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Futebol Internacional

África pode ter nove vagas em 2026

11 de Janeiro, 2017

Conselho da FIFA ontem reunido

Fotografia: AFP

O Conselho da FIFA, órgão que substituiu o Comité Executivo, aprovou por unanimidade o alargamento da fase final do Mundial de futebol, a partir de 2026, de 32 para 48 selecções, distribuídas por 16 grupos de três equipas.

Nesta segunda reunião do novo Conselho da FIFA estavam na mesa três propostas: o formato de 32 selecções, alargar para 40,  ou 48 selecções a partir da edição de 2028.

“O Conselho da FIFA decidiu, por unanimidade, 48 selecções no Mundial a partir de 2026: 16 grupos de três equipas”, refere o organismo na conta oficial no Twitter.

CRÍTICA
O presidente da liga espanhola de futebol, Javier Tebas, criticou a proposta da FIFA em ampliar para 48 selecções a fase final do Mundial, aprovada pelo Conselho do organismo, em entrevista ao diário francês L’Equipe.

Para Tebas, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, “comporta-se como Blatter” seu antecessor, que se demitiu em 2015 depois do escândalo de corrupção que abalou o organismo.

“Infantino comporta-se como Blatter, que tomava as decisões sozinho sem se preocupar com ninguém”, avaliou Tebas, e acrescentou que os clubes estão “muito incomodados”.

O presidente da ‘La Liga’ acusa a FIFA por avançar com a proposta de ampliação “por razões políticas”, sem consultar o futebol profissional, considera que esta atitude “não é aceitável”.

Para o responsável espanhol, “a indústria do futebol mantém-se graças aos clubes, e às ligas, e não graças à FIFA”, e acrescentou que “é fácil ‘engordar’ esta competição (o Mundial) sem pagar aos protagonistas”.

“Gianni Infantino faz política. Para ser eleito, prometeu mais países no Mundial. Quer cumprir a promessa, mas a promessa que fez ao futebol profissional não cumpre”, disse ainda Javier Tebas.

 CONGRESSO DA FIFA
Sede do Mundial'2026 escolhida dentro de três anos


A sede do Campeonato do Mundo de 2026, o primeiro a ser disputado com 48 selecções, vai ser escolhida em Maio de 2020, conforme decidiu ontem, o Conselho da FIFA, em Zurique, na Suíça.

A entidade prevê a realização de quatro fases, no processo de candidatura, até à definição do país ou de países que vão receber a competição. A primeira etapa, que vai de ontem até Maio deste ano, inclue um período de consultas e desenho de estratégias para o torneio.

A preparação mais "meticulosa" das candidaturas é entre Junho de 2017 e Dezembro de 2018. A partir de Janeiro de 2019, até Fevereiro de 2020, vai ser feita a avaliação das propostas de sedes. A eleição, em Maio de 2020, acontece durante o Congresso da FIFA.

A primeira fase do processo de selexção  focaliza a inclusão de requisitos de direitos humanos, sustentabilidade e proteção do meio ambiente das pré-candidaturas, com direito à exclusão, em caso de descumprimento de requisitos técnicos.

O Conselho da FIFA já aprovou, na primeira reunião realizada em Outubro do ano passado, que  o Mundial pode vir a ser organizada por vários países, sem fazer limitação a números. Europa e Ásia podem receber os torneios em 2018 (Rússia) e 2022 (Qatar), respectivamente, estão fora da disputa.

ANTIGO SELECCIONADOR ALEMÃO
Berti Vogts horrorizado
com alargamento do Mundial


Berti Vogts antigo seleccionador da Alemanha manifestou-se ontem “horrorizado” com o alargamento do Mundial de futebol, de 32 para 48 selecções a partir de 2026, deixou muitas críticas à FIFA.

Vogts orientou a selecção germânica entre 1990 e 1998, disse à revista alemã Kicker, que estava “completamente horrorizado” com esta decisão “incrível” da FIFA.

“Se pretendem acabar com o Mundial, então que sigam esse caminho. Não entendo. Este já não é o meu Mundial”, disse Vogts, que se sagrou campeão mundial pela ex -RFA, como jogador em 1974.

Uwe Seller, outro antigo jogador da selecção alemã também se manifestou contra a ampliação, seguido para o Campeonato da Europa como “algo que não faz bem ao futebol”.

“Vai tornar-se num aborrecimento e algo que não faz bem ao futebol, como se viu no Europeu (em França, que Portugal venceu). Era claro que a proposta ia passar para encaixar mais dinheiro”, avaliou o antigo jogador.

O Conselho da FIFA, órgão que substituiu o Comité Executivo, aprovou  por unanimidade o alargamento da fase final do Mundial, a partir de 2026 para 48 selecções.

A primeira fase da competição  conta com 16 grupos, de três equipas cada, com as duas primeiras a classificar-se para a fase seguinte, a mostrar um sistema de eliminatórias a partir dos 16 avos de final.

Com este novo formato, o Mundial passa dos actuais 64 jogos para 80, mas continua a disputar-se durante 32 dias, como sucede actualmente.