Jornal dos Desportos

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A prova "est a perder credibilidade"

GAUDNCIO HAMELAY | NO LUBANGO - 28 de Dezembro, 2019

Ana Isabel quer unio da famlia do atletismo

A tradicional corrida angolana, a São Silvestre de Luanda, que sai às ruas no dia 31 de Dezembro de cada ano, "está a perder credibilidade”. A apreciação é da presidente da Associação Provincial de Atletismo da Huíla, Ana Isabel.
A antiga fundista do Atletismo sustentou que a reclamação de Bernardo João, presidente da Federação Angolana de Atletismo, sobre os prémios em divisas para os estrangeiros, chega ao público, quando faltam poucos dias para o tiro de largada da prova internacional.
Ana Isabel lembrou que, nas edições anteriores, em período igual, a Federação já dispunha de"toda a máquina organizativa afinada" na qualidade de detentora do certame.
"Sabemos todos que a São Silvestre está a perder credibilidade e o pronunciamento do presidente da Federação sobre os prémios dos estrangeiros comprovam a nossa posição. Até hoje, Bernardo João está a chorar. Não sei aonde vai chegar o desporto de Angola", disse.
Ana Isabel assegura que a expectativa em torno da São Silvestre de Luanda sempre foi maior que as restantes provas do calendário de competições da Federação. Quer os atletas quer a população têm-na como o auge da carreira.
"É a maior prova de Angola que alberga milhares de atletas e de populares. O país preocupa-se mais com essa corrida do que os campeonatos nacionais de atletismo. Isso prova a dimensão que tem no mosaico desportivo angolano. Portanto, fica mal quando o presidente vem a público pedir patrocínios para atribuição de prémios", frisou.
A presidente da Associação de Atletismo da Huila reiterou que a São Silvestre de Luanda está inscrita na Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF). Por esse facto, "a entidade organizadora deve ter as bases de sustentação e de premiação".
Na visão de Ana Isabel, o resgate da mística da tradicional corrida angolana deve passar por mais comunicação entre os agentes. A antiga fundista faz lembrar que"a actual direcção da Federação nunca reuniu com as associações" para abordar a vida do atletismo.
"É grave o comportamento da Federação. É nas reuniões com as associações provinciais que se definem as matrizes de desenvolvimento e de crescimento da modalidade. Cada membro filiado tem uma apreciação diferenciada e o contributo é útil para se encontrar a base da boa organização", disse.
Questionada se a direcção da Federação liderada por Bernardo João está a falhar na gestão do atletismo nacional, Ana Isabel assegurou: "Não sei se está a falhar, tendo em conta a situação da crise económica do país".
A "rainha" da Associação da Huíla aconselha a Federação"a procurar outros mecanismos" que visem sustentar os cofres. Sublinha que "é inconcebível uma instituição convocar a Assembleia Geral e não dispor de dinheiro para a custear".
Ana Isabel apela aos associados a rever os modelos de escolhas das futuras listas de candidaturas ao cadeirão máximo da Federação. Em 2020, acontecem as eleições de renovação de mandatos.
          
HUíLA
Selecção provincial
pode falhar participação


A falta de dinheiro para custear as despesas de transportação pode inviabilizar a participação da selecção provincial de atletismo da Huíla na tradicional corrida de fim-de-ano, a São Silvestre de Luanda. Manuel Mango, do Clube Ferroviário da Huíla, e Maria Bimbi, popular, foram apurados num evento organizado no mês de Novembro.
A pouco menos de dois dias para o tiro de largada, os representantes da Huila têm apenas assegurados o alojamento e alimentação no local da competição às expensas da Federação Angolana de Atletismo. A Associação provincial local está de mãos atadas para fazer deslocar os dois atletas.
“A participação dos representantes huilanos para tradicional corrida internacional, a São Silvestre de Luanda, não está bem confirmada. Estamos com dificuldades financeiras para fazer deslocar a selecção provincial. Corremos o risco de não nos fazer presente no evento", disse Augusto Seco, coordenador da comissão técnica da Associação.
O responsável anunciou que os pedidos de patrocínio endereçados às várias instituições públicas e privadas até ao momento não mereceram as devidas respostas. Face aos constrangimentos financeiros da Associação, Augusto Diogo"Seco" admite que Manuel Mango e Maria Bimbi podem correr no evento em representação dos seus clubes.
A presidente da Associação de atletismo da Huíla, Ana Isabel, esclareceu que os dois atletas da Huíla na São Silvestre de 2019 aguardam a comunicação da Federação Angolana sobre a data de viagem a Luanda.
"Estamos à espera da comunicação da Federação sobre o dia da nossa saída do Lubango para Luanda. A nossa responsabilidade é fazer deslocar a equipa formada por dois atletas", disse.