Jornal dos Desportos

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Futebol Internacional

Anfitries tentam recuperar mstica

14 de Maio, 2018

Enquanto dono da casa, espera-se que os russos faam melhor do que nas ltimas competies.

Fotografia: AFP

Desde o colapso do comunismo, que os russos não obtiveram os mesmos resultados da antiga URSS, em futebol. Foram eliminados na primeira fase, nos três Mundiais que disputaram (1994, 2002 e 2014). São os donos da casa e este factor pode ser decisivo para fazerem uma boa prova e reverterem o quadro. A Rússia foi eliminada na primeira fase, em três dos quatro campeonatos europeus, disputadas como país independente (1996, 2004 e 2012), mas qualificou-se como o quarto em 2008, foi derrotada apenas nas meias-finais pela Espanha, que veio a sagrar-se campeã. Sob o comando do técnico neerlandês Guus Hiddink, criou-se um optimismo entre os adeptos russos, especialmente, depois da qualificação dramática para o Euro-2008. Em 1994, o primeiro campeonato oficial disputado como Rússia, figuraram nove jogadores estrangeiros . A selecção da Rússia calhou no grupo B, ao lado do Brasil, Suécia e Camarões, foi eliminada na primeira fase. Para consolo, teve Oleg Salenko como artilheiro do campeonato, ao lado de Hristo Stoichkov ambos com seis golos. No campeonato de 2002, a história repetiu-se: mais uma vez foi eliminada na primeira fase. Começou com uma vitória sobre a Tunísia, porém, foi derrotada pelo Japão e Bélgica. Nas eliminatórias para o Campeonato do Mundo de 2006, a Rússia esteve no Grupo 3, foi considerada uma das favoritas ao lado de Portugal, porém, ficou em terceiro. Seguiram em frente a Eslováquia e Portugal,  os russos sofreram uma humilhante goleada de 7-1 dos \"Tugas\". Depois do sucesso no Euro-2008, a selecção esteve prestes a conseguir a vaga para o Mundial-2010, mas a regra do golo fora de casa pôs fim às possibilidades russas contra a Eslovénia: derrota por 1- 0, em Maribor e vitória por 2-1, em Moscovo.
Enquanto dono da casa, espera-se que os russos façam melhor do que nas últimas competições.

Igor Akinfeev

Igor Akinfeev é um conhecido guarda-redes e capitão da selecção russa, tem a responsabilidade acrescida de ser um dos representantes dos  organizadores deste mundial. A Rússia vai ter de provar a sua qualidade a vários níveis, não só por ocupar um dos lugares mais baixos do rankings da FIFA entre as 32 selecções participantes (é 65ª no geral), também porque  fala-se de um clima de instabilidade entre jogadores e treinador, que perturba toda a organização interna da equipa. Igor Akinfeev é particularmente conhecido, por fazer defesas inspiradas pelo CSKA de Moscovo,  assume-se como o espírito unificador e aglutinador de vontades na sua selecção.

EGIPTO
Faraós depositam esperanças em Salah

A selecção do Egipto, uma das cinco representantes africanas, possui números pobres em campeonatos mundiais. Antes da geração de Salah \"devolver\" a participação na maior prova de selecções, 28 anos depois, o país tornou-se hegemónico no continente. Desde a participação no Mundial de Itália em 1990, conquistou em quatro oportunidades a Taça das Nações Africanas,  três de forma consecutiva (2006, 2008 e 2010), soma sete taças, um recorde continental. Coleccionou títulos africanos, teve seis tentativas frustradas de regressar à principal prova de futebol (entre 1994 e 2014), justamente no período em que África assumiu os momentos de protagonismo na competição. Enquanto os países como Ghana (quartos de final em 2010) e o Senegal (quartos de final em 2002) cresceram nesse período, o Egipto estagnou. Não obstante a tradição local, a selecção de Mohamed Salah tenta na Rússia a primeira vitória num Campeonato do Mundo, no Grupo A, em que fazem também parte, a anfitriã Rússia, a Arábia Saudita e o Uruguai. Em 1934, como primeiro representante africano da história e único até 1970, foi eliminado com  um jogo: derrota por 4-2, para a Hungria. O regresso aconteceu no Mundial da Itália-1990, prova com um formato parecido ao que a selecção vai encontrar na Rússia. Sorteados ao lado de Inglaterra, Irlanda e Holanda, os egípcios sofreram diante dos europeus: empates contra irlandeses (0-0) e holandeses (1-1) e derrota contra os ingleses (1-0). Sem vitórias, a campanha ficou na fase de grupos. O desempenho tímido em mundiais, contrastado com o desempenho forte a nível local, faz subir a pressão sobre a geração de Salah, que chega credenciada em ficar com uma das vagas para a fase a eliminar.

Mohamed Salah

A 22 de Junho de 2017, Mohamed Salah assinou pelo Liverpool, por 42 milhões de euros, mais 8 milhões de bónus, torna-se o jogador africano mais caro da história. Antes, passou pelo Chelsea, de Mourinho, que o emprestou à Fiorentina e este para a Roma. Salah integrou a selecção egípcia que esteve nos jogos Olímpicos de 2012. Por outro lado, marcou aos 45 minutos do segundo tempo o golo que qualificou a selecção para o Campeonato do Mundo de 2018, após 28 anos.

URUGUAI
Duas setas apontadas ao ataque


O Uruguai vai ao Mundial da Rússia com a esperança na sua defesa forte, dura e experiente, da qual se destacam Pereira e Godín, assim como uma dupla de avançados temível e considerada como uma das melhores do mundo: Cavani -Suárez. A fase de qualificação foi superada com alguma facilidade, num grupo em que estavam selecções como a Argentina. Óscar Tabárez, de 70 anos, regista no palmarés o quarto Campeonato do Mundo. É dos poucos treinadores que se mantiveram na mesma selecção, desde o Mundial do Brasil. O seu legado desde 2006 é inquestionável. Tem um estilo de jogo duro, é amado pelos adeptos uruguaios. Provavelmente este seja o seu último campeonato do mundo. O Uruguai lidera entre os integrantes do grupo A, a ocupar a 17ª posição do Ranking da FIFA. O Egipto é o 46º, enquanto a Rússia, sem resultados expressivos desde a Euro-2008,  está no 66º posto. A Arábia Saudita deve iniciar o Mundial como a 70ª selecção. Campeão olímpico em 1924 e em 1928 e campeão mundial em 1930, o Uruguai chegou para  disputar o Mundial de 1950, como um dos grandes favoritos, junto com a selecção brasileira. Em campo, contava com um futebol vistoso, que  mostrava sinais de força, com muita marcação e entrega em campo. Obdulio Varela foi um dos melhores da equipa, durante a campanha, junto com Gigghia e Míguez que veio a dar o segundo título no mundial com palco no Brasil. Nos dias que correm, os adeptos uruguaios voltam a contar com  uma boa selecção, capaz de ombrear com  qualquer outra do mundo. Possui jogadores que militam nas melhores  equipas da Europa e da  América, onde regularmente são titulares .

Luis Suárez
Luis Suárez é a estrela que mais brilha na selecção uruguaia. Apesar de não ter uma época com muitos golos pelo Barcelona e pela sua selecção, o avançado é o artilheiro da história do seu país com 49 golos, em  94 jogos. Tem a companhia de Cavani, numa linha da frente temível e é uma grande preocupação para as defesas adversárias. Avançado com faro para a baliza, marca muitos golos tanto de cabeça quanto com o pé e é conhecido em todo o mundo.

ARÁBIA SAUDITA
Doze anos de travessia no deserto


A inclusão da Austrália na zona asiática prejudicou os interesses da Arábia Saudita, desde que os \"cangurus\" entraram para a AFC (2006), os sauditas nunca se qualificaram para um Campeonato Mundial. A sua estrela é Mohammad Al Sahlawi, descoberto como um artilheiro demolidor nas eliminatórias. De facto, junto com Lewandowski (Polónia) e Ahmed Khalil (Emirados Árabes Unidos), foi um dos melhores marcadores nas eliminatórias para o Mundial da Rússia com 16 golos. O seu técnico é Juan Antonio Pizzi,  argentino escolhido para liderar os sauditas na Rússia, depois de não se qualificar ao serviço da selecção do Chile. Vai ter diante de si o desafio de fazer uma prova digna e consolidar-se na posição em que passou Bauza e Van Marwijk.  O objectivo é ganhar o jogo, tendo em conta que apenas chegaram aos Estados Unidos 1994 para as eliminatórias e desde então, não voltaram a vencer.

Mohammad Al-Sahlawi
Mohammad Al-Sahlawi é a alma e a principal referência da selecção da Arábia Saudita. Foi graças ao seu espírito combativo que conseguiu marcar 16 golos na fase de qualificações, obteve ainda resultados suficientes com o Japão e a Austrália, para garantir a presença num mundial de futebol depois  da sua selecção falhar em 2010 e 2014.