Jornal dos Desportos

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Abiteboul defende corridas ao sábado

09 de Fevereiro, 2016

Acho que não tomar decisão nenhuma pode ser pior. Queremos ver ambição, as pessoas ousando a mudar. Se errarmos poderemos voltar atrás.

Fotografia: AFP

Cyril Abiteboul, director administrativo da nova equipa Renault quer que os dirigentes da Fórmula 1 assumam mais riscos, na hora de mudar as regras da categoria. Para o francês, o medo de tomar decisões erradas acaba por atrapalhar o desporto.As próximas semanas vão ser importantes para a F-1 definir os rumos para 2017. Estão a ser propostas mudanças para deixar os carros mais rápidos e aumentar o nível de competitividade das equipas. Porém, os dirigentes não chegam a um consenso e o prazo para que qualquer decisão seja tomada sem a necessidade de aprovação unânime,  é 29 de Fevereiro.

Antes deste prazo, as mudanças estão a ser apreciadas dentro do Grupo de Estratégia, que conta com as cinco primeiras colocadas no campeonato de construtores, além da FIA e dos detentores dos direitos comerciais da F-1. A Renault não faz parte da comissão."Não fazemos parte destas discussões. Há várias coisas que eu vi, como mudar o formato do final de semana de GP (com a adição de uma corrida curta no sábado). Deveríamos tentar isso porque, se não funcionar, podemos voltar ao sistema antigo. Há várias coisas boas - tornar o carro mais rápido-, certificar-se  de que os pilotos não tenham de preservar tanto os pneus."

Para Abiteboul, a F-1 não devia  tornar-se numa corrida de endurance. "Ela deveria ter os pilotos a atacar ao máximo. Queremos os carros mais rápidos e os pilotos mais rápidos. Não nos importamos muito com o resto. Acho que a prioridade dada ao endurance foi ruim para a F-1."
O que o dirigente não quer, é que o medo de mudar, faça tudo continuar como está. "Temo que adoptemos uma solução muito conservadora e tentemos evitar qualquer mudança só porque as pessoas estão com medo de cometer um erro. Acho que não tomar decisão nenhuma pode ser pior. Queremos ver ambição, as pessoas ousando a mudar. Se errarmos poderemos voltar atrás."

MERCEDES
TEME FERRARI

Depois de dominar a Fórmula 1 nos últimos dois anos, a Mercedes começa a demonstrar sinais de preocupação, em relação aos rivais. Com as restrições ao desenvolvimento dos motores cada vez mais restritas, a expectativa dos alemães é de que a Ferrari e até a Honda se tornem ameaças reais. Nos últimos meses, as duas regras importantes que limitavam a possibilidade dos fabricantes alterarem os seus motores foram modificadas:para 2016, foram aumentadas de 25 para 32 as fichas de desenvolvimento e vários itens foram "descongelados", ou seja, não podiam ser mexidos, mas agora a evolução está liberada. E, para 2017, o sistema de fichas vai ser abandonado e o desenvolvimento pode ser livre.

Conforme Andy Cowell que é o director administrativo da divisão de motores da Mercedes, mesmo que os alemães tenham evoluído em relação ao ano passado, a expectativa é que os rivais cresçam ainda mais."Se virmos o que a Ferrari fez nos últimos 12 meses, é louvável", reconheceu. "As melhoras deles vieram em grande medida da reorganização interna, do entusiasmo. Todos aqui estão a pensar como será para nós?'

Ninguém está a assumir que vamos vencer, todos estão a pensar que vamos ser batidos pela Ferrari e que a Honda é uma grande ameaça."Os japoneses sofreram no ano passado,  regressaram  à F-1 um ano depois da introdução dos motores turbo V6 híbridos. Mas Cowell acredita que os dias de sofrimento acabaram."Eles estão aprendendo aos olhos do público, mas estão altamente determinados e são parceiros da McLaren, que também está muito determinada. Sabemos exactamente como a McLaren funciona em termos de ser uma equipa dependente de dados, então eles vão ter enormes ganhos."O primeiro "encontro" dos novos carros na pista vai ser nos testes de pré-temporada, que iniciam no dia 22 de Fevereiro em Barcelona.