Jornal dos Desportos

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Accionistas querem evitar boicote

06 de Novembro, 2014

Bernie Ecclestone admitiu desconhecer a fórmula para consertar a diferença de orçamentos

Fotografia: AFP

O boicote do Grande Prémio do Brasil está a ganhar contornos e a situação incomoda os principais beneficiários. Para evitar o “sinistro”, a accionista maioritária da Fórmula 1, o Grupo CVC Capital Partners, está disposto a ajudar as equipas menores da grelha da categoria com o pagamento de 100 milhões de libras. A informação é do jornal britânico The Guardian.A possibilidade chega no momento em que Force India, Sauber e Lotus ameaçam um boicote nas últimas etapas da época de 2014, justamente por falta de garantias financeiras, a curto prazo. A ausência nas corridas já foi especulada no Grande Prémio dos Estados Unidos da América, quando Marussia e Caterham se ausentaram. A situação foi contornada, mas volta à tona para o Grande Prémio do Brasil.

O director executivo da Fórmula One Management (FOM), Bernie Ecclestone, admitiu desconhecer a fórmula para consertar a diferença de orçamentos entre equipas grandes e pequenas. No entanto, para as equipas do meio do pelotão, um reajuste nos pagamentos da CVC e da FOM para as equipas menores, a começar com o pacote anunciado, deve contribuir para a sobrevivência da própria categoria.“Sei que a CVC e Bernie estão a olhar por isso. Vai ser um pagamento para as equipes menores, o que é essencial para tornar possível trabalhar com um orçamento menor", disse o dono da Lotus, Gérard Lopez.

O dirigente, porém, teme que a divisão de um maior investimento dos accionistas não seja suficiente para garantir a sobrevivência das equipas.“Para ser honesto, não é uma coisa complicada de se fazer. Só requer um pouco de boa vontade. O montante total não é tão volumoso.Ainda estamos a discutir, uma vez que vai ser dividido pelo número de equipas”, disse.A proposta deve contar com o apoio das equipas de ponta (Mercedes, Red Bull, Ferrari e McLaren), conforme Gérard Lopez. No entanto, o pacote da CVC deve ser discutido ao longo da semana, até o Grande Prémio do Brasil.

“Há um caminho para construirmos a proposta, nos próximos dias. Acho que há um jeito para solucionarmos isso, talvez até antes do Grande Prémio do Brasil. Neste caso, não vejo razão para fazermos algo drástico que pudesse arranhar a imagem do desporto”, diz e referiu-se ainda à ameaça de boicote.

FORCE ÍNDIA
ATACA GASTOS

Em entrevista divulgada pelo site oficial da Fórmula 1, o chefe de equipa da Force India, Vijay Mallya, criticou os gastos da categoria. O dirigente, um dos responsáveis pela articulação de um boicote entre as equipas medianas, afirmou que pouca coisa deve mudar na próxima época, a despeito das poucas mudanças previstas na regra, após 2014. “O preço pelos motores não vai mudar, é significativamente maior do que os anteriores e vai permanecer assim. Não vai haver uma oportunidade significativa para economizarmos, excepto pelo design do carro que vai ser usado também no próximo ano”, destacou Mallya.

Mallya não comentou a respeito da possibilidade da ausência da própria Force India no Grande Prémio do Brasil, ao lado de Sauber e Lotus. As três equipas sofrem com a falta de garantias financeiras a curto prazo e questionam a distribuição de verbas entre as equipas da categoria.A Formula One Management (FOM) já admitiu a possibilidade de cada equipa correr com três carros a partir de 2015, para encher a grelha, uma vez que a categoria corre o risco de sofrer uma redução drástica no número de equipas. No entanto, mesmo com a presença em 2015 praticamente assegurada, Vijay Mallya rechaçou a proposta.

“Não assino  em baixo a teoria do terceiro carro. Digamos que tivesse três Mercedes a correr em Austin, o pódio era Mercedes-Mercedes-Mercedes. Isto não é bom para a Fórmula 1. E a ideia de ter um terceiro carro que não marque pontos, ou que marque metade dos pontos, ia complicar a situação. Não posso imaginar o que os fãs iam gostar”, analisou.

MCLAREN
Equipa animada
para Interlagos


O director de corridas da McLaren, Eric Boullier, disse que a equipa aprendeu muito a respeito do funcionamento do modelo MP4-29, na prova disputada no último final de semana em Austin, nos Estados Unidos. Kevin Magnussen cortou a meta em oitavo e Jenson Button ficou fora da zona de pontos, mas a equipa espera desempenhar um papel melhor em Interlagos, no próximo domingo.“O Brasil é a última corrida da época com o sistema de pontos padrão. Por isso, vamos forçar para garantir uma pontuação sólida, a fim de nos colocar na melhor posição possível para Abu Dhabi. Cada ponto é crucial, a fim de melhorar a nossa classificação no campeonato de construtores”, disse.

Eric Boullier assegurou que o foco da equipa "é maximizar" tudo que têm para aumentar a pontuação no Brasil.Para Kevin Magnussen, o facto de as duas provas estarem muito próximas, vai fazer que a equipa se empenhe mais, por um bom resultado em São Paulo.“O facto desta corrida ser apenas uma semana após Austin é um ponto positivo, pois vamos esforçar-nos para manter o ritmo do último fim de semana e continuamente melhorar os nossos desempenhos da corrida, como fizemos ao longo do segundo semestre da época”, comentou o dinamarquês.

MERCEDES
Novos motores
ganham adesão


O congelamento de desenvolvimento de motores da Fórmula 1, para 2015, começa a ganhar corpo na Mercedes. A equipa inglesa havia manifestado posição contrária, mas o assunto dominou as conversas em Austin e alguns ajustes à regra foram propostos, numa tentativa de cooptar a marca sediada em Stuttgart.O chefe da equipa, Toto Wolff, tinha manifestado contra a alteração da regra por julgar que ela fosse aumentar os custos. Agora, aceita discutir a proposta. Porém, impõe uma condição: os custos não se elevem em demasia.Ao lado da crise financeira de algumas equipas, a Ferrari e a Renault estão alinhadas na estratégia de rever os motores no meio da próxima época, como uma tentativa de equilibrar as forças na categoria.

 “Se este é um compromisso necessário para garantir a estabilidade a longo prazo e entendemos como longo prazo não permitir mudanças a cada ano, então vai ser algo que vamos considerar”, falou Wolff após o Grande Prémio dos Estados Unidos.“O que dissemos é que estamos a estudar e verificar os efeitos, que uma alteração pode ter. O que vai significar do ponto de vista financeiro? E com relação à logística? Somos uma equipa que precisa de entregar oito unidades de cada vez. A Honda só duas, Ferrari e Renault, quatro. Portanto, há uma grande diferença”, comentou.