Jornal dos Desportos

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Futebol

Treino de adaptao

Paulo Caculo, em Nouakchott - 15 de Outubro, 2018

Palancas Negras defrontam mauritanianos em jogo da quarta jornada do grupo I de apuramento ao CAN de 2019

Fotografia: Vigas da Purificao | edies novembro

A Selecção Nacionalde futebol de honras realiza hoje, às 18h00 (17h00 locais), o treino de adaptação ao relvado do estádio Estádio Cheikha Boidiya, em Nouakchott, palco do jogo frente à Mauritânia.
A sessão de treino deve durar, aproximadamente, duas horas e servirá para o seleccionador nacional promover alguns exercícios de circulação de bola, passe e posse do esférico a toda a extensão do relvado, proporcionando aos jogadores adaptação ao tapete de jogo de amanhã.
Desta preparação, cujos jornalistas terão acesso apenas aos primeiros 15 minutos, não será possível descortinar o “onze” provável a ser utilizado no embate com a equipa caseira. Mas, seja como for, o Jornal dos Desportos sabe que Srdjan Vasiljevic deverá apostar num futebol de contenção, cuja estratégia assenta em entregar aos donos da casa a iniciativa de jogo e partir, depois, para o contra-ataque.
O grupo às ordens do técnico sérvio refez-se das várias horas de cansaço da viagem e de espera no aeroporto internacional de Nouakchott, pelo visto de entrada no território mauritaniano. Ontem, os jogadores surgiram mais alegres e motivados, numa clara alusão de que estão recompostos e prontos para o que der e vier.
A Selecção angolana foi alvo de “tortura psicológica” no sábado passado, após desembarcar no aeroporto. A comitiva angolana chegou à Mauritânia por volta das 05h30 e apenas saiu do aeroporto quando eram 12 horas locais (13h00 em Angola).
Foram sete horas de espera pelo visto de entrada, em virtude de alegados problemas com a rede electrónica do sistema de concessão de vistos. A situação obrigou a que jogadores, treinadores e alguns membros da delegação tivessem que tirar algumas horas de sono no chão do aeroporto, para atenuar o cansaço.
Integram a caravana angolana 38 elementos, entre os quais 25 jogadores, nomeadamente Ndulu, Herenilson, Vá, Mira, Tó Carneiro, Tony Cabaça, Dany Massunguna, Paizo, Mário, Mingo Bille, Guelor, Geraldo, Macaia e Mabululu, Landu, Paty, Gelson Dala, Buatu, Mateus Galiano, Freddy, Djalma Campos, Bastos Quissanga e Stelvio Cruz. Schow e Wilson são os grandes ausentes do grupo por problemas físicos.               

LOVE CABUNGULA
Adjunto
de Vasiljevic
realça objectivo
de vencer

O técnico adjunto da Selecção Nacional de futebol de honras, Love Cabungula, traduziu ontem, em declarações aos jornalistas, no final da sessão de treinos, os objectivos da equipa no embate de amanhã, frente à Mauritânia. O ex-futebolista e auxiliar de Srdjan Vasiljevic assegurou não haver intenção da selecção em jogar para o empate.
“O objectivo é mesmo conquistar os três pontos e não devemos pensar noutro resultado, que não seja a vitória. Esse é o grande objectivo, porque se pensarmos num empate, de algum modo pode deixar-nos relaxados. Não temos outro objectivo. O que nos trouxe cá é mesmo a conquista dos três pontos”, assegurou.
Love Cabungula acrescentou, por outro lado, que o jogo em Luanda foi bastante desgastante, facto que tem obrigado a equipa técnica a trabalhar na recuperação física dos jogadores.
“Tivemos uma viagem cansativa após o jogo e o processo do nosso treinamento, neste momento, tem incidido no aspecto da recuperação dos jogadores, porque o jogo esta próximo e é já depois de amanhã (terça-feira), e não há muito que se trabalhar. Estamos a trabalhar apenas na recuperação dos nossos jogadores”, esclareceu o adjunto do sérvio Srdjan Vasiljevic.
Segundo ainda o ex-futebolista da Selecção Nacional, existe jogadores que tiveram algumas mazelas no jogo passado, razão pela qual admite a possibilidade de haver mexidas no onze.
Ainda assim, Love Cabungula garante que a equipa titular para o jogo ainda não está definida. Refere que apenas hoje os Palancas Negras devem estar mais próximo de definir o “onze” para enfrentar a Mauritânia esta terça-feira, em Nouakchott.
“Vamos procurar apresentar a equipa que nos oferece maiores garantias, porque o jogo foi bastante desgastante. Alguns jogadores tendem a recuperar de forma mais lenta, por motivos de contusão, mas o mais importante é que vamos congregar o onze que nos dá melhor garantias de uma vitória e brindarmos o nosso povo”.
PC, EM NOUAKCHOTT

QUARTA JORNADA
Angola pode jogar cartada decisiva

a segunda volta da corrida aos Camarões 2019 vai começar amanhã, com boas ou más notícias para a selecção nacional, que joga extramuros, às 17h00 locais (18h00 em Angola), em Nouakchott, capital da Mauritânia. A precisar de entreabrir a porta do apuramento, os Palancas Negras jogam para acertar as suas contas, um empate é bom, mas a vitória vai ser ouro sobre azul, pois vai deixar o combinado angolano com a faca e o queijo na mão, a duas rondas do fim.
O apuramento dos Palancas Negras de modo algum fica garantido depois do jogo de amanhã, porém, muita coisa pode mudar se a selecção conseguir pontuar em casa da Mauritânia.
As contas nem sempre se fazem no fim, esse é o pensamento que vai mover as duas selecções para ganhar o jogo de amanhã, é ponto assente que, quem somar 3 pontos, vai ficar com o caminho livre, para chegar com segurança aos Camarões. Realmente a qualificação vai ficar muito mais próxima do que antes.
A obrigação de manter de pé o apuramento, faz com que os angolanos percebam a importância de esticar os 6 pontos trazidos do primeiro turno. Os Palancas Negras estão no topo da classificação e podem, com antecedência, começar a olhar para as contas finais, ainda mais porque os mauritanos decidiram também se intrometer nas contas do apuramento, que em princípio parecia exclusiva do Burkina Faso e Angola.
Os 6 pontos com que as duas selecções vão iniciar o segundo turno, é uma boa amostra do aceso despique que Les Mourabitones, cognome da Mauritânia, e os Palancas Negras vão tratar para não complicar nada. A selecção angolana tem duas deslocações extramuros nesse segundo turno, o êxito em ambas pode ser determinante, para o tão ambicionado apuramento, tudo pode começar a ser definido amanhã.
É inegável que sair de Nouakchott com 7 ou até mesmo 9 pontos mantém em aberto o apuramento, o que se quer é que os Palancas Negras progridam, em vez de ficar estagnados no mesmo lugar.
A capacidade de reacção angolana, ante a vantagem mauritana, ensinou uma lição valiosa, que tem de ser recuperada amanhã, para ferir de morte o intruso que com todo o mérito fez a sua parte, ganhou dois jogos na primeira volta, um deles ao favorito Burkina Faso, para ser tido e achado nas contas do apuramento.
E se Angola perder? Nada de extraordinário vai acontecer, a qualificação ainda vai continuar de pé, mas a margem de erro vai ser mínima, vai exigir que os Palancas Negras façam o pleno nos dois derradeiros jogos, 18 de Novembro com o Burkina Faso em Luanda, e 22 de Março de 2019 no fecho, em casa do Botswana.
Até ao momento, a equipa nacional tem tudo sobre controlo, continua a depender de si para voltar ao \"Africano\", assim então, é determinante voltar de Nouakchott com a mão na qualificação, até pode não ser obrigatório vencer, mas a coisa muda quando se trata de pontu
Betumeleano Ferrão

PALANCAS VS MOURABITONES
Goleada caseira  ajuda no desempate

O resultado de quatro a um sobre a Mauritânia pode ser decisiva para Angola nas contas finais do grupo I, em caso de igualdade pontual. O passeio caseiro do Burkina Faso sobre o Botsuana, 3-0, aumentou as probabilidades de haver necessidade de se recorrer ao número de pontos somados, golos marcados e  sofridos, no confronto directo, para determinar quem vai aos Camarões 2019.
Os Palancas Negras estão obrigados a prestar atenção a esse detalhe importante quando entrarem em cena amanhã na casa da Mauritânia. Aos angolanos se admite tudo, menos uma derrota, é melhor sair com o pontito e manter a vantagem sobre o rival, o facto de na ronda seguinte Angola receber em Luanda o favorito Burkina Faso, aumenta a pressão de pontuar, nem que seja com o empate para que o item de desempate, também conhecido por gol average, faça mossa aos mauritanos.
Agora que o segundo turno vai começar e com o triunvirato empatado no número de pontos, 6 cada, uma certeza quer se sobrepor a todas, Burkina Faso, Angola e Mauritânia podem fazer uma luta a três, capaz de se arrastar até à última jornada, motivo por que há todos os motivos para fazer conjecturas sobre o decisivo papel do gol average para separar o trigo do joio.
Como a corrida está a ser feita a duas voltas, há três selecções com 6 pontos - Burkina Faso, Angola e Mauritânia - mas a diferença entre marcados e sofridos ajuda a explicar por que escrevemos na ordem acima citada. O Burkina tem uma ligeira vantagem sobre Angola, por isso é primeiro, balançou as redes 6 vezes, tantas quantas os angolanos, mas defendeu-se melhor, só recolheu a bola 3 vezes as suas redes, Angola fê-lo em 4 ocasiões, o 3+ dos Etalons é superior ao 2+ dos Palancas Negras.
Por ora, a Mauritânia é o candidato ao apuramento mais preocupado com o gol average, a goleada que sofreu ante Angola vez com que a primeira vez fosse aterradora para as suas aspirações, 4 golos sofridos num só jogo. A bem da verdade, Les Mourabitones marcaram em todas as jornadas, mas por culpa de Angola têm o pior coeficiente do pelotão da frente, o seu é nulo, por isso é terceiro.
A bem da verdade, tudo pode acontecer no grupo I, mas fica claro que o começo da segunda volta vai ser mais difícil para Angola e Mauritânia, pois o Botswana é o bombo de festa, nada faz crer que as Zebras, sua alcunha, consigam dar um coice mortal nos Etalons, tudo parece indicar que o Burkina Faso vai chegar aos 9 pontos e vai se esticar para puxar o carimbo da qualificação, antecipada.
Assim fica mais fácil perceber, por que razão mauritanos e angolanos vão tentar gastar amanhã todas as fichas que têm, para a equipa nacional o mais importante é manter a vantagem que tem e que pode chegar para alcançar os seus objectivos, não permitir que a Mauritânia dê o troco, é o lema a cumprir.
Betumeleano Ferrão