Jornal dos Desportos

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Futebol Internacional

Ministro considera seleco como propriedade do Estado

Osvaldo Gon?alves - 09 de Junho, 2017

Adeptos e responsveis dizem que interferncia dos Governo atrasa o desenvolvimento da modalidade

Fotografia: AFP

A selecção nacional é propriedade do Estado e é natural que o presidente esteja envolvido numa escolha desse nível”. A frase do ministro dos Desportos da República dos Camarões, Bidoung Mpakti, sobre a escolha do técnico da selecção, não deixa dúvidas sobre o grau de influência da política no futebol.

Cercado por cinco secretários  “cada um responsável por um aspecto do desporto” – Mpatki acrescentou que é à “sabedoria das escolhas das altas autoridades” que a selecção do país deve o sucesso internacional. Noutros países do continente e região, a situação não é diferente. Na Nigéria, o Decreto 101, de 1992, dá ao ministro do Desporto o poder de nomear funcionários para a Federação de Futebol da Nigéria, o que virtualmente lhe dá total controlo sobre a organização.

DEMISSÃO
O poder do governo é usado com frequência. Foi o ministro nigeriano Ishaya Mark  Aku, recentemente morto num acidente aéreo, quem anunciou a demissão do técnico Amodu Shaibu, depois da desclassificação da selecção nigeriana na Taça das Nações da África, no começo do ano no Mali.Shaibu já tinha perdido o cargo por razões políticas antes, em 1997, quando chocou com o governo.

“Isso destrói o futebol”, disse Anthony Kojo Williams, ex-presidente da Federação de Futebol da Nigéria, que também perdeu o cargo em 2000 ao entrar em choque com o governo sobre a escolha do técnico da selecção. “As pessoas que controlam o futebol no país não têm compromisso com o desporto e a selecção tem pago um preço por isso”, acrescentou Williams.

DINHEIRO
O poder do governo sobre o futebol na África é resultado da estrutura política dos países. Mas há também uma componente económica. Além de muito pobres, países como Camarões, Nigéria, e, em menos escala, Senegal, têm uma economia fortemente estatizada. Sem dinheiro do governo, o incipiente desporto profissional da região dificilmente sobreviveria.

ALIANÇA
“Pela natureza da economia nigeriana, o governo terá sempre de desempenhar um papel.Mas isso não significa que ela deva assumir total controlo sobre o desporto e colocar as suas pessoas na federação”, disse Kojo Williams.Mas nem todos reclamam, pelo menos publicamente, da interferência do governo no futebol.
“Actualmente, a nossa relação com o governo é maravilhosa. O futebol aqui é como uma religião; é muito importante e nós devemos caminhar juntos com o Ministério do Desporto”, disse Esoka Ndoki Mukete, secretário-geral assistente da Federação  Camaronesa de Futebol.

SOLENIDADE
Em Março, os Camarões empataram a 2- 2 com a Argentina, em amigável disputado emLondres. O local foi escolhido porque todos os jogadores dos Camarões  e boa parte dos argentinos – actuam na Europa.Mas os atletas camaronese foram submetidos a uma viagem de última hora para Yaoundé – um voo de cerca de sete horas a partir de Paris. Tudo isso para participar numa cerimónia com o presidente, que não estava no país quando os jogadores voltaram do Mali em Fevereiro com o troféu da Taça das Nações da África.

TAÇA DE MOÇAMBIQUE
Maxaquene nos quartos-de-final


O Maxaquene qualificou-se domingo último para os quartos-de-final da Taça de Moçambique ao vencer a Liga Desportiva de Maputo por 3-0, no campo da Liga Desportiva, na Matola.O momento mais efusivo da contenda verificou-se ao minuto 42, quando Tobias fez os adeptos “tricolores” saltarem de alegria ao fazer o um a zero para o Maxaquene, resultado com que se foi ao intervalo.

Quando a Liga pensava em empatar a partida, Mutongue do Maxaquene fez o sonho da Liga Desportiva ruir ao fazer o 2-0, quando estavam transcorridos 49 minutos da partida.Foi uma tarde sim para o Maxaquene, que aos 72 minutos viu Bruno fechar as contas marcando o terceiro golo da sua equipa.

Num jogo dos quartos-de-final e a eliminar, Liga Desportiva e Maxaquene estavam proibidos de errar.Ambas equipas conseguiram manter as suas balizas invioladas até ao fim da primeira parte, mas o Maxaquene voltou mais perigoso no segundo período e empurrou a Liga para a sua zona defensiva. Noutro jogo, a equipa do Costa do Sol foi a Xinavane derrotar o Incomáti local por 3-0, juntando-se desta forma ao Maxaquene nos quartos-de-final.O Ferroviário de Maputo teve de suar às estopinhas para vencer o Chibuto por três a dois.

A partida entre os “guerreiros de Gaza” e os “locomotivas” da capital teve de ser resolvida no prolongamento, uma vez que no tempo regulamentar as duas equipas empataram a duas bolas.Ainda olhando para os resultados da zona Sul, o ENH levou a melhor sobre o Vulcano de Maputo.Ainda nos jogos da Taça, mas desta feita na zona Centro, o Ferroviário de Quelimane eliminou o Estrela Vermelha da Beira, ao conseguir vencer os alaranjados por três a dois.

O detentor do título, a União Desportiva de Songo, sofreu para eliminar o Sporting Clube da Beira, que conseguiu sair a empatar a zero ate aos 90 minutos, mas não aguentou já no prolongamento e cedeu os dois a zero.Por seu turno, o Chingale de Tete derrotou a Universidade Pedagógica de Chimoio por 2-1.

Já na zona Norte, o Ferroviário de Nampula goleou de forma humilhante o Sporting da Mocímboa da praia por dez a zero. Foi uma verdadeira goleada a moda antiga.O Desportivo Nacala eliminou a formação da Universidade Pedagógica de Lichinga. O jogo entre estas duas equipas foi resolvido na transformação de grandes penalidades, onde a equipa vencedora marcou três penáltis e a vencida marcou apenas dois, depois deas duas equipas terem terminado os 90 minutos do jogo empatadas a uma bola.