Jornal dos Desportos

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Futebol

Tcnico angolano defende alterao da filosofia de jogo

Paulo Caculo - 07 de Fevereiro, 2019

Fotografia: Kindala Manuel | Edies Novembro

Um dos grandes desafios para o desenvolvimento do futebol angolano, passa, necessariamente, pela adaptação das equipas à filosofia de jogar para frente e evitar a contenção de bola, defendeu o técnico angolano, Arquimedes Nganga, formado na Inglaterra.
 O ex-futebolista regressou ao país, após concluir a carreira na europeu, justifica a sua tese com o facto das várias experiências ensinarem, que o ataque potencia o fluxo de jogo para a frente e direcciona sempre para a baliza.
 \"Após um profundo estudo do futebol, cheguei à conclusão, que um jogo de futebol é composto por três componentes principais. O sistema de jogo, por exemplo 4X4X2, a táctica ou estratégia e por último, a filosofia a adoptar\", justificou que é a prática corrente.
\"Hoje, em dia, todos os clubes de futebol usam a filosofia europeia, mas é adequada apenas aos europeus. Para os angolanos e os africanos, a melhor filosofia de jogo é a de jogar para frente e nunca em contenção de bola\", destacou.
 Arquimedes Nganga afirmou, que foi durante o curso de treinadores, com aulas práticas feitas na selecção inglesa, que se apercebeu de que o elemento que se usava mais no modelo de jogo, era a passe, contenção de bola e a desmarcação.
 \"Notei, que nós angolanos, não éramos fortes nesse aspecto. Quando jogava não era bom nisso, corria mais com a bola e driblava os adversários. Olhando para o futebol do meu tempo, nos anos 80, era a mesma coisa\", sublinhou que alterou a forma de estar em campo.
\"Portanto, decidi criar algo diferente, que vai de acordo a nossa forma de jogar e com as nossas capacidades técnicas. Por isso, criei uma filosofia em que nunca passamos a bola para atrás, porque a jogar para frente temos potencial para isso, sobretudo, devido a nossa forma de jogar\", acrescentou.


REVELAÇÃO
“O fluxo de jogo
é para frente”

O técnico Arquimedes Nganga destacou, que a filosofia de manter a posse de bola limita o desenvolvimento técnico dos nossos jogadores, porque baseia-se no passe e muita contenção de bola. Comentou que este facto, priva os atletas da liberdade de criarem, e faz com que os próprios técnicos estejam presos a esta filosofia importada, contrária à nossa forma natural de jogar.
 \"Os europeus inventaram uma forma de jogar, adequada a eles e não a nós. Precisámos de desenvolver algo, que vá de acordo com a nossa característica. Os europeus têm dificuldade em fazer isso, porque tacticamente, não têm capacidade para furar as defesas\", assegurou.
Salientou, que \"são poucas as equipas que passam pela defesa contrária, com facilidade. Trata-se de uma filosofia, em que apenas os bons jogadores têm capacidade de se encaixarem. Quem não é bom tecnicamente, não é capaz de sobressair desta filosofia\", enfatizou.
 Arquimedes Nganga garante haver no futebol regras próprias, que estão devidamente estruturadas, afiança serem inúmeras as vantagens que uma equipa tem ao adoptar a filosofia de jogar para frente, na medida em que o fluxo de jogo é sempre para frente, melhora a capacidade dos jogadores e a equipa está sempre a atacar.
 \"Ainda que a equipa esteja a perder, sempre que tiver tem a posse de bola, vai utilizar o tempo, convenientemente, para marcar golos. Não há contenção de bola, porque o fluxo de jogo a todo o instante é para frente e direccionado para a baliza. Com a filosofia de manter a posse de bola, baseia-se mais em cruzamentos e finalizar em remates à baliza\", disse o treinador angolano com formação em Inglaterra.