Jornal dos Desportos

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Futebol Internacional

Paraguaios e argentinos travam duelo sul-americano

Paulo Caculo - 07 de Novembro, 2019

ltima vaga nos quartos-de-final ocupada por uma seleco sul-americana

Fotografia: DR

As selecções do Paraguai e da Argentina medem forças hoje, a partir meia noite, para ver quem ganha o direito de marcar presença nos "quartos de final".  Os dois contendores esperam justificar, com exibição convincente e golos de encher os olhos,  merecer a ocupação da última vaga em aberto na próxima etapa do campeonato do mundo.
Trata-se de um duelo entre dois conjuntos com características completamente distintas: De um lado um futebol musculado, físico e veloz dos paraguaios, e de outro a qualidade artística e engenhosa dos argentinos.
Apesar de os teóricos do futebol atribuírem todo o favoritismo à Argentina, espera-se muito do Paraguai, sobretudo do seu tridente de ataque, Barrios, Segovia e Torres, simplesmente os principais “abonos de família” da avalanche ofensiva da equipa.
Os argentinos não pensam em outro objectivo, que não seja a conquista do bilhete para a próxima fase, que os pode catapultar para as meias-finais. E tem contribuído para elevar a confiança e aguçar a expectativa do conjunto às ordens de Pablo Aimar, o excelente ambiente que se vive no balneário da selecção, após o brilharete na fase de grupos.
Mas a Argentina precisa precaver-se do potencial atacante do Paraguai (que chegou a marcar sete golos num só jogo), caso queira continuar a alimentar o sonho de chegar aos 'quartos'. Reside na defesa as suas principais fragilidades, pois as estatísticas mostram que a maioria dos golos sofridos pela equipa surgiram de jogadas pelas alturas. Ou seja, o conjunto de Pablo Aimar não se dá muito bem com o jogo aéreo, curiosamente um ponto fortíssimo dos paraguaios, que tiram melhor partido dos lances de bolas paradas.
Portanto, à formação da Argentina não bastará confiar no seu meio-campo criativo, onde a magia do futebol artístico de Palacios, Zeballos e Fernandez fazem toda a diferença. A dupla de centrais Amione e Lomonaco há muito que revelam dificuldades com as bolas pelas alturas e precisam de corrigir este item, sob o risco de serem ultrapassados.
Adivinha-se que a Argentina venha entrar para este jogo com tudo e mais alguma coisa. O conjunto de Pablo Aimar persegue o sonho do título do Mundial, e deverá encarar o jogo desta noite como se de uma autêntica final se tratasse.
Será, no entanto, um jogo de muitos nervos, mas também de enorme emoção nas bancadas, sobretudo se aliarmos ao facto de ambas as selecções conquistarem a simpatia de muitos adeptos no Brasil.

SUPLENTE DECISIVO
Orozco é "arma secreta" do técnico Pablo Aimar


O avançado argentino Franco Orozco tem sido a principal "arma secreta" do técnico Pablo Aimar nos jogos da selecção durante o Mundial do Brasil. Por duas ocasiões, o atleta saiu do banco de suplentes para ajudar a decidir os jogos, com destaque para o embate frente ao Tajisquistão, em que marcou dois golos.
"Eu sabia que este dia chegaria e me preparei para isso", afirmou o atacante em entrevista ao site FIFA.com. "Obviamente, todos querem jogar e ninguém gosta de ficar de fora, mas no final das contas o que importa não é um jogador individual e sim toda a equipa." Com dois golos, o atacante do clube argentino Lanús foi o craque da partida na vitória por 3-1 contra os asiáticos.
"Estamos felizes por termos ficado invictos na fase de grupos e a minha família está muito satisfeita. Dois dias antes de uma partida, nos encontramos por duas horas e podemos ficar juntos. E é claro que todos vão ao estádio e me incentivam e apoiam a equipa. Eles levam bandeiras e camisolas com o meu número. Depois dos jogos, também podemos conversar rapidamente. Isso é muito importante para mim", regozijou-se o avançado.
Quanto ao jogo de hoje, frente ao Paraguai, Orozco deixa claro a ambição e motivação da selecção argentina num desfecho positivo: "Com certeza é uma vantagem, pois conhecemos muito bem o adversário. Se eu ficar de fora novamente, isso não será um problema e este caso, vou apoiar a minha equipa. A Argentina está sempre entre as favoritas ao título e este é o caso também neste torneio. Mas para levar alguma coisa daqui, precisamos de união. Só assim poderemos ter sucesso no fim."