Jornal dos Desportos

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Jaquelino Figueiredo, Soyo - 21 de Setembro, 2019

Jos Alves investiu fundos pessoais aps assumir a cadeira

Fotografia: Adolfo Dumbo | Edies Novembro

O quadro negro por que passa o clube do Soyo foi agudizado com o litígio que opõe aquela agremiação ao Hotel Jacilina, afecto à empresa Jacimalanda, Lda, que levou o Tribunal da Comarca local a decidir em 2015 o arresto de todo o património, nomeadamente, a sede, o campo dos Embondeiros e todos os outros bens.O arresto do património do clube Académica do Soyo resulta de uma dívida avaliada em mais de 56 milhões de kwanzas  contraída pelos estudantes, quando a direcção era alojada naquele hotel com direito a refeições.A situação leva algum tempo. Caso alguém não ajude a encontrar uma solução que satisfaça os interesses mútuos, o Clube Académica Petróleos do Kwanda/Soyo, que arrastava muitos aficionados de futebol ao campo dos Embondeiros aos finais de semana, vai definitivamente desaparecer.

José Alves, ainda no cargo de presidente de direcção do Clube Académica Petróleos do Soyo, voltou a manifestar a preocupação ao Jornal dos Desportos. O dirigente disse que a agremiação se  encontra em estado de abandono total. Como consequência, perdeu todo o elenco desde os membros de direcção, equipa técnica e atletas.“O clube está num estado de abandono total. Desde 2011, que a Académica do Soyo perdeu os patrocinadores e ficou sem o poder financeiro. Portanto, está inactivo. Quer dizer, já não existe razão para continuar como um clube. Perdeu-se tudo que tinha", aludiu.

Segundo José Alves, com a falta de patrocínios das três principais empresas, nomeadamente, a Sonangol – EP, a Kwanda, Lda e a Petromar, acelerou-se o desmoronamento do conjunto.“Não tínhamos como pagar os salários aos atletas e trabalhadores administrativos, dos quais a empresa de segurança. O clube começou a decair dia após dia. Demos a conhecer aos nossos patrocinadores a situação, mas alegaram a crise financeira que assola o país e não tinham como manter os patrocínios”, acrescentou.

José Alves, avançou ao Jornal dos Desportos que em função da situação financeira difícil do club, foi obrigado a abordar o governo provincial para que pudesse ajudar, mas o esforço redundou-se em nada.“Informámos às autoridades da província acerca da situação por que passa o clube, no sentido de tentarem dar uma mão. Todos os esforços foram em vão. Com a falta de actividade, começaram os roubos e a vandalização do Estádio. Perdemos o controlo das infra-estruturas e do pessoal”, avançou.

O desportista fez saber que quando assumiu a presidência do Académica do Soyo, em 2015,  já não tinha patrocínios. Mesmo com a falta de dinheiro, assegurou por um tempo as estruturas da agremiação com fundos próprios, mas não aguentou por incapacidade financeira. Desde então, tudo se desabou.“Quando fui eleito em 2015, o clube já tinha perdido oficialmente os patrocinadores habituais. Mesmo assim, procurei manter a equipa de futebol com fundos próprios e competia localmente, mas não aguentei e tudo se desabou", explicou.

CONTRATO
Dívida milionária no Hotel Jacilina


O património do clube Académica Petróleos do Kwanda/Soyo, nomeadamente, a sede e o campo dos Embondeiros com capacidade para algumas centenas de assistentes, foi arrestado pelo Tribunal da Comarca do Soyo por alegada falta de pagamento da dívida contraída pela antiga direcção avaliada em mais de 56 milhões de kwanzas.

O actual presidente do clube do Soyo, José Alves, afirmou que quando foi eleito, a agremiação  trazia um passivo (dívida) de mais de 56 milhões de kwanzas, resultante do consulado do então presidente do clube, Manuel Sieta, por falta de patrocinadores.“Quando assumi a presidência do clube, em 2015,  já existiam dívidas contraídas em 2011. Na altura,  o senhor Manuel Sieta era o presidente de direcção. A dívida mantém-se  até hoje  por falta de patrocinadores”, acrescentou.

José Alves disse que o Manuel Sieta, enquanto presidente de direcção, contraídu uma dívida milionária, resultante de hospedagem e alimentação de alguns membros de direcção e de alguns atletas no Hotel Jacilina, durante um período não especificado.“Temos um litígio no Tribunal do Soyo que envolve o Clube e o Hotel Jacilina, afecto à empresa Jacimalanda, Lda.. A empresa reclama o pagamento de uma dívida milionária. Uma vez que o clube não pagou, até ao momento, remeteu o caso ao Tribunal e fomos notificados enquanto representantes do clube. Demos a conhecer aos nossos patrocinadores no sentido de tentarem ajudar a pagar um advogado, para defender o clube. As expectativas foram vãs”, explicou. 
Na ausência de patrocinadores, segundo José Alves, recorreu à administração municipal e entregou o dossier na pessoa da administradora Lúcia Tomás para ver se conseguisse fazer algo em prol do clube, mas sem sucesso.

“O tempo foi passando, não havia nenhuma resposta positiva e o Tribunal de Comarca que decidiu  penhorar o Estádio dos Embondeiros e a sede. O Tribunal afixou um documento que impede o acesso ao Estádio e à sede, a qualquer pessoa, porque já estavam entregues àquela empresa”, acrescentou.

José Alves, indagado a esclarecer as circunstâncias em que o clube contraiu a dívida, disse desconhecer os meandros do processo. Após ter sido eleito, a direcção do hotel Jacilina apareceu a reclamar a dívida sem que tenha exibido uma documentação que a formalizasse.“O clube, quando contraiu a referida dívida, o proprietário do Hotel Jacilina, cujo nome não vou revelar, fazia parte do elenco directivo de Manuel Sieta; eu, inclusive, fui um dos vice-presidentes para área de futebol,  alguns meses depois,  demiti-me do clube, porque achava que não devia continuar a fazer parte do elenco por motivos de saúde. Aquele empresário fazia parte do elenco”, frisou.

A direcção do hotel Jacilina apareceu a reclamar a dívida pelo facto de ter alojado alguns membros de direcção do clube e tê-los alimentado durante algum tempo não especificado, de acordo com José Alves. “O representante do Hotel aparece a reclamar a dívida, porque na altura o clube teve de hospedar alguns membros da direcção, concretamente, a equipa técnica que residia naquele hotel, cujo pacote contemplava hospedagem e alimentação. Não me recordo quanto tempo ficou lá, porque eu já não fazia parte da direcção. Há pessoas que podem dar mais detalhes sobre este assunto”, frisou.
                 
REACÇÃO
Hotel Jacilina confirma débito

A empresa Jacimalanda, Lda., proprietária do Hotel Jacilina, através de uma nota, confirma o arresto do património do Clube Académica Petróleos do Kwanda/Soyo  por incumprimento do pagamento da dívida milionária que aquela agremiação desportiva contraíu por duas épocas.
Na nota, aquela empresa alega que a equipa técnica da Académica do Soyo viveu na pensão cerca de duas épocas e contraiu a dívida que consta do relatório feito pelo ex-presidente do clube, na altura, sem contudo revelar o nome.
No dia 29 de Outubro de 2014, refere a nota, o clube solicitou cópias ou provas da referida dívida para que fosse paga. O dossier tinha sido entregue a um antigo membro do clube, Simão Nguba, que se comprometeu em fazer chegar ao colega António Sanda, sem sucesso, até hoje.
 “Os nossos advogados escreveram para a direcção da Académica para a cobrança da dívida, de forma pacífica, entre as partes, mas sem sucesso. Escreveu-se também ao então governador do Zaire, Joanes André, tendo em conta o impacto positivo que o desporto tem para com a sociedade e povo em geral, também não tivemos respostas”, refere a nota.
De acordo ainda com a nota da Jacimalanda, Lda, após o processo ter seguido ao Tribunal do Soyo, foi convocado o director - geral - adjunto da Kwanda, Ndamba David, uma vez ser o principal patrocinador do clube. Este tinha alegado a falta de verbas e que não podia fazer mais nada. Remeteu o assunto à responsabilidade da empresa Kwanda, Lda. Esta é a situação que levou ao arresto do património da Académica do Soyo.