Jornal dos Desportos

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Futebol

Trs pontos no "trabalho de casa"

Betumeleano Ferro - 14 de Fevereiro, 2019

Petrolferos receberam e venceram o adversrio a quem no deram oportunidade de regressar a casa com pontos da bagagem

Fotografia: Edies Novembro

O apertado dois a um (1-0) é enganador demais para traduzir o marcador final do jogo de ontem em que o Petro de Luanda derrotou o Gor Mahia. A bem da verdade, os tricolores desperdiçaram, sobretudo na primeira parte, boas oportunidades para construir um resultado estrondoso, mas o mais importante aconteceu:  a equipa angolana sob controlar todas as incidências do jogo para somar os primeiros pontos no grupo D, Manguxi e Tony foram os marcadores para o lado vencedor, enquanto Kipkirui descontou para os derrotados.
Talvez para justificar a fama de corredores, os quenianos entraram com muita pressa e, a bem da verdade, conseguiram imprimir um andamento que deixou evidente que os tricolores teriam uma tarde bem atarefada.
Ainda bem que foi assim porque a \"facilidade\" com que o Gor Mahia conseguia jogar mais vezes dentro do meio campo do Petro de Luanda acabou por acordar as faculdades competitivas da equipa angolana. Tanto é assim que quando decidiu dar o troco fugiu em definitivo no marcador.
Como a entrada a correr dos quenianos nem sequer deu tempo para o costumeiro estudo mútuo, quando Manguxi, assistido por Tiago Azulão, encheu o pé como se estivesse a marcar um penálti houve a separação das águas. 
Estavam decorridos apenas 17 minutos, mas este acabou por ser o momento mais importante do jogo porque o golo tranquilizou o Petro e forçou o Gor Mahia a abrir-se mais ainda, situação que acabou por favorecer em demasia quem já estava em posição de vantagem, pois, num ápice, as oportunidades de ampliar começaram a aparecer com alguma frequência.
O Petro de Luanda soube aproveitar bem o embalo da magra vantagem. É verdade que não passou a correr mais, mas fez o que lhe competia. Manteve a mesma identidade em campo, resistiu à tentação de inventar e, quando menos esperava, o adversário começou a dar muitas baldas, uma delas quase deu o 2-0, só que Job não quis \"beber a gasosa\" oferecida pelo guarda-redes Oluoch, tampouco assistiu a Tiago Azulão.
A maneira como os tricolores reagiram sempre bem às adversidades também acabou por ser uma das chaves da vitória. Os erros não diminuíram a sede de somar os pontos , tanto é assim que, poucos minutos depois de dois desperdícios seguidos, gritou-se golo. Que jogada! Mateus foi mesmo um extremo ao desenquadrar o defesa e cruzar de pé trocado. Toni a ponta de lança marcou de cabeça aos 37 minutos.
O Gor Mahia acusou o golpe devastador que sofreu. É verdade que o intervalo veio no momento exacto para impedir o KO, contudo, a postura dos forasteiros na etapa complementar ficou muito afectada pelos golos que sofreu no primeiro tempo. 
Ninguém pode acusar os quenianos de tentar, eles tentaram fazer renascer a esperança de pontuar, ao mesmo tempo em que se fecharam muito bem para evitar provar do próprio veneno, sofrer muitos golos, como fizeram ao Zamalek do Egipto na jornada passada. O Petro de Luanda ficou na sua zona de conforto em toda a segunda parte, É certo que em alguns períodos tentou ir atrás da nota artística para provar alguma coisa, em face dos últimos maus resultados, todavia, a ansiedade acabou por ser traiçoeira porque impediu que os tricolores mostrassem a mesma eficácia para voltar a marcar.
A vitória e os  três (3) pontos pareciam seguros quando o fortuito tentou fazer de novo mossa aos tricolores. O jogo já estava no tempo de compensação quando Kipkirui aproveitou erros da defesa tricolor para desviar de cabeça para o fundo das redes de Elber, que ontem não comprometeu na estreia. O golo aconteceu aos 90+1\' e com mais três (3) para jogar os quenianos acreditaram que estavam a ver uma luz no fundo do túnel mas o Petro tratou de apagar a falsa clareza, e, confirmou o que antes já era mesmo seu.


MELHOR EM CAMPO
Manguxi "deu carga"

As mexidas efectuadas pelo técnico petrolífero Beto Bianchi, na zona central do meio campo, deram resultados. Em alguns períodos a dupla Nari/Manguxi acusou a falta de rotina, mas nem por isso comprometeu ainda mais porque Manguxi soube dar toda a cadência necessária para o Petro ter poder ofensivo. Em alguns períodos, o número 10 dos tricolores parecia lento demais para os agressivos adversários, porém, foram poucas as vezes em que se deixou antecipar, a sua rapidez de execução fez a diferença para manter vivo o Petro de Luanda. Embora tenha falhado passes que poderiam ter sido decisivos, Manguxi acertou quando mais se precisava, sim o decisivo golo aos 17' acabou por mostrar o caminho da vitória, deu tranquilidade a equipa numa altura em que o Gor Mahia estava irrequieto demais. 

 

TÉCNICOS


Petro de Luanda (Beto Bianchi)
"Essa vitória dá um empurrão"


"Ganhámos a uma grande equipa, que veio de um resultado vitorioso, por  de 4-2, sobre do Zamalek do Egipto. Os nossos jogadores tiveram essa vitória como um prémio. Elber entrou bem no jogo e Nari fez uma boa partida. Todas as equipas do grupo são boas equipas. Vamos lutar atá ao final, essa vitoria dá um empurrão"


Goer Mahia  (Hassan Oktay )
"Vamos dar a cambalhota"


"Tivemos as nossas oportunidades e não aproveitámos, perdemos por duas bolas a uma, infelizmente a vida do futebol é assim. É verdade que perder não é bom, perdemos, mais tenho a certeza que no próximo jogo, contra o Hussein Day vamos dar a cambalhota"


ARBITRAGEM
Actuação regular

No computo geral, o homem do apito, em campo, deu início ao jogo com dois minutos atrasados da hora prevista. Trabalhou de uma forma tranquila, com capacidade, responsabilidade, até ao fim da segunda parte. Mostrou apenas um cartão amarelo para um jogador da equipa do a equipa do Goer Mahia, nimeadamente, Onyango, aos 90 + 3 minutos.   Ligeiro reparo para um fora de jogo mal assinalado a Toni