Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Futebol Internacional

Habemus finalistas

12 de Julho, 2018

O mais longe que a Crocia tinha atingido num Mundial remonta a 1998 em Frana quando conseguiu o terceiro lugar

Fotografia: AFP

A Croácia venceu ontem a Inglaterra por 2-1 e vai defrontar a selecção francesa na final de domingo às 19h00. A primeira parte do jogo foi fria, a segunda foi quente, o prolongamento foi morno. Mas, mesmo assim a Croácia conseguiu chegar à primeira final de sempre.
O mais longe que a Croácia tinha atingido num Mundial remonta a 1998, em França, quando conseguiu o terceiro lugar. Agora, 20 anos depois dessa conquista, estão na final. As emoções ficaram ao rubro logo aos 5 minutos de jogo. Depois de uma falta de Luka Modric sobre Dele Alli, Kieran Trippier bateu o livre à entrada da área para dar vantagem à Inglaterra.
Foi o primeiro golo do lateral de 27 anos neste mundial e o terceiro de livre directo da Inglaterra em Mundiais nos últimos 50 anos. Os primeiros dois foram marcados por David Beckham em 1998 frente à Colômbia na fase de grupos e em 2006 com o Equador nos oitavos-de-final. Esta equipa inglesa foi a que mais marcou de bolas paradas num mundial, somando nove tentos até ao momento.
Desde cedo que a Croácia mostrou ter dificuldades em manter a posse de bola com as jogadas a perderem-se por diversas vezes aos pés de Perisic. A equipa não conseguia aparecer no jogo e o meio campo revelou dificuldades em conter a pressão dos ingleses, que aproveitavam as saídas em contra-ataque. Por outro lado, o ataque croata também não conseguia passar a defesa inglesa que fechava espaços e impedia que o perigo chegasse à baliza de Pickford. Aos 22 minutos a Inglaterra voltou a ameaçar a baliza de Subasic desta vez por Harry Kane que aproveitou um erro da defesa croata para rematar numa altura em que estava isolado. A bola saiu ao lado e foi assinalado fora de jogo.
Perto da meia hora de jogo, os ingleses voltam a fazer tremer a selecção croata por duas vezes seguidas. ¬¬Harry Kane teve duas grandes oportunidades para fazer o segundo golo da Inglaterra. Subasic defendeu a primeira vez, mas deixou a bola escapar, o que permitiu uma nova tentativa a Kane que acabou por acertar no ferro.
Até então as duas equipas tinham-se encontrado por sete vezes, sendo que a Inglaterra tinha levado à melhor em quatro jogos e a Croácia em dois, já o empate remonta a um amigável de 1996.
A segunda parte do jogo começava da mesma forma que se jogou a primeira: sob o comando da Inglaterra. A Croácia subia ligeiramente as linhas, mas não era o suficiente para fazer frente ao adversário, que ia baixando a velocidade do jogo. ¬A Inglaterra prosseguia com menos posse de bola que os croatas, mas visivelmente mais forte.
A oportunidade de maior perigo da Croácia chegou aos 65 minutos de jogos por Perisic que remata para o corte de Kyle Walker, que acaba por ser assistido. Apenas três minutos depois, os croatas respondem e um cruzamento de Sime Vrsaljko pela direita permite a Perisic aparecer nas costas de Walker e fazer o empate para a Croácia.
O aspecto mental começa a dar sinais de vida e enquanto a Croácia aparecia mais forte, a Inglaterra sentia as consequências do golo e ficava desconcentrada. Os ingleses começavam a descer cada vez mais o rendimento e a Croácia criava cada vez mais perigo, encostando o adversário.
Os números provavam isso mesmo, visto que aos 80 minutos de jogo, a Inglaterra tinha feito três remates, nenhum deles enquadrado, já a Croácia somava seis, dois enquadrados. Também a posse de bola começava a mostrar o fosso entre as duas equipas, com a Croácia a ter 70% contra 30% dos adversários.
Até ao final do tempo regulamentar, tudo se manteve igual. A Croácia seguiu então para o terceiro prolongamento consecutivo na competição e arrastou consigo os ingleses.
A primeira selecção a aproximar-se do golo neste prolongamento foi mesmo a Inglaterra que depois de uma segunda parte fraca, surgiu com força depois dos 90 minutos, mas foi a Croácia a chegar ao golo por Mandzukic que aproveitou uma falha na defesa inglesa e finalizou sem hipótese para Pickford.
 A saída de Kieran Trippier por lesão deixou a Inglaterra a jogar com 10 nos últimos minutos do prolongamento, visto que já tinha feito as quatro alterações permitidas – três no tempo regulamentar, mais uma em caso de prolongamento. Nessa altura, já pouco havia a fazer e a táctica croata levou à melhor.

FRANÇA
Deschamps pode atingir os feitos de Zagalo e Beckenbauer


A noite do próximo domingo, no Estádio Lujniki, em Moscovo, Rússia, pode ter um sabor \"muito especial\" para o seleccionador francês, Didier Deschamps. É que além de poder se tornar campeão ao serviço da selecção gaulesa, o ex-craque pode atingir um outro feito histórico: independentemente do título como jogador abeira-se também de conquistar o troféu como treinador do Mundial de Futebol, caso a França vença a final.
E a acontecer, a selecção da França cortar a meta em primeiro lugar, seria como colocar a cereja no topo do bolo a nível da carreira deste treinador de 49 anos, que repeteria, assim, algo que até agora só outras duas figuras emblemáticas do futebol conseguiram conquistar: Mário Jorge Lobo Zagallo e Franz Beckenbauer.
O brasileiro Mário Zagallo foi campeão campeão como atleta em 1958 e 1962 e como técnico em 1970, ao passo que a antiga estrela alemã Franz Beckenbauer sagrou-se vencedor do Mundial de 1974 como jogador e de 1990 como seleccionador da equipa da \'Mannschaft\'.
A nível da história de Mundiais o brasileiro e o alemnão são os únicos, até agora, a ganhar nas duas funções.
Dada a possibilidade que tem de repetir esse feito até agora cirscunscrito apenas a Mário Zagallo e a Franz Beckenbauer, o antigo capitão da selecção da França exalta os seus pupilos pupilos, após a eliminação da Bélgica, que já não perdia há 15 jogos.
Além disso, à data do jogo das meias-finais, em São Petersburgo, em que perdera por 1-0 diante da França, os belgas carregavam, sobre os ombros, o rótulo de serem detentores do conjunto com mais golos apontados nesta prova: um total de 14.
Um outro factor que França extorvou no percurso da segunda selecção a se qualificar para a 21ª edição do Mundial, isto depois obviamente da anfitriã Rússia, foi o ciclo de cinco vitórias consecutivas da equipa treinada por Roberto Martínez nesta competição.
E Didier Deschamps, com uma constelação formada por jogadores como Kylian Mbappé, Paul Pogba, Griezmann, Varane, Giroud e sem se esquecer, obviamente, de Umtiti, autor do tento que colocou a França na final, foi um dos \"grandes obreiros\" da interrupção do ciclo miraculoso da selecção belga, assumidamente candidata ao título.
É preciso reconhecer que mesmo sendo um \'out-sider\' a equipa orientada por Roberto Martínez desde muito cedo mostrou ter condições para discutir e até mesmo ombrear com as chamadas \"grandes do futebol\" mundial, pelos argumentos apresentados.
É importante destacar que a França além da final em que venceu o Brasil, em casa, em 1998, com um conjunto onde pontificavam além de Deschamps, Zidane, Thierry Henri e outros nomes sonantes da época, e deste ano, marcou também na 2006, na da Alemanha, em que perdeu para a Itália, uma das ausências assinaláveis do Rússia-2018.

SELECCIONADOR GAULÊS
“Com nosso estado de espírito podemos escalar montanhas”

A França carimbou, na terça-feira, o passaporte para a final do Mundial, depois de vencer a Bélgica pela margem mínima (1-0), com um golo de Umtiti.
Didier Deschamps falou aos jornalistas após a vitória e mostrou-se orgulhoso pelo regresso da sua selecção à final de um campeonato do mundo doze anos depois.
\"Estou muito orgulhoso destes jogadores, estou muito orgulhoso da mentalidade deles, também porque sei que não é só porque eles estão a jogar num nível elevado, que vamos marcar golos. Mas com o nosso estado de espírito até podemos escalar montanhas. Foi isso que fizemos até agora\", afirmou. E mais ainda disse o seleccionador francês: \"A evolução deles é enorme. Hoje já são competitivos, mas daqui a dois anos, estes jogadores serão ainda mais fortes. Ainda não fazemos tudo certo, mas é claro que há uma progressão\".

BÉLGICA
Martínez diz ser difícil  mobilizar os seus jogadores

Roberto Martínez assumiu que será complicado preparar os jogadores da Bélgica para o jogo de atribuição do 3.º e 4.º lugar do Campeonato do Mundo depois da derrota (0-1) com a França, nas meias-finais.\"É uma emoção difícil de gerir, estamos desiludidos por perder nas meias-finais. É difícil ver o próximo jogo como uma oportunidade. Vamos tentar recuperar nas próximas horas e lugar pelo terceiro lugar no Mundial, algo que a Bélgica nunca conseguiu. Admite que será difícil mobilizar os jogadores depois desta deceção\", referiu momentos após a disputa do jogo realizado em São Petersburgo na terça-feira.O técnico espanhol de nacionalidade disse ainda que é cedo para falar sobre a continuidade na selecção belga: \"Devemos concentrar-nos primeiro neste jogo e em conseguir a medalha de bronze. Depois deste Mundial ficaremos mais fortes.
 O futebol belga tem muito talento e estou com um olho no Europeu de 2020. Mas qualquer avaliação neste momento é prematura\", concluiu.