Jornal dos Desportos

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1º de Agosto provoca segunda volta

Álvaro Alexandre - 30 de Outubro, 2016

Olhar desconfiado do atleta do Progresso Sambizanga reflecte incerteza sobre o futuro

Fotografia: Domingos Cadência

O voto nulo do Clube Desportivo 1º de Agosto forçou a realização da segunda volta das eleições de renovação dos corpos gerentes da Associação Provincial de Xadrez de Luanda, para o ciclo olímpico 2016-2020, em que concorrem Domingos Ferraz e Shaily Daniel Capindissa. Na  terça-feira, às 13h00, um dos concorrentes vai felicitar a vitória do adversário.

Ontem, os candidatos terminaram empatados a um voto, no pleito eleitoral realizado na sede da Federação Angolana de Xadrez.  Para além do 1º de Agosto, tiveram direito a votos o Polivalente Futebol Clube do Palanca, e a Macovi Sport Clube.

Domingos Ferraz e Shaily Daniel Capindissa travam fortes batalhas nos bastidores. Para assumir o cadeirão, o voto do 1º de Agosto é determinante. O presidente cessante é apadrinhado pelo Polivalente Futebol Clube do Palanca, e o aspirante ao cargo, por Macovi Sport Clube.

Durante o processo eleitoral, assistiu-se a uma cena carica do desporto angolano. O representante do 1º de Agosto desvalorizou o evento, e manteve uma atitude prática. Foi o último a entrar na sala e a exercer o direito a voto. Em seguida, retirou-se do local sem acompanhar a contagem de votos nem a divulgação de resultados. A atitude surpreendeu os candidatos e a comissão eleitoral presidida por Anastácio Finda.

Agora, para convencer o 1º de Agosto, Domingos Ferraz e Shaily Daniel Capindissa têm dois dias para argumentarem os propósitos que os levam a assumir o cadeirão da Associação. A boa vontade de estar sentado não basta para merecer o cadeirão. A campanha deve ser dirigida ao Rio Seco, uma vez que a tendência de votos de outros dois estão identificados.

Ferraz e Capindissa não podem convencer o Progresso do Sambizanga e o Grupo Desportivo da EPAL, outros clubes que praticam a modalidade, por não terem cumprido o processo de renovação de mandatos.

O Jornal dos Desportos apurou de uma fonte, que a posição do representante do clube militar no acto eleitoral visa acautelar algumas divergências internas. As correntes próximas à direcção de Carlos Hendrick apoiam a renovação na Associação de Luanda, e os departamentos intermédios pretendem manter a direcção cessante.

Os apoiantes da renovação justificam que durante o mandato de Ferraz, muitas promessas eleitoralistas de 2012 ficaram engavetados, para todo o sempre. A presença do xadrez nas escolas de Luanda é um dos projectos prometidos e não cumpridos.

Por outro lado, a responsabilidade de Luanda no mosaico desportivo nacional, implica mais dinamismo dos dirigentes. É o principal pólo de desenvolvimento e a Associação deve realizar mais competições para absorver mais números de praticantes. A boa vontade das escolas de xadrez não deve superar as actividades da Associação, conforme se assiste.

Os apoiantes da continuidade justificam, que os atletas de Luanda são os responsáveis pela ascensão de Angola no ranking internacional. Após as últimas olimpíadas mundiais, realizadas em Baku, Azerbaijão, o país ascendeu a 21 lugares na tabela de classificação geral. Subiu da 96ª para 75ª posição da FIDE.

Em feminino, a caminhada foi inversa. Angola baixou da 103ª para 107ª posição, o que repercute a falta de atractivos para congregar mais mulheres. A responsabilidade da Associação de Luanda é acrescida no próximo mandato.




REACÇÃO
Ferraz e Capindissa
pedem coerência

O voto nulo do 1º de Agosto transtornou os programas de trabalho dos candidatos à presidência a Associação Provincial de Xadrez de Luanda. Os adversários de ocasião pedem ao clube das Forças Armadas Angolanas para tomar uma posição mais coerente, para facilitar o arranque da gestão da instituição.

Com ar de poucos amigos, Shaily Daniel Capindissa manifestou a desolação, depois de cumprir uma campanha com garantia de vitória. Em declarações ao Jornal dos Desportos, disse: "Pensei que iria vencer logo no primeiro confronto. Senti-me seguro pelos meus projectos, mas infelizmente não deu certo, porque um clube ficou indeciso no verdadeiro momento".

Na hora de desabafo, Capindissa encontrou justificações que pode ter levado o 1º de Agosto a apresentar um voto nulo.

"Talvez, não fui consistente na minha campanha. Serviu-me de exemplo,  terei mais cuidado no tratamento com a massa votante. Nada está perdido. Trabalharei junto dos clubes para saber de concreto o que se passou, e reconquistar o voto indeciso", disse.

Domingos Ferraz revelou que está a concorrer ao cargo de presidente da Associação, sob protesto, por constatar irregularidade na lista adversária.

"Estamos a participar no acto eleitoral sob protesto. O candidato da lista B está irregular. O seu mandato na Federação Angolana de Xadrez não terminou. Tão logo disputemos a segunda volta, vamos dar entrada do protesto para impugnar o candidato Shaily Daniel Capindissa", prometeu.

O empate na primeira sessão eleitoral foi considerada de "normal". Domingos Ferraz aconselha que "quando alguém estiver indeciso, o certo é não tomar uma decisão que prejudique uma das partes".


TÍTULO MUNDIAL
Carlsen e Karjakin
disputam nos EUA


A cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos da América, está a preparar-se para acolher de 11 a 30 de Novembro a tão aguardada disputada pelo título de Campeão Mundial de Xadrez, o evento mais esperado do mundo xadrezístico. O match pela coroa mundial, coloca frente a frente o actual campeão, o norueguês Magnus Carlsen (2853), e o desafiante, o russo Sergey Karjakin (2772).

O evento atrai todo o tipo de atenções. Por exemplo, os sites de apostas mais famosos do mundo, como o Pinnacle.com, o campeão do mundo, lidera as probabilidades com 69 por cento contra 31 por cento de Karjakin. A margem de lucro para as apostas, é nos maiores valores de 1,31 dólar para Carlsen e 4,88 dólares para Karjakin. Noutro site, o Sport.bwin.com a variação é de 1,20 dólar para Carlsen, e de 4,25 dólares para Karjakin.

A primeira partida entre ambos aconteceu no dia 18 de Janeiro de 2005. No Grupo -B do Torneio Corus em Wijk aan Zee, na Holanda. Carlsen, com 2533, e Karjakin, com 2599, fizeram uma interessante e violenta partida. Violenta, sobretudo, por parte de Carlsen que estava de brancas. Apesar das aventuras, a partida terminou empatada.  E, o empate foi o resultado dos próximos quatro jogos entre os dois.

Somente em 2010, e ironicamente no mesmo Corus, a primeira vitória no “match pessoal” se registou. Carlsen tinha recentemente rompido a barreira dos 2800 (2810, para ser mais exacto), de pretas, surpreendeu Karjakin, então com sólidos 2720, ao utilizar a Defesa Francesa (raríssima no repertório do norueguês). A surpresa na abertura e um jogo energético de Carlsen, foram decisivos.

A vingança de Karjakin e a única vitória do russo sobre o norueguês, ao menos no ritmo clássico, aconteceu após de três empates. O palco, mais uma vez, foi a cidade de Wijk aan Zee. Mas desta vez, o evento foi o fortíssimo Tata Steel em 2012. Carlsen, de brancas, com 2835 e Karjakin, com 2769, eram os jogadores mais fortes. Nesta partida, foi o jogo activo e preciso de Karjakin, além de algumas imprecisões de Carlsen, que definiram o placar.

Três anos e dois empates depois, no Tata Steel de 2013, Carlsen desequilibrou o marcador de brancas, no seu estilo de jogo e a marca registada. Uma abertura sem grandes pretensões, mas com um cálculo profundo e uma pressão constante. Carlsen reafirmou ainda mais a sua era. Após a conquista do título mundial do jovem norueguês sobre o experiente Anandm, que foi o facto que ficou definitivamente escrito naquele ano. Habbemos Carlsen.

Em 2013, no Norway Chess, Carlsen marcou mais um ponto contra Karjakin, embora, desta vez, de pretas e tendo saído inferior na abertura, mas demonstrou outra qualidade que lhe é fundamental: a tenacidade.

Após cinco empates, Carlsen voltou a vencer Karjakin. A vitória veio no Bilbao Master deste ano. E, mais uma vez, a fugir da teoria pesada, embora não tenha caído em subtilezas posicionais, mas através de um forte ataque. Por fim, no mesmo torneio, teve tempo para mais um empate a ser selado entre os competidores.

O placar do histórico favorece Carlsen: 7 vitórias do norueguês, 5 vitórias do russo e 18 empates. O histórico é suficiente para  apostar todas as fichas em Carlsen? A resposta é tua. No outro lado da tabela está Karjakin, que destronou a selecção chinesa "sozinho" na Taça do Mundo. O russo teve uma final dramática contra Svidler. Venceu o Torneio de Candidatos para a disputa do Título Mundial.