Jornal dos Desportos

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Futebol

Tcnicos estrangeiros monopolizam dobradinhas

Betumeleano Ferro - 27 de Maio, 2019

O 1 de Agosto fazia a primeira grande travessia no deserto da sua histria

Fotografia: Jornal dos Desportos

A dobradinha, vencer o campeonato e a taça, continua a ser um monopólio exclusivo dos treinadores estrangeiros. Desde 1983, o 1º de Maio de Benguela, que o sérvio Petar Kzernevic ergueu os troféus do Girabola e da Taça de Angola,  já aconteceram nove dobradinhas. A última, foi no sábado, pelo 1º de Agosto ante o Desportivo da Huíla, 2-1, mas nenhuma  com um angolano ao comando técnico.
A curiosidade, aparenta um mero detalhe, porém, trata-se de um dado estatístico relevante, dado que diferentes treinadores nacionais têm impressões digitais nas conquistas dos troféus internos, campeonato, taça e supertaça, contudo, até agora, nenhum deles conheceu a glória da dobradinha.
A Federação angolana tardou a introduzir as provas internas no seu calendário, começou com o campeonato em 1979, com a taça em 1982, e por fim,  com a supertaça em 1985. Até agora, nenhuma equipa juntou a todas estas provas, de uma só vez, numa temporada, para fazer a tripla coroa ou triplete, pelo que, as equipas e os técnicos do nosso futebol  contentam-se  com a dobradinha, ainda assim, feito que os treinadores nacionais tardam a conquistar.
O privilégio da dobradinha é de estrangeiros, porém, por via de regra são os técnicos de nacionalidade europeia os que mais encontram o caminho dos títulos do campeonato e da taça. Só três brasileiros fizeram história, no Petro de Luanda, a saber, António Clemente em 1987, Jorge Ferreira em 1997 e Djalma Cavalcanti em  2000,  são os que se intrometeram no reinado europeu, em seis das nove dobradinhas do nosso futebol.
Como fica evidente, pelo escasso número de vezes em que ocorreu,  nove desde 1982, a dobradinha ainda é um acontecimento raro, no futebol angolano. Talvez, por isso, fica fácil de entender por que somente três equipas, 1º de Maio, Petro de Luanda e 1º de Agosto sejam as que se orgulham de alcançar,  o que aparenta ser um dos feitos mais difíceis do futebol angolano.
Os proletários fizeram história em 1983, além de interromper o domínio no campeonato, de quatro anos seguidos,  às equipas da capital, militares e tricolores, o proletariado culminou com a inédita dobradinha nas competições doméstica. Os benguelenses foram os senhores do campeonato e selaram o domínio na época,  com o inigualável recorde de 9-1, sobre o FC 11 de Novembro do Cuando Cubango, na final da Taça de Angola.
A proeza do 1º de Maio permaneceu como um feito raro, até 1987, quando o Petro de António Clemente disputou e conquistou a sua primeira final da Taça de Angola, 4-1, diante do Ferroviário da Huíla. Os tricolores voltaram a repetir a proeza em 1993 e 1994, com o malogrado sérvio Goicko Zec, os brasileiros Jorge Ferreira, 1997 e Djalma Cavalcanti em 2000, também, ficaram na história ao ajudar a elevar o pecúlio tricolor em número de cinco, o maior de todos.
O 1º de Agosto fazia a primeira grande travessia no deserto da sua história, porém, os ventos do Leste fizeram  a longa atitude de espera dos militares, em 1991. Além de reconquistar o campeonato, dez anos depois, os rubro- negros derrotaram o rival do Catetão, na final da taça, 2-1, após prolongamento, fez a sua primeira dobradinha com o sérvio Dusan Kondic.
Em 2006, o holandês dobrou o número para os militares, e agora, na época 2018/2019 foi a vez do sérvio Dragan Jovic \"vomitar\" fogo, para os militares fazerem a festa da dupla conquista,  pela terceira vez, numa campanha digna de registo, isto é, não sofrer qualquer derrota ao longo da temporada.