Jornal dos Desportos

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Acordo de milhões à vista

07 de Agosto, 2014

Chefe da F1vai pagar 75 milhões de euros para arquivar o processo de corrupção

Fotografia: AFP

O julgamento de Bernie Ecclestone está próximo de chegar ao fim. Na terça-feira, promotores da Corte de Munique confirmaram que aceitam a proposta de 100 milhões de dólares para encerrar os processos  por suborno e corrupção. "O processo será temporariamente suspenso com o acordo do Ministério Público e do acusado", declarou Peter Noll, juiz responsável pelo julgamento.

Ecclestone está a ser acusado de pagar um suborno de 44 milhões de dólares, em 2006, ao banqueiro Gerhard Gribkowsky, ex-presidente do banco Bayern LB, para facilitar a venda das cotas da F-1 para a CVC. Gribkowsky foi condenado a oito meses e meio de prisão em Junho de 2012. Defendendo-se, Ecclestone confirmou o pagamento da quantia ao banqueiro, porém afirmou que só o fez por ter sido ameaçado por ele, que segundo ele o teria ameaçado com a divulgação de irregularidades fiscais.

Caso fosse considerado culpado, o chefe da F-1 podia ser condenado até dez anos de prisão e perdia todos os poderes no controlo da principal categoria de automobilismo do mundo. O juiz Peter Noll decidiu aceitar o acordo proposto pela defesa de Bernie Ecclestone, em troca do pagamento de 100 milhões de dólares.

Depois do acordo, o magnata  deve realizar a transferência da quantia no prazo de uma semana, segundo estipulou o tribunal alemão. Antes da decisão do juiz, o promotor Christian Weiss também se tinha mostrado propício ao sob-resteamento da causa em troca do pagamento desta soma milionária.

Por sua vez, o advogado de Ecclestone, Sven Thomas, descartou que o pagamento deste dinheiro fosse um acordo com a justiça e assegurou que o sob-resteamento de causas é um procedimento legal corrente nestes casos. "Não é um acordo. Não tem nada a ver com a compra da liberdade", apontou Thomas.

O acordo evita  que Ecclestone, de 83 anos de idade, prolongue o julgamento por corrupção, começado em Abril, assim como manter a sua posição de predomínio na Fórmula 1, futuro que, caso fosse condenado, teria ficado em interdição.