Jornal dos Desportos

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Futebol

Vasiljevic recupera memria da chegada ao Egipto

Honorato Silva - 22 de Agosto, 2019

Tcnico srvio deixou ontem o pas

Fotografia: Edies Novembro

De malas feitas de regresso ao seu país, depois cessar o vínculo contratual com a Federação Angolana de Futebol (FAF), o técnico sérvio Srdjan Vasiljevic recuperou a memória da chegada dos Palancas Negras ao Egipto, com vista a disputa da 32ª edição da Taça de África das Nações (CAN), inseridos no Grupo E, na cidade de Suez.
“Digo sempre isso. É muito importante a minha imagem. Quando você tem necessidade de justificar escolhas, junto da opinião pública, procura manipular do jeito que quiser. Dizer uma coisa e fazer outra. Um dos problemas vividos no Cairo, depois de termos passado a noite toda a viajar, de Lisboa a Atenas e depois para a capital do Egipto, foi a falta de recinto para treinar. Foram três dias”, começou por dizer o treinador.
Preocupado em ser lembrado em Angola pelas melhores razões, visto estar aberto a convites para regressar, até de clubes, Vasiljevic pediu compreensão, por evitar aprofundar a abordagem de questões organizativas fora do espaço apropriado, mas esclareceu as limitações de trabalho após à chegada ao palco da prova continental.
“No primeiro dia, 17 de Junho, a seguir ao almoço, perguntei o local do treino. Pediram-me para esperar. Fez-se tarde e continuaram sem responder. Dirigi-me ao terraço, onde estavam os jogadores em exercícios ligeiros. Na terça-feira, o cenário continuava o mesmo, sem qualquer solução à vista. No terceiro dia, quarta-feira, ainda sem treinar, a equipa técnica fez o que se impunha. Cancelar o amistoso com a África do Sul, por forma a proteger os jogadores dos riscos de lesão”, lembrou.

INSEGURANÇA
Na altura, o presidente da FAF, Artur Almeida e Silva, explicou ao telefone, a partir do Cairo, que a falta de campos para treinar resultou da limitação de mobilidade observada na capital egípcia, alegadamente por registar um clima de tensão. Apenas os países cujos grupos estavam na cidade tinham como trabalhar, pelo que restava à Selecção Nacional aguardar a ida a Suez.
Quanto à queda dos Palancas Negras ainda na primeira fase, Srdjan Vasiljevic foi directo: “faltou uma energia recíproca. Os jogadores aguardaram isso dos dirigentes, para que a motivação crescesse. Se estivéssemos a puxar todos para a mesma direcção, aí teríamos a sorte que faltou. Mas uns remavam para frente e outros para trás. Nem a sorte nos serviu. De qualquer forma, estou orgulhoso e grato por ter tido a oportunidade de trabalhar em Angola. Saio daqui com a consciência limpa. Sem me preocupar com coisas que não têm a ver com o futebol. Recebi convites de dois clubes, ainda no cargo de seleccionador. Preferi honrar o meu patrão. É impossível sentar em duas cadeiras ao mesmo tempo. Gostaria de voltar”.                 HONORATO SILVA