Jornal dos Desportos

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Futebol

Vitria palavra de ordem

Antnio Jnior - 05 de Maio, 2018

Ivo Traa admitiu que a equipa faa um jogo de pacincia para sair vitoriosa

Fotografia: Edies Novembro

O 1º de Agosto volta a estar presente na elite dos melhores clubes do continente, quando receber esta tarde  o Étoile Sahel da Tunísia, às 17h00 no Estádio 11 de Novembro, jogo referente à primeira jornada do grupo D, da Liga dos Campeões, duas décadas depois da última participação.
Com um percurso aceitável nas Afrotaças e com passagem nos melhores estádios africanos, os rubro -negros têm a difícil missão de resgatar a mística do futebol nacional. Ou seja, competir de forma brilhante por formas a devolver no próximo ano, quatro equipas angolanas para as competições.
Longe do esplendor dos tempos de glória, o 1º de Agosto regressa à fase de grupos da Liga dos Campeões, competição de que é um dos fundadores, com objectivo bem definido. Se em 1997, a missão não foi cumprida com êxito, hoje, na trincheira militar a disposição e o espírito de conquista é reconquistar os tempos áureos.
O regresso era importante, mas ao campeão nacional pesa sobre si a responsabilidade não apenas de provar que estamos presentes na competição,  acima de tudo, para demonstrar que o país está realmente imbuído em corrigir o que esteve mal nos últimos anos e melhorar o que está bem.
E, isto, passa por uma prestação brilhante na maior montra do futebol em África. Não há desespero maior para um povo que gosta de futebol, como ver a sua selecção e os seus principais clubes ausentes das provas continentais. O 1º de Agosto está jogar bem, o plantel sente-se valorizado e começa a acreditar mais em si.
É bem verdade, que o adversário não é uma equipa qualquer. Tem estatuto e está sempre no topo africano, mas não é menos verdade que os militares estão motivados e a atravessar  bom momento de forma, com os níveis emocionais em alta, aditivos que tornam qualquer equipa confiante.
O Étoile du Sahel é uma referência no futebol africano. Sabe jogar, tem combinações fáceis, é uma equipa inteligente com planos bem definidos de quando e como devem agir para utilizar o anti -jogo. Se marcarem primeiro, \"congelam\" o jogo e procuram enervar ao máximo o adversário. Por isso, todo o cuidado é pouco e é necessário o 1º de Agosto redobrar a vigilância ao meio campo e no sector defensivo.
Para contrapor a astúcia dos tunisinos, é preciso que os angolanos vinquem os seus atributos. Ou seja, para iniciar a campanha com o pé direito, é preciso que o 1º de Agosto se mantenha  fiel aos seus princípios, sem descurar que tem pela frente um adversário difícil. O jogo não é de vida ou morte, contudo, pode marcar uma nova era no futebol nacional rumo aos lugares cimeiros do continente.


DEPOIS DE DUAS DÉCADAS
Dé recorda tarde memorável


A estreia do 1º de Agosto na competição mais importante de clubes em África ficou marcada pela brilhante exibição e vitória (2-1) no Estádio FNB, em Joanesburgo. O golo magistral de Dé, \"arma secreta\" lançada por Dusan Kondic na etapa complementar da partida, silenciou os sul-africanos, correu mundo e encantou os amantes do bom futebol.
Hoje, director de Aprovisionamento e Infra-estrutura do Clube, o ex-médio ofensivo militar recorda com saudade o toque mágico que surpreendeu tudo e todos, naquela tarde memorável. Duas décadas depois, o irrequieto canhoto considera a sua exibição um momento histórico da sua carreira.\"É um momento que orgulha todo e qualquer atleta, estar presente na maior competição de África, a nível de clubes. Hoje, torna-se difícil falar de tudo o que aconteceu naquela memorável tarde. Era muito jovem e sem experiência nessas andanças, mas fiz o que a equipa técnica e os colegas esperavam de mim\", sublinhou.
O 1º de Agosto faz parte da galeria de clubes que competiram na primeira edição da Liga de Campeões, nos moldes actuais.
\"É uma satisfação enorme fazer parte do grupo que competiu na estreia desta prova e deixar o meu nome gravado nesta competição\", regozijou-se.
Dé acredita, que a geração actual está e tem condições para realizar uma campanha de grande nível, e no final da competição orgulhar todos aqueles que se identifiquem com o clube.
\"Faz tempo, que não fazíamos parte desse grupo. O feito galvaniza a direcção que tanto precisava de competir nesse patamar\", enalteceu confiante num regresso airoso.
\"A nossa dimensão obriga-nos a competir ao lado das melhores de África, para relançarmos a nossa marca. Hoje, o 1º de Agosto tem todas as condições para fazer uma boa campanha. Tem um bom grupo de trabalho e com qualidade para aliar os bons resultados às exibições. Temos uma direcção batalhadora, equipa técnica competente e infra-estruturas das melhores no continente\", enalteceu.


MÁRIO  CALADO
“É preciso explorar o potencial da equipa”

Mário Calado é um nome associado ao percurso do 1º de Agosto na Liga dos Campeões. Como adjunto do sérvio Dusan Kondic, o técnico angolano foi catapultado  para treinador principal, devido ao empate consentido e a má exibição no jogo com o Raja de Casablanca. Assumiu o comando na terceira jornada, diz que o fracasso ou prestação negativa foi consequência dos vários factores que aconteceram na altura. Defende, que neste tipo de competição, os jogos em casa são sempre para vencer, independentemente do valor do adversário.
\"Os processos de jogos em casa, obrigatoriamente, têm de ser feitos para vencer. É preciso explorar o potencial da equipa, duplicar a dedicação nos treinos, voltados para a vitória. Deve-se potencializar as virtudes, a força anímica e o desejo pela vitória, independentemente do adversário\",  realçou.
Com experiência em jogos com as equipas do Norte de África, alertou para a necessidade de criar-se uma estratégia, para dificultar ao máximo o adversário. Depois de defrontar o Raja de Casablanca e o USM da Argélia, como técnico do 1º de Agosto e afastar o todo poderoso Al AhlY do Egipto, ao comando do Santos FC, Mário Calado está em condições de apresentar o \"milongo\" para anular o Étoile du Sahel da Tunísia.
\" Estas equipas são dotadas de grande qualidade técnica e têm muita experiência nestas andanças. Por isso, a estratégia é  jogar num período em que a temperatura esteja alta, para aproveitar ao máximo este factor e dificultar a excelente capacidade que têm\", despertou.
Admitiu, que os angolanos estão satisfeitos com a proeza dos militares e esperam que a campanha seja a melhor possível, e consigam os seus intentos, pois, têm potencial para tal. \"A equipa está a subir, paulatinamente, de rendimento. Tem boa qualidade de jogo, agora é preciso manter a força interior e a motivação dos atletas\", sublinhou.
Mário Calado considera o grupo D acessível e está confiante numa boa prestação do campeão nacional nesta campanha. Do ponto de vista de calendário, defende ser favorável, já que os militares têm duas deslocações e depois realizam dois jogos em casa.
\"O grupo é acessível e tem a oportunidade de decidir os jogos mais importantes em casa, salvo, o da última jornada. Iniciar com a equipa mais forte é positivo\", avaliou.
                                                           
                                                                                                         

CAPITÃO DO  1º DE AGOSTO
Dani descontrai com colegas
e familiares  


O capitão da equipa do 1º de Agosto, Dani Massunguna, reconheceu que existem momentos de ansiedade antes de um jogo, mas que os encara com grande normalidade à conversa com colegas e familiares.
\"Eu levo esses momentos dentro da normalidade, é o que temos feito sempre, conversar, brincar com os colegas e com a minha família, para descontrair e fazer um bom jogo.
Procuro fazer algo diferente do que faço, quando trabalho em véspera de qualquer jogo\", disse o jogador e acrescentou que \"descomprimo a ansiedade com muita conversa, pensamentos positivos de jogos que já fiz e graças a Deus essa fórmula tem dado certo, aliado a conversas que temos  com o nosso motivador\", afirmou.
O experiente jogador revelou, que conhece o adversário por vídeos que assiste e espera que surtam o efeito dentro do campo. 
\"Vi o último jogo antes de entrarem na fase de grupos,  já sei os movimentos dos atacantes. Sei quem são os atacantes, que de princípio iremos defrontar, porque tanto eu como os meus colegas não queremos ir para o jogo sem nenhum conhecimento do adversário\", garantiu.
O capitão militar defendeu o ambiente tranquilo que se vive o seio do plantel, com a prestimosa colaboração do psicólogo motivacional do clube.
\"Dá para ver no semblante de cada um dos jogadores, que está tudo dentro da normalidade, não há nada de diferente em relação ao dia a dia, ou ao tempo que nós estamos aqui no trabalho e o motivador ajuda muito. Queremos que as coisas nos corram bem, porque quem trabalha bem colhe bons frutos\", defendeu.
Por ser o jogo de estreia, na Liga dos Clubes Campeões, Dani Massunguma reconheceu ser  o de maior nervos, porque querem que as coisas corram bem.   
JN


IVO TRAÇA
“Conhecemos bem o adversário”


O técnico -adjunto do 1º de Agosto, Ivo Traça, afirmou que a equipa fez bom trabalho durante a semana e apostam no ataque no jogo de hoje às 17h00, no Estádio 11 de Novembro, quando defrontar a formação do Étoile Sportive du Sahel da Tunísia, desafio referente à primeira jornada da série D, da fase de grupos da Liga dos Clubes Campeões Africanos.
\"Treinámos bem, estamos numa competição diferente da que jogámos no domingo, vamos defrontar uma equipa da Tunísia. Conhecemos bem o Ètoile du Sahel, vimos os seus últimos jogos e acreditamos que estão ao nosso alcance. É uma equipa fria, joga de forma inteligente, vamos contrapor com os nossos argumentos\", afirmou.
O assistente do sérvio Zoran Maki revelou a forma como antevê que os tunisinos vão alinhar neste desafio, daí, a postura ofensiva que os militares pretendem hoje.
\"Sabemos que vão jogar fechados e explorar o contra-ataque e será um jogo muito difícil. Este jogo não é uma eliminatória é um campeonato, em que temos de pontuar e para isso, devemos aproveitar o factor casa, arriscar mais um pouco para ganhar o jogo\", anteviu. 
Ivo Traça garantiu, que o campeão nacional adoptou de propósito no domingo atitude diferente no jogo diante do Interclube, para evitar o olhar atento dos emissários dos adversários. \"Vamos entrar para comandar o jogo. Eles enviaram um emissário para assistir o nosso jogo com o Interclube, fomos um pouco astutos, entregámos o jogo ao adversário, jogámos mais recuados para não denunciar a forma como vamos jogar amanhã (hoje),  e agora, vamos arriscar mais no ataque\",
O antigo médio militar admitiu que vão fazer um jogo paciente, como referiu, \"cada jogo preparamos de forma diferente e quando o jogo é fechado, temos de ter paciência. É verdade que no Girabola falhamos muito, mas fazemos o nosso trabalho que é de ganhar os últimos jogos\", assumiu.
A experiência mostra, que jogos dessa natureza ganham-se nos detalhes, por isso, o conjunto rubro -negro pretende cometer o menor número de erros possíveis.
\"Queremos cometer o menor número de erros, porque se o adversário marca primeiro, torna-se difícil empatarmos, pois, eles praticam um estilo de futebol europeu, muito táctico, parecem que não correm, mas procuram sempre os espaços vazios e a bola está sempre no sítio que querem, por isso, temos de estar atentos\", disse.
O lateral esquerdo Natael, tem uma entorse, está confirmado como a única baixa para o jogo de estreia na Liga dos Clubes Campeões de 2018.


EXTREMO MILITAR
Geraldo reparte favoritismo


O extremo Geraldo do 1º de Agosto repartiu o favoritismo da equipa na recepção ao Étoile Sportive du Sahel da Tunísia, mas considerou aproveitar o factor casa para somar os três pontos na fase de grupos da Liga dos Clubes Campeões. 
\"Não somos favoritos. Todas as equipas nesta fase estão sujeitas a classificarem-se para a outra fase e vamos dar o máximo para vencer o jogo, com a consciência de que o adversário é difícil, mas jogamos em casa. Devemos fazer o nosso trabalho de casa para ganharmos os pontos necessários. Estamos em bom momento, quatro vitórias e vamos aproveitar esse momento\", disse o jogador.
O camisola 11 apontou a fórmula para ganhar ao conjunto tunisino, com base na humildade e na concentração, ciente de que possa sofrer uma marcação cerrada dos defesas adversários. 
\"Devemos ter  humildade, estar concentrados e fazer o mesmo que fizemos com o Interclube. Por outro lado, é normal que eu seja referenciado como um dos mais influentes da equipa, é normal que eu sofra uma marcação, mas o jogo  ganha-se também na vertente táctica. Eu observo o adversário, o lado direito deles marca muito bem, é muito forte. É importante que nós jogadores, também façamos esta leitura para ver quem nos vai marcar e estarmos preparados\", apontou.  
O canhoto reconhece que vão jogar uma competição diferente da do Girabola Zap, e enfrentar uma equipa experiente, por isso, pede o apoio de todos.
\"São competições totalmente diferentes, já não estamos na fase de eliminatórias, temos de ser coesos porque vamos defrontar uma equipa madura e todos queremos fazer um bom trabalho. Será um grande jogo e queremos o apoio de todos. Quero dar o meu melhor e acredito que os meus colegas também, para ganharmos o jogo\", reconheceu.
JN


AMBIENTE
Alegria domina jogadores


Os momentos, que antecedem os jogos, são vividos por cada jogador de forma diferente. Seja a conversar, brincar, ouvir música, todos procuram uma maneira de descontrair para tirar a ansiedade, própria de um desafio desta natureza.
Depois do treino matinal de ontem, no relvado do Estádio António França \"Ndalu\", para o último apronto para a recepção de hoje da formação do Étoile Sportive du Sahel da Tunísia, o plantel do 1º de Agosto entrou para o regime de estágio no RI-20.O almoço é às 11h00, com os jogadores a degustarem boa gastronomia angolana, sempre com o semblante alegre, onde não faltam algumas brincadeiras. Após o almoço, retiraram-se para os seus quartos para o descanso e para retemperar energias para o dia de hoje.
Durante a permanência da reportagem do JD, o ambiente foi de descontracção, com os jogadores a trocarem ideias sobre diversos assuntos, embora, o assunto \"Étoile Sportive du Sahel da Tunísia\" não fosse o centro das conversas.
Era natural ver alguns grupos aqui e acolá, com temas diversos, com risadas entre a conversa, como forma de descontrair antes do final do dia.  
JN