Jornal dos Desportos

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Futebol

Tropeo em casa

Paulo Caculo - 04 de Março, 2019

Tricolores sofreram o golo aos 26 minutos e perderam pela segunda vez na fase de grupo

Fotografia: M.Machangongo | Edies Novembro

O jogo do Petro de Luanda - Zamalek do Egipto podia ter conhecido um desfecho menos sofrível, não fosse um erro defensivo, aos 26 minutos, "rasgando\" a folha limpa que estava a ser a exibição do único embaixador angolano na competição africana, nos primeiros 45 minutos.
Os princípios de uma equipa ambiciosa em vencer notava-se em campo, mas a defesa vacilou e houve mais ocasiões falhadas, que podiam engordar ainda mais os números de uma inesperada derrota, não fosse os bons reflexos de Elber.
A derrota (1-0) averbada pelos tricolores vai dar muito material de análise para o técnico Beto Bianchi e, ninguém duvide, terá reflexos imediatos na mudança de atitude nos próximos jogos. Aliás, a equipa angolana precisa de perceber que não basta criar volume de jogo, mas é preciso concretizar as jogadas.
E a despeito de ter protagonizado um autêntico festival de falhanços na etapa inicial, os adeptos têm retido na memória os lances de golo iminente que envolveram Tiago Azulão, aos 4´, e Toni, aos 40´, este último de forma escandalosa à boca da baliza.
Apesar de ter entrado para a partida com maior posse de bola e dispor das maiores ocasiões para marcar, nem por isso os angolanos foram suficientemente avassaladores nos primeiros 45 minutos. Tudo porque os egípcios não deixaram e foram capazes de ostentar uma pronta-resposta às investidas do adversário.
Mas é bom que se diga, o Petro bem mereceria um golo por tudo quanto fez na primeira metade do jogo. O futebol intenso e a grande dinâmica imprimida as jogadas foram provas da grande vontade espelhada pelos tricolores em ficar com os três pontos.
Era, na maioria das vezes, pela capacidade individual e voluntarismo de Job que o caudal ofensivo do conjunto angolano ganhava força para correr junto à baliza contrária. Mas as investidas esbarravam quase sempre na muralha defensiva montada pela turma egípcia.
O volume de jogo e a posse de bola era de tal forma superior que todos apostavam que seria a baliza do Zamalek a sofrer o golo. Puro engano. Acabaria por ser numa situação clara de contra-corrente que o Petro viria a sofrer, aos 26´, o único golo. Largas culpas para os centrais tricolores, que deixam Hamid Ahadad saltar sozinho e visar as redes de Elber.
A segunda parte foi de nervos para o Petro, que teve de aturar os caprichos dos jogadores do Zamalek, que deixaram de jogar futebol e limitaram-se a fazer o anti-jogo. Eram jogadores a caírem constantemente no relvado, que mais pareciam crianças mimadas...
A verdade é que o Petro jamais baixou os braços. Fez muito pela “vida”, de tal forma que cai de forma injusta neste jogo. E nem mesmo as mexidas efectuadas pelo técnico petrolífero ajudaram a salvar a equipa da derrota caseira.
A equipa egípcia foi matreira na forma como soube segurar o resultado construído em apenas 26 minutos. Apenas a espaços o Zamalek arriscava, pois deixava transparecer a imagem clara de que estava satisfeita com o 1-0 e que tudo não passava de uma questão de conservar o resultado.
Os últimos minutos foram dramáticos para o conjunto angolano, que passou mais vezes a fustigar as zonas nevrálgicas do meio campo adversário, porém sem espaços para poder descobrir as vias de acesso à baliza contrária.

ARBITRAGEM
Trabalho aceitável  Trabalho

A actuação do trio de arbitragem proveniente do Burundi não teve influência no resultado do jogo. Apenas lamentar o facto de não ter conseguido mostrar por mais vezes o cartão amarelo aos atletas egípcios, sobretudo em situações de anti-jogo na segunda parte. Tecnicamente esteve ao nível do jogo, ao seguir as jogadas muito próxima e a castigar com livre todas as jogadas protagonizadas à margem das regras.

FIGURA DO JOGO
Herenilson "pulmão de ferro"

O médio Herinilson foi, entre os jogadores do Petro de Luanda, o mais inconformado no jogo. O camisola 18 dos tricolores jogou e fez jogar a equipa. Preencheu espaços, encheu o meio-campo e andou largos períodos do jogo a tentar abrir vias onde pudesse municiar o ataque. Foi, a par de Toni e Job, as unidades que mais sofreram em campo e tudo fizeram para inverter a história do texto.

OPINIÃO
DOS TÉCNICOS "Não tivemos sorte"
  (Petro de Luanda )

"A equipa jogou muito bem, controlámos bem o adversário, mas não tivemos sorte, apenas o Tony teve duas oportunidade claras de cabeça. O Zamalek se dedicou a defender, nós jogamos futebol até o final do jogo e isso me surpreendeu muito, mas eles (egípcios) foram felizes porque a primeira vez que chegaram à baliza conseguiram o golo. Eles estão de parabéns!"

"Jogámos confiantes"
(Zamalek do Egipto)

"Estou satisfeito com a vitória de hoje (ontem). Jogámos confiante, a nossa equipa lutou muito e foi essa a nossa intenção.  Precisávamos dessa vitória, desses pontos para continuar a sonhar com o apuramento à próxima fase, como disse na conferência de imprensa de sábado. A minha equipa está de parabéns por conseguir uma vitória fora de casa".