporte e outros. "Muitas vezes fornecemos os nossos talentos aos clubes em troca de apoios, já que não precisámos apenas de dinheiro", esclareceu.
Aconselha, por isso, todas as pessoas que tendem a realizar tais práticas, a não terem nenhum receio em dialogar com os responsáveis das escolas, porque nem sempre a satisfação destes interesses envolve dinheiro."Às vezes fica-se com a sensação de que as escolas precisam apenas de dinheiro. Não. É falso", criticou.
"Manter estas escolas em pleno funcionando,  tem custos com equipamentos, água, luz, manutenção do campo, etc. Não cobramos absolutamente nada aos jovens. Temos contas para pagar, por isso, se estes clubes poderem ajudar, não teremos como não cedermos algum talento. Quando se fala muito em ressarcir alguma coisa, as pessoas tendem a associar apenas ao dinheiro, mas não é apenas o dinheiro que resolve todos os problemas", assegurou.
Igualmente preocupado com a situação, está o técnico Suka. O ex-futebolista do ASA e Sagrada Esperança refere ser uma obrigação de todos "respeitarem os activos" das escolas de formação, sobretudo, por constituírem "as principais fontes de receitas", onde as escolinhas vão buscar "patrocínios" para poder dar continuidade ao seu trabalho de descoberta de talentos.
"Nas próximas reuniões com a APF, vamos levantar este assunto. Já abordamos uma vez, mas vamos insistir. Tivemos o caso de um clube, que tentou tirar-nos a todo custo alguns activos (jogadores), negociando por trás de nós a transferência com o pai do atleta. Chamamos a atenção, porque a escola não vai deixar fazer aquilo, que alguns clubes grandes às vezes teimam em fazer incorrectamente", prometeu José Reis.
"Não pode alguém que tem a sua filha, depois de criar com todo o cuidado, investindo na sua formação e tornar-se uma mulher de referência, tirá-la dos braços dos pais, sem que faça o habitual pedido de noivado e casamento", atirou Suka, lembrando que no futebol de formação é a mesma coisa. "Há regras a cumprir", recorda.
José Reis sugeriu, antes de finalizar, a criação de um documento que servisse de orientação aos clubes e de regulamento das transferências de atletas oriundo das escolas de formação.
"Não podemos deixar de agradecer, todo o apoio que recebemos da Caixa de Segurança das FAA, que gentilmente nos cedeu o espaço onde temos o campo de treinos e toda a estrutura de apoio à escolinha. Sem este apoio, muito dificilmente teríamos a escola a funcionar. Agradecemos bastante este apoio da caixa de Segurança Social das FAA", rematou.

CAMPEONATO
Escola alcança
posições inéditas


A escola Suka&Reis alcançou, pela primeira vez, o terceiro e quarto lugares dos campeonatos provinciais de infantis e juvenis, respectivamente. Os feitos foram considerados pelo técnico Suka como sendo a prova evidente do trabalho árduo e aturado desenvolvido, durante os quatro anos de existência da escolinha.
A formação adstrita ao bairro Morro Bento, obteve 57 pontos com os infantis, cujo título foi conquistado pelo Petro de Luanda, e chegou a marca dos 55, no escalão de juvenis, prova dominada pelo 1º de Agosto.
"Nestes quatro anos de existência temos feito um trabalho enorme, no sentido de manter estes jogadores em bom nível. Apesar de que os resultados e troféus não contam muito nesta fase, é sempre bom criar neles o hábito pelas vitórias", acentuou, realçando a prestação da equipa nas últimas duas épocas. 
"Nos últimos dois anos tivemos presenças consecutivas nas meias-finais. Este ano conseguimos estas duas posições, que nos deixa satisfeitos. Foi uma época muito positiva", disse, reagindo ao labor patenteado pelos seus petizes.
De acordo ainda com o principal responsável por ensinar o ABC do futebol aos jovens,  os êxitos hoje alcançados pela Suka&Reis são resultados de um longo trabalho, cujas dificuldades considera serem ainda inúmeras, em virtude da escolinha não gozar de saúde financeira.
"Precisámos  de quase tudo. Temos sido teimosos nesta missão de tentarmos dar o nosso contributo, para o desenvolvimento do futebol angolano.  Os craques de hoje não vão durar para sempre. É preciso pensar no futuro do futebol e estes miúdos são o garante do futuro. Não podemos ignorar o trabalho, que tem sido feito nas escolas de futebol. É importante haver apoio", rogou Suka.