Jornal dos Desportos

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Modalidades

África reconhece João Almeida

Francisco Carvalho - 27 de Março, 2015

João Almeida recebeu o galardão das mãos do presidente da Confederação Africana de Ténis Tarek Cherif na capital da Tunísia

Fotografia: Domingos Cadência

O serviço prestado ao ténis, nos últimos 20 anos, rendeu ao vice-presidente da Federação Angolana da modalidade, João Almeida, um galardão da Confederação Africana de Ténis, durante o Congresso Ordinário da instituição continental realizado a 21 do corrente mês, na capital da Tunísia, Túnis.

João Almeida recebeu das mãos do presidente reeleito da Confederação Africana de Ténis (CAT), o tunisino Tarak Cherif, um quadro com seu nome gravado.
Em reacção, o ex-tenista assegurou ao Jornal dos Desportos que o reconhecimento “é fruto de muito trabalho, formação constante, participações em seminários e reuniões promovidas pela Federação Internacional de Ténis (ITF) e da Confederação Africana, bem como de muitas noites perdidas em prol do ténis angolano”.
O vice-presidente da Federação Angolana de Ténis disse que o prémio resulta do seu contributo em África e em Angola, em particular, e “vem fortalecer” os seus “ideais e propósitos”. “Não ganhamos nada com o desporto, mas o voluntarismo vai continuar a permanecer no meu peito”, disse.

A condecoração da CAT é o segundo prémio de homenagem a João Almeida. O primeiro reconhecimento pelo contributo ao ténis ocorreu em 2014, quando foi incentivado pela Primeira Dama da República de Angola, Ana Paula dos Santos, com palavras de encorajamento e reconhecimento pela boa gestão do “Projecto Criança em Movimento”, no bairro da Kifica, no município de Belas. Para além de João Almeida, a Confederação Africana de Ténis atribuiu o galardão de Melhor Federação a Marrocos e o de Federação Revelação ao Benin.

ITF PROMETE
APOIO AO PAÍS


A Federação Angolana de Ténis mereceu a atenção dos congressistas na reunião magna de Tunis. A importância, que apresenta na região austral, foi motivo de escolha para beneficiar de apoios de desenvolvimento da modalidade. A entidade africana prometeu apoiar com material desportivo, formação de treinadores e de árbitros, bem como a construção de infra-estruturas.

A concretização do apoio da ITF e da CAT dependem das acções que o país desencadear nos próximos tempos. João Almeida assegurou que Angola deve obedecer às condições impostas como a recepção no país do representante da ITF para África Austral, Riaan Kruger, para avaliar a realidade.

Angola é o único país da região austral que não organiza eventos internacionais, principalmente, nos escalões de formação. A posição inquieta as instituições continental e internacional. Para dar uma lufada de ar fresco, o país deve construir infra-estruturas para acolher os eventos internacionais, segundo João Almeida.
O interesse de atletas e de dirigentes de diferentes Federações Africanas em competir numa prova em Angola é elevado. O âmago do desejo reside nas informações que recebem sobre o elevado nível organizacional nas competições.

O vice-presidente da FAT João Almeida ressaltou que “os tenistas africanos manifestam o desejo de viver a experiência de boa organização".

AFRICANO
Paludismo retira ouro de Angola


 A Selecção Nacional de cadetes masculino deparou-se com dificuldades para jogar as meias-finais do campeonato africano de cadetes, na especialidade de pares, que se realizou na capital tunisina, Túnis. Eduardo Morais manifestou indisponibilidade de jogar, momentos depois de chegar aos courts que acolheram os jogos.
A intensidade de frio que sentia obrigou a comissão de saúde do comité de organização do campeonato a  levá-lo a uma unidade hospitalar. Depois de exames médicos e clínicos, constatou-se que o tenista angolano estava acossado de paludismo. A equipa médica decidiu interná-lo para o medicar.
A situação complicou-se para os angolanos. Fernando André, membro da dupla, ficou amputado sob olhar tristonho do treinador Plínio Pedro. Sem alternativa para salvar o jogo, os angolanos viram o sorriso de classificação automática dos adversários. Angola perdeu por falta de comparência.
João Almeida resumiu o desejo de ver Angola no pódio da competição: “Depois do brilharete nas fases iniciais, o sonho de conquistar a medalha de ouro africano ficou ofuscado nas meias-finais”.
Entre a nostalgia e o desejo, João Almeida justifica que Eduardo Morais e Fernando André “entendem-se bem e tinham a possibilidade de trazer o ouro ao país pelo elevado nível competitivo em pares”.
Nas partidas de simples, os dois atletas tiveram participações razoáveis. Nos dois primeiros jogos defrontaram cabeças de séries e sonhar mais longe era quimera. A experiência dos adversários ditou afastamento prematuro dos dois atletas angolanos.                    
FC

AFRICANO
Eduardo “convive”
com turistas feridos


 O tenista Eduardo Morais “conviveu"”num hospital de Túnis, com os feridos do ataque a turistas num museu da capital da Tunísia, a meio do corrente mês. O jovem angolano esteve internado por lhe ter sido diagnosticado paludismo, quando se preparava para defender o país nas meias-finais de pares do campeonato africano de cadetes.
Durante cinco dias, Eduardo Morais constatou uma agitação hospitalar nunca vista na sua vida e nem se apercebeu das causas do sucedido, segundo o vice-presidente da FAT João Almeida.
As autoridades tunisinas “fecharam” as vias de comunicação com os doentes internados naquela unidade hospitalar e da delegação angolana, que teve de se socorrer de apoios para contornar a situação.
O embaixador de Portugal na Tunísia, Luís Faro Ramos, cedeu apoios com uma viatura, motorista e um tradutor para acudir o atleta internado. As autoridades hospitalares decidiram manter o angolano por mais cinco dias, depois do ataque a turistas num museu local.
João Almeida agradece o gesto do diplomata português: “Em nome da Federação Angolana de Ténis, o nosso muito obrigado pelo apoio e disponibilidade em atender-nos num momento difícil em território estrangeiro”.
Na véspera de receber a alta do hospital, Eduardo Morais manifestou o interesse de voltar a jogar na competição africana, quando Angola já tinha perdido a possibilidade de conquistar a medalha de ouro. O interesse do atleta angolano criou uma mistura de tristeza e alegria, segundo João Almeida.
FC

PREMIER MANDATORY
Maria Sharapova
perde na estreia


A russa Maria Sharapova foi vítima de uma grande zebra, na estreia pelo Premier Mandatory de Miami. Sharapova perdeu para a compatriota Daria Gavrilova por 2 sets a 0, com parciais de 7/6 (7-4) e 6/3, em 1h49 de confronto.

A tenista de 21 anos, a 97ª colocada no ranking da WTA, passou a integrar o top 100 recentemente. A ex-número 1 do mundo não escondeu a surpresa em ter sido eliminada na primeira ronda por uma adversária inexperiente.

“Estou um pouco surpresa. É a primeira ronda. A expectativa era que vencesse. Mas assim é o desporto, não importa se você é o favorito. Hoje, não fui”, lamentou a russa após o duelo.

A algoz, por sua vez, comemorou muito a maior vitória da sua carreira.
“Ainda não acredito que realizei o meu sonho. Sonho em vencer Maria desde que tinha 12 anos, quando a vi vencer Serena em Wimbledon”, disse Gavrilova e referiu-se à final de 2004, quando a russa tinha 17 anos e bateu a norte-americana, então bicampeã.