Jornal dos Desportos

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Futebol

"Título é a prova do nosso potencial"

Paulo Caculo - 03 de Fevereiro, 2017

Jovem treinador da formação do Real Sambila regozija-se com resultado do trabalho efectuado há cinco anos

Fotografia: Mota Ambrósio

O treinador do Real Sambila FC, assegurou ontem, em entrevista exclusiva ao Jornal dos Desportos, que a conquista do Campeonato Nacional de Sub-20, disputado em Cabinda, serve de prova inequívoca do "excelente trabalho" que está a ser realizado pela direcção, equipa-técnica e jogadores nos últimos cinco anos.

Bruno Malamba "Camará", que falava no âmbito de um balanço em torno da conquista do título inédito, fez questão de assegurar que o troféu vem premiar um grupo de jovens proveniente de famílias modestas e de bairros periféricos de Angola, que encontraram naquela escola de formação de talento uma oportunidade para realizarem os sonhos na suas carreiras.

"Penso que o balanço é extremamente positivo, na medida em que  todas as equipas que defrontámos no campeonato têm qualidade. Estivemos num grupo complicado e creio que foi o mais difícil deste campeonato de juniores", adiantou-se a justificar o jovem treinador.

"Não entramos muito bem no primeiro jogo, ainda assim, conseguimos suplantar o nosso primeiro adversário e, ao cabo do terceiro jogo, a nossa equipa já estava no seu melhor nível. Não houve dúvidas de que tivemos uma participação muito positiva e acima da média", acrescentou Camará, sublinhando estar satisfeito com o facto de fruto deste sucesso alguns jogadores da equipa conseguirem chegar à selecção nacional, casos de Vá, Megue e Chico Banza.

O técnico confessou, por outro lado, ter gostado imenso dos níveis de competitividade do campeonato, sobretudo no grupo em que o Real Sambila esteve inserido, ao lado de equipas de formação de clubes cotados no país e com orçamentos que fazem invejar aos demais adversários sem grandes recursos financeiros.

"Este título vem provar, sem dúvidas, a qualidade do trabalho que é desenvolvido pelo Real Sambila, mas sobretudo o facto de sermos uma escola de formação de jogadores sem apoio do Estado", destacou e enalteceu a coragem da FAN.

"O único apoio que recebemos é da Força Aérea Nacional, a quem muito agradecemos diariamente pela cedência do campo de futebol, que tem servido para os nossos treinos. Apesar de sermos uma equipa com poucos recursos, conseguimos provar que fazemos trabalho sério e de qualidade", sustentou.

Camará orgulha-se pelo facto de cinco anos depois do projecto ser lançado ao desafio, de justificar qualidade nos campeonatos provinciais e nacionais. Sublinhou estar a surtir os efeitos desejados e congratula-se com a transferência de jogadores para clubes no Girabola e na Europa.

"Este é o nosso terceiro ano no campeonato nacional. No primeiro fomos sem experiência e ficamos em terceiro lugar; no segundo não tínhamos a maturidade necessária para estarmos entre os grandes e tivemos também alguns problemas administrativos que nos causou alguns transtornos e no terceiro ano tudo deu certo. Tivemos sucesso porque fomos capazes de fazer uma análise de tudo que havia falhado no passado", esclareceu.


FUTURO
Técnico pede
apoio à formação


O apoio e incentivo aos projectos de formação de futebolistas devem merecer, na opinião do técnico do Real Sambila, campeão nacional de sub-20, maior atenção das estruturas que superintende o futebol no país.

Bruno Malamba "Camará" considera ser fundamental que se deposite maior confiança aos jovens talentos promissores para engrandecermos a modalidade e o potencial do futebol angolano.

 "O campeonato nacional de juniores e mesmo de sub-17 foi uma monta para os clubes poderem ver a quantidade de talentos que temos no país. Acho que se devia apostar mais nos jovens futebolistas, porque representam o futuro do nosso futebol. Mas, infelizmente, isso não acontece", deplorou o técnico.

O treinador congratula-se com o facto de felizmente o Real Sambila contar com o suporte de gente com paixão no futebol, o que torna o clube mais forte.

"Foi muto bom termos conquistado o título de campeão, com toda a justiça, porque fomos a melhor equipa de todo o campeonato. Este troféu serve de prémio ao principal investidor do clube, que não olha a meios para ajudar estes jovens, proporcionando-os razões para sorrir e divertir-se com a bola", reconheceu.

"A nossa direcção tem feito muito por estes talentos, mesmo sabendo que temos limitações", destacou Camará que clama por mais apoio e atenção de quem direito para relançarmos o futebol nacional nestes escalões além fronteira.      
PC


SATISFAÇÃO
“Todos os anos lançamos novos talentos” 


Bruno Malamba esclareceu que o principal objectivo do Real Sambila é continuar a formar jovens talentos para a alta competição, mas orgulha-se pelo facto dos jovens talentos terem conseguido aliar a qualidade do seu trabalho com a conquista de troféus. 

"Desde que começamos a participar nos campeonatos de juvenis e juniores que a nossa equipa esteve sempre no topo. Contra todas as expectativas, no primeiro ano fomos campeão e vice-campeão de juvenis e de juniores", recordou orgulhoso.

"Acho que isto ajuda a provar que não andámos a brincar, porque permite calcular a dimensão do trabalho que é desenvolvido no Real Sambila", afirmou, sem evasivas, o jovem treinador responsável pela captação de futebolistas nos bairros periféricos de Luanda.

"Todos os anos descobrimos um atleta novo. Aliás, recebo sempre pedido de jovens para integrarem a nossa formação. Mesmo sem grandes condições de trabalho, porque treinamos num campo pelado, nas instalações da Força Aérea Nacional, mas as pessoas gostam do trabalho que desenvolvemos", observou.

Sublinhou que a importância de "nestes quase seis anos de Real Sambila já transferimos quatro jogadores para o futebol profissional na Europa", particularmente em Portugal e Espanha.

Questionado sobre os duelos enfrentado em Cabinda com o Dom Bosco de Benguela, Sagrada Esperança e Progresso da Luanda Sul, o treinador do Real Sambila foi peremptório na sua resposta:

"Posso afirmar que a qualidade das equipas que defrontamos ajudou a valorizar ainda mais a nossa conquista. Jogámos contra a  equipa do Dom Bosco de Benguela, que é a segunda melhor de juniores da  província; o 1º de Agosto, que é a campeã de Luanda, Sagrada Esperança, campeão do Dundo e o Progresso da Lunda Sul,  vice-campeão de Saurimo. Podemos analisar que tivemos de ser suficientemente fortes para atingir os nossos objectivos", assegurou.        
PC