Jornal dos Desportos

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A moto de domingo de Aleix Espargar

29 de Março, 2017

Aleix Espargar garantiu que a fbrica italiana pode alcanar o topo da classe

Fotografia: AFP

Um resultado histórico, para Aleix Espargaró, no Qatar. A abordo da RS-GP, na estreia, o espanhol deu à Aprilia o primeiro top-6, na era MotoGP, desde 2002. Exibiu uma das melhores performances da carreira, depois de largar em 15º lugar.

O irmão mais velho dos Espargaró fechou a corrida de Losail, na sexta posição, depois de uma forte disputa com Dani Pedrosa. O número 41 recebeu a bandeirada com 7s661 de atraso em relação ao líder, Maverick Viñales, e apenas a 0s5 atrás da RC213V, do número 26.

Sem esconder a animação, Aleix exaltou as qualidades da RS-GP, classificou o protótipo italiano como “uma moto de domingo”. “Cruzamos a linha, a menos de 1s, atrás de Marc e Dani. Obviamente, vai ser difícil repetir isso. Sinceramente, a moto é óptima na corrida. É uma ‘moto de domingo’ de verdade. Quando a tracção baixa, a Aprilia é fantástica”, celebrou Aleix.

O italiano revelou a razão de boa performance da Aprilia. “Isso, é uma coisa que em cada uma das pistas, quando estiver muito quente e ninguém puder usar o macio, posso usar o macio e vamos ter uma boa vantagem. A tracção da moto, é realmente boa”, elogiou. 
O irmão mais velho de Pol destacou que é preciso melhorar a performance na classificação, mas contou que superou a expectativa para a primeira corrida, em casa de Noale.

“Ainda precisamos de melhorar a nossa velocidade, na classificação. Vimos durante os testes de Inverno, que podemos ser competitivos com um pneu realmente desgastado. Não esperava o top-6, mas sim o top-10”, admitiu. O sucesso na primeira corrida transformou-se num sonho: “Estou feliz, porque ultrapassei Dani, na recta. Isso, foi como um sonho.

Nunca tinha nada assim. Isso, resultou da tracção da minha moto. Foi muito melhor do que a da Honda na última curva”. Num determinado momento, Aleix revelou que escapou de um acidente com o piloto da Honda. “Quase o toquei na aceleração. A minha velocidade era muito boa. Ainda precisamos de melhorá-la, quando temos um pneu novo\", disse.

O irmão mais velho de Pol recordou a vivência da primeira prova da época 2017. \"Nas primeiras voltas, não ultrapassava ninguém. Era impossível. Todos fechavam a linha e aceleravam como animais. Era impossível ultrapassar! Aí, depois de oito voltas, tudo estava mais do jeito normal. Comecei a ultrapassar e ir para a frente”, lembrou.

Aleix ressaltou, que precisa trabalhar para extrair o máximo da moto, numa única volta. \"Precisamos de melhorar na classificação. Se tivéssemos começado no top-10, podiamos ter lutado por algo melhor do que o sexto. Por melhorar, é chegar no top-10. Tentar ficar à frente de cada moto privada. Vai ser difícil, temos alguma vantagem, mas continuamos a trabalhar. Sim, estou muito feliz”, comentou.

Um jornalista brincou ao lembrar Aleix, que se juntou a uma equipa inferior, após deixar a Suzuki, para mostrar o quanto vale. A reposta de Aleix foi rápida. “Precisam de esperar, porque este é só o começo! Vamos colocar essa moto no topo. Estou 100 por cento certo”, garantiu.

DUCATI
Lorenzo com arranque decepcionante

A corrida de estreia de Jorge Lorenzo, pela Ducati, não saiu exactamente como planeado. O espanhol largou em 12º lugar, e alcançou algumas posições. Mesmo com um erro, recebeu a bandeirada na 11ª classificação. Apenas um lugar acima. No final, Jorge Lorenzo resumiu o resultado do Grande Prémio do Qatar: "Decepcionante".

“Este não foi o início dos sonhos. As circunstâncias não ajudaram no Qatar, e não foram as condições ideais para uma estreia. A largada foi muito boa, recuperei três ou quarto posições, estava atrás de Valentino Rossi. Provavelmente, sem escapar da linha na quarta curva, podia ficar com eles até a metade da corrida”, avaliou.

O tricampeão assegurou que "não poderia manter o mesmo ritmo, por toda a corrida, porque o pneu traseiro começou a desgastar".
"No início, também tive dificuldades para ficar em 1min56s, estava em 57, 58, pouco a pouco, com pneus mais aquecidos, estava a ir para este tempo. Fiz cinco ou seis voltas muito próximas, ou um pouco mais rápidas do que os da frente.

Em muitos momentos da corrida, fui lento demais para terminar mais próximo. Então, as circunstâncias não ajudaram. Para ser honesto, ainda não estou pronto para lutar por algo maior”, explicou.

Jorge Lorenzo destacou o caminho a seguir para o sucesso: "Temos de aprender muitas coisas, e levamos o positivo: a largada foi boa, terminamos a corrida sem lesões, sem quedas e somamos cinco pontos, enquanto alguns mais rápidos, caíram. Esse é o lado positivo".
Agora, a Ducati vai realizar uma série de três dias de testes privados, em Jerez de la Frontera, entre 28 e 30 de Março, onde Jorge Lorenzo espera dar sequência à adaptação.

“Agora, temos mais um teste em Jerez. Com certeza, vamos estar melhores para provar as coisas novas, que provavelmente nos darão mais velocidade. Pouco a pouco, entendemos como podemos ser rápidos, em todas as condições”, disse. Lorenzo classificou como encorajador o resultado de Andrea Dovizioso, que lutou pela vitória com Maverick Viñales, e foi batido por apenas 0s461.

“Foi um piloto muito inteligente. Permaneceu focado, não cometeu erros em condições difíceis. Tirou a melhor forma da moto, todo o fim de semana,  surpreendeu-me por que lutou  com Viñales, que parecia favorito absoluto, e sem nenhuma concorrência”, admitiu.

Jorge Lorenzo ponderou a situação: "No fim, as circunstâncias não ajudaram Viñales, mas ajudaram Valentino e alguns outros pilotos. Outros, como eu, tiveram um pouco mais de dificuldades,  chegamos mais atrás do que esperávamos. Normalmente, estou acostumado a lutar pelo pódio, pela vitória, às vezes acontece não ser o seu dia. Temos de ser positivo,  esperar pela próxima vez".

O tricampeão mundial sublinhou, que Dovizioso tem mais experiência, com o protótipo de Borgo Panigale. “Especialmente, a maior diferença foi com os pneus usados. Quando o pneu traseiro começa a desgastar-se, é capaz de pilotar muito melhor, provavelmente, ao usar mais o travão traseiro ou rodar de uma maneira diferente. Com esta moto, quando começo a perder a aderência na traseira, perco muita performance. Isso, é algo em que temos de focar em Jerez, e nas próximas corridas”, concluiu.

MUDANÇA DE PNEUS
Márquez lamenta decisão


Marc Márquez creditou uma escolha errada de pneus, no seu desempenho no Grande Prémio do Qatar, prova que abriu a época 2017 da MotoGP. O espanhol largou em terceiro lugar,  não conseguiu manter-se na luta pela liderança. Recebeu a bandeirada na quarta posição, a 6s745 atrás de Maverick Viñales, o vencedor.

Márquez explicou que mudou a sua escolha de pneus, por conta do atraso da corrida, o que foi um erro. A prova da MotoGP começou com mais de 40 minutos de atraso, devido a chuva e teve a sua distância reduzida, em duas voltas. “Decidiram atrasar a corrida, o que foi correcto. Mas isso, também criou a maior confusão para nós, por conta dos pneus. A temperatura caía e a humidade aumentava. Tinha o pneu dianteiro duro,  depois de tudo isso, fiquei com dúvidas.

O especialista da Michelin, disse-me: ‘És o único com o duro, tome cuidado, pode cair’. Então fui para o médio’”, relatou Márquez.
Na sua abordagem disse que "Cal também mudou" e crê que também "não ficou muito feliz". "Perdemos muito na aceleração, e a maneira de recuperar, é travar mais tarde. Para fazer isso, precisamos de algum suporte no pneu dianteiro. O dianteiro médio foi o maior erro”, resumiu.

Questionado sobre o que era possível com o pneu duro, Márquez foi claro: vitória ou chão. “Depois da corrida, creio que com o duro, era capaz de lutar pela vitória até o fim. Mas o duro também dá menos ‘aviso’. Então, talvez fosse mais competitivo ou caísse”, ponderou.

O tricampeão mundial, mais jovem, esclareceu que "se tiver uma moto fácil, é mais fácil fazer a escolha correcta de pneus". "Se tem uma moto que está no limite, se não tomar a decisão perfeita, perde tempo demais”, explicou. Mesmo com a dificuldade com o pneu, que se desgastou mais rápido do que o necessário, Márquez manteve-se em segundo até metade da corrida, a defender-se de Andrea Iannone, que foi ao chão depois de tocar na traseira do número 93.

“Sim, senti. Abri o acelerador e senti ‘BANG’! Mas pensei que alguma coisa tinha acontecido com a electrónica. Mais tarde, vi o replay. Tocou-me. Sorte. Com Andrea Iannone é sempre perto”, comentou. Depois de ganhar um respiro, com a queda de Iannone, Márquez teve de lidar com Maverick Viñales e Valentino Rossi, que receberam a bandeirada em primeiro e terceiro. O número 93 ficou em quarto, à frente de Dani Pedrosa.

“Depois de cinco voltas, o pneu estava destruído e disse: ‘Ok, termine a corrida’. Estava a olhar para o pit -wall, apenas, para ver quem chegava atrás. Vi ‘Dani +3’ e pensei: ‘Tenho de ficar à frente dele’”, falou Marc. “Quando terminamos a corrida, ouvi que Dani também teve problemas com o pneu médio. É muito mais leve, e normalmente, vai com uma opção mais macia. Então imagine eu!”, concluiu.

SEGREDO PARA PÓDIO
Rossi destaca apoio da Yamaha

Depois de uma pré-época difícil, e de um fim de semana de altos e baixos, Valentino Rossi sai do Qatar com um pódio inesperado,  admitiu que não apostava em si mesmo, neste fim de semana. O italiano completou a prova em Losail, na terceira posição, 1s928 atrás de Maverick Viñales, o vencedor.

Animado com o pódio, Valentino Rossi não titubeou na hora de apontar o segredo, e aproveitou para agradecer o apoio da Yamaha.
“O meu segredo é a minha equipa: a Yamaha. Nunca desistimos e sempre mantemos nossa concentração. Sempre sinto o apoio e a confiança de todos ao meu redor, o que é óptimo”, disse Rossi.

No seu comentário sobre a primeira presença no pódio em 2017, o italiano assegurou: "Sabemos o nosso potencial e que temos uma óptima moto". O italiano reconheceu, que teve uma pré-época muito difícil, aproveitou para reagir àqueles que dizem que a falta de performance recente, é o resultado dos seus 38 anos.

“Foi uma pré-época muito difícil,  devo agradecer à minha equipa e a Yamaha, que sempre me apoiaram. Os testes não foram bons, todos pensava que já era velho demais, embora, só tenha passado três meses do vice -campeonato de 2016”, lembrou com agradecimento. “Assim, este pódio é dedicado a todos aqueles que dizem que sou muito velho”, completou a rir.

LIDERANÇA
Zarco celebra estreia

Bicampeão da Moto2, Johann Zarco, começou impressionado na MotoGP. Embora, não tenha completado o GP do Qatar, o francês liderou a corrida à frente de pilotos mais experientes, como Andrea Iannone, Marc Márquez e Andrea Dovizioso. Johann largou em quarto, e saiu da primeira curva, na segunda posição. Bateu Iannone para chegar a liderança, na curva seis. O número 5 permaneceu no comando, até à sexta volta, quando caiu após cometer um pequeno erro na curva dois.

Bastante elogiado, inclusive por Maverick Viñales, Dovizioso e Valentino Rossi, que formaram o pódio, Zarco celebrou a sua prova de estreia, reconheceu que ainda tem de aprender mais sobre a MotoGP. “Tivemos um pouco de dificuldade no início. As condições eram bem estranhas, podia ver a pista finalmente boa, e estava pronto para correr”, disse Zarco.

O campeão da Moto2 "queria usar a oportunidade para estar rapidamente no ritmo dos pilotos top". Teve "uma boa largada, e uma boa primeira travagem na curva um". A disposição na pista fez-lhe sentir-se "bem" e começou a ultrapassar.

"Não queria forçar e cair, porque estava consciente de que o limite, com as condições da pista, estava muito próximo. Quando assumi a liderança, tentei escapar, mas abri demais na curva dois e caí”, relatou. A derrubada é "uma pena", pois "era possível um pódio ou mais".

"Para a primeira corrida, começar deste jeito é bom para a mente, bom para a confiança. Podia ver como estavam a pilotar, como podem controlar e ser inteligentes durante a corrida. É uma boa lição para mim”, ponderou. Johann Zarco disse que precisa de aprender a nova categoria. "Têm algumas pequenas coisas, que preciso controlar, um pouco mais. Não fiz isso, e não terminei bem. Posso realmente dizer, que isso vai acontecer na próxima corrida”, assegurou.

Questionado se sofreu alguma lesão na queda, o francês de 26 anos respondeu: “Não, foi realmente só uma escorregadela. Até mesmo a moto, não estava muito danificada. Um pouco de dor no coração, mas essa não é uma dor física”.