Jornal dos Desportos

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Futebol

Tramagal contra paragem da prova

Armando Sapalo no Andulo - 15 de Novembro, 2018

Agostinho Tramagal preocupado com falta de jogos de controlo na regio

Fotografia: Santos Pedro |Edies Novembro

A paragem de quinze de dias que o Girabola Zap 2018/2018, regista desde à última semana, devido os compromissos das selecções nacionais (honras e olímpica), vai prejudicar o rendimento das equipas do campeonato, particularmente do Sagrada Esperança da Lunda-Norte, cuja  forma desportiva já se encontra entre os 70 por cento, segundo o treinador Agostinho Tramagal, em entrevista Jornal dos  Desportos, na cidade do Dundo.
O técnico angolano, de 51 anos de idade, lembrou que, de uma ou de outra forma, a paragem já era do conhecimento de todas as equipas que competem no Girabola Zap 2018/2019, “aquando da entrega do calendário” por parte da Federação Angolana de Futebol ( FAF), mas não deixou de considerar, que vai ter um impacto extremamente negativo no rendimento do grupo às suas ordens.
“De uma ou de outra forma, esta paragem já estava prevista, quando nos deram o calendário no inicio da época, mas ela vai trazer prejuízos e um impacto extremamente negativo no rendimento de todos, principalmente do meu grupo, que já tinha alcançado 70 por cento da forma desportiva que pretendemos”, disse o técnico.
Tramagal realçou que, a partir da terceira jornada, augurava vislumbrar bons sinais nos seus jogadores, que podiam, nessa altura, atingir os 80 por cento da forma desportiva .
O técnico lamenta que o bom início da sua equipa, em duas jornadas conseguiu um empate extramuros frente ao ASA na primeira jornada ( 1-1) e uma vitoria em casa diante do Santa  Rita  de Cássia do Uíge, por 1-0, tenha sido interrompida com a pausa do campeonato.
O técnico diamantífero sublinhou que, em  seis pontos possíveis, diante de equipas bastantes complicadas ( ASA e Santa Rita de Cássia), o Sagrada Esperança conseguiu quatro.
“A pausa atrapalha, de forma significativa, o programa de trabalho traçado pela equipa técnica, pois uma coisa é treinar e outra é fazer jogos, porque o objectivo de treinar e jogar ”, realçou.
A situação do Sagrada Esperança é mais complicada ainda, pelo facto de estar numa província, Lunda Norte, onde praticamente não existem equipas do segundo escalão, que a possibilitam efectuar jogos nesse longo período de defeso, ao contrário das equipas de Luanda, Benguela e outras, onde há equipas da segunda divisão.
Apesar das limitações impostas pela realidade do próprio mercado, o técnico afirmou que vão ser criados mecanismos, para tentar fazer alguns jogos durante a pausa do Girabola Zap.
 “Vamos jogar com aquilo que temos. Não nos interessa golos, nem o tipo de adversário, porque pretendemos também fazer jogos com adversários diferentes do Girabola Zap ”, afirmou, tendo anunciado que tudo indica que, para além do Misto do Dundo, vai realizar jogos em Saurimo ou no Lubango.
Não obstante a interrupção obrigatória, o técnico declarou que vai incutir no grupo a ambição de fazer melhor nas próximas jornadas.
“Em termos da nossa forma desportiva, queríamos já, na terceira jornada, chegar aos 80 por cento, mas vamos continuar a incutir a ambição ao grupo, com o objectivo de evoluirmos ainda mais jogo após jogo”, disse.

Treinador aposta na finalização

Agostinho Tramagal faz um balanço positivo das duas primeira jornada do campeonato, em que a sua equipa obteve um empate e uma vitória. Apesar disso, o treinador do Sagrada Esperança assegura que, em termos de desempenho e forma desportiva, existem aspectos que precisam ser melhorados, como a finalização, pois, como afirmou, a equipa acusou algumas dificuldades, quer com o ASA, em  Luanda, quer na recepção ao Santa Rita de Cássia.
Por isso, a nível dos três sectores da equipa, o técnico elegeu o ataque como aquele que deve merecer uma atenção especial, com vista responder as acções preconizadas pela equipa técnica. Nos dois jogos do Girabola Zap até agora disputados, a equipa esteve muito bem no capitulo defensivo, sofreu apenas um golo, ao passo que o ataque revelou-se bastante perdulário. 
“Os jogadores que foram aposta neste sector (ataque), podiam ter feito mais”, disse o técnico, lembrando que em Luanda, frente ao ASA, o Sagrada Esperança teve várias oportunidades de golos, mas não foram concretizadas. No jogo da segunda jornada, no Dundo, a equipa do Sagrada Esperança, de acordo com o técnico Agostinho Tramagal, teve uma "mão cheia de golos" e a partir da primeira parte poderia ter feito um resultado histórico.
“Podíamos ter feito três ou quatro golos em Luanda, contra o ASA,  e aqui no Dundo, frente ao Santa Rita, por isso a finalização é a nossa principal atenção nessa fase”, afirmou, para sublinhar que a condição física é outra questão que deve ser  resolvida, pois os jogadores precisam estar mais soltos e à altura das exigência do próprio campeonato.
O aspecto psicológico, assim como o enquadramento dos jogadores, segundo Agostinho Tramagal, precisam também ser trabalhados.  Questionado sobre o aspecto clínico da equipa, Agostinho Tramagal disse que apesar de o Sagrada Esperança ter começado a época com alguns atropelos, fruto de lesões graves que assolavam alguns jogadores importantes, desde o final da época passada, o grupo goza de boa saúde.
“Devo reconhecer que começamos a época com alguns atropelos, porque alguns jogadores importantes começaram com mazelas trazidas da época passada, mas agora o grupo goza de boa saúde ” , afirmou.Os médios Almeida e Luís Tati  e o avançado Mussa contraíram lesões complicadas, mas já estão numa fase avançada de recuperação e logo estarão prontos para darem o seu contributo  à equipa.

Tramagal nega
ter "destruído"
o plantel


A equipa do Sagrada Esperança está a competir na época futebolística 2018/2019, que teve início em Outubro último, com a base que Agostinho Tramagal encontrou da última temporada. Por esse motivo, o treinador dos diamantíferos rejeita, categoricamente, as informações postas a circular no início da preparação, que davam conta da "destruição da base" do plantel que encontrou, com a entrada de atletas por si escolhido.
Agostinho Tramagal afirmou que ficou satisfeito com a base que encontrou no Sagrada Esperança, o que tem facilitado o seu trabalho, pois do plantel da época transacta, continuaram 22 jogadores.
“Ao contrário daquilo que se ventilou e vazou de que eu tinha destruído a equipa e trouxe muitos jogadores de outras paragens, não corresponde a verdade, porque vieram apenas cinco jogadores”, explicou, referindo-se ao avançado Jiresse e o médio Lourenço, ambos provenientes da Académica do Lobito, o defesa direito Poco (ex-1º de Maio de Benguela), o lateral esquerdo História (ex-Interclube) e o médio Francis (ex- Petro de Luanda).
Estão igualmente no actual plantel diamantífero, segundo o técnico, jogadores formados nas escolas do Sagrada Esperança, como é o caso do extremo Larama e o guarda-redes  Leonardo, que regressam à equipa, depois de cedidos, por empréstimo, ao Jackson Garcia de Benguela, por uma época,  assim como o defesa central Victoriano, que esteve no ASA.
O técnico disse que os jogadores foram observados e confirmados que têm qualidade, para estarem no plantel do Sagrada Esperança.
Agostinho Tramagal disse que, do grupo de jogadores formados no Sagrada Esperança, solicitou também o enquadramento do defesa central Aníbal, 20 anos de idade, que nunca tinha sido inscrito, mas que para o treinador tem potencial para se afirmar na equipa e no futebol nacional.
O técnico afirmou, que a prata da casa é praticamente quem reforçou o Sagrada Esperança, para e época 2018/2019. Em termos globais , Tramagal afirmou que o enquadramento dos novos atletas tem sido satisfatório.
O Sagrada Esperança, reconheceu, é uma equipa com excelentes condições de trabalho e tem tudo para  dar certo.  Por isso,  afirmou , “ de forma alguma podia fazer algo para estragar a equipa, que foi construída e idealizada pelos outros treinadores ”, referiu.
O plantel do Sagrada Esperança da presente época é constituído por 32 jogadores, com  uma média de idade de 27 anos. Os mais velhos do grupo são o guarda-redes Carlos, os  avançados Guedes e Ben Traoré , com 30 anos, enquanto o mais jovem é o médio Tonito W, 18 anos de idade.