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Africano de Xadrez é um ganho da Paz

João francisco - 13 de Novembro, 2014

Africano é um dos ganhos da Paz

Fotografia: Jornal dos Desportos

O Mestre Internacional Eugénio Campos, actualmente com a carteria de advogado estagiário e funcionário da Global Seguros, razão que o afasta permanentemente do tabuleiro de 64 casas, obteve um dos seus dois títulos de campeão africano de júnior no longínquo ano de 1995, em Luanda, na primeira vez que o país organizou uma prova do género. Mais de dez anos depois,  Angola apresta-se  a organizar o segundo de 1 a 10 Dezembro em Saurimo (Lunda Sul) e ninguém melhor do que Eugénio Campos para prestar o  depoimento sobre momentos tão importantes para a história do xadrez angolano.

Para Eugénio Campos, o facto de um Campeonato Africano de Xadrez em júniores, realizar-se em 2014, fora da capital do país, é um valor acrescentado aos benefícios da paz, nas realizações do Executivo.“Em 1995, havia um domínio claro dos xadrezistas angolanos no escalão de juniores em masculino a nível do nosso continente, a qualidade era notória, basta falar de nomes como os Mestres Internacionais Adérito Pedro e Vladimiro Pina”, começou por dizer.

Naquela altura, de acordo com o Mestre Internacional que já foi bi-campeão africano de junior, com um título obtido “fora de portas”, em Vitória ( Ilhas Seychelles), “podemos dizer que tinha a garantia de que o troféu ia ficar no nosso país”, acrescentou.“Hoje, nós temos em nossa posse o título em júnior feminino, mas não temos tanta garantia. Embora haja discrepância na qualidade técnica, entre os nossos representantes de há cerca de 20 anos e os de agora, como bom angolano, vou torcer para que tenhamos bom resultado, que sejamos surpreendidos pela positiva”, defende. Eugénio Campos realçou ainda que “o ambiente actual também  é mais favorável  aos angolanos, por termos um representante que é vice presidente da Federação Internacional de Xadrez(FIDE), Aguinaldo Jaime, Presidente da Federação Angolana de Xadrez (FAX),

À “GERAÇÃO DE OURO"

Para o Mestre Internacional, Angola nunca esteve tão distante para regressar à geração de ouro, que catapultou o país nas várias frentes internacionais."Julgo que nunca estivemos tão distantes. O que me parece que mudou ou está a mudar, é o entusiasmo dos xadrezistas. A partir do momento em que se ganha um Campeonato Africano, com direito a prémio e se os prémios não chega(ra)m aos seus destinatários, quebra-se o incentivo e questiona-se se efectivamente vale a pena, mesmo que a alma seja grande, porque de simples boas intenções está o inferno cheio. O segredo de todos os campeões resume-se em três palavras: treinar, treinar, treinar. Mas isto, sem as condicionantes desmotivantes".

Conforme ainda Eugénio Campos os xadrezistas Cristiano Aguiar e Esperança Caxito estão em condições de encabeçar uma "nova geração de ouro"."Em princípio sim. Impõe-se uma correção: Cristiano Aguiar, é um jovem promissor, a par do David Silva, mas nunca foi campeão africano de juniores. E a Esperança Caxita, não tem um nível distante das suas colegas da escola Macovi. Se eles se empenharem, a julgar pela idade, certamente vão dar muitas alegrias ao país. O futuro  pertence-lhes. De resto, o Campeonato Africano que se avizinha, tudo depende de quem vem ao campeonato, sobretudo quando temos países com problemas como a epidemia do ébola, vamos esperar e ver ”
Questionado sobre o actual estado de desenvolvimento do Xadrez angolano, o antigo campeão de juniores, mostrou-se preocupado.

"Se me permite a honestidade, tenho a impressão de que falta um cérebro a programar o desenvolvimento do xadrez nacional. Alguém que avalie tecnicamente o estado em que estamos e prefigure as próximas etapas ou níveis dos praticantes. Não me parece ser um trabalho de que seja preciso  importar quadros estrangeiros. Posso estar errado, mas é assim que penso. Aliás, Caissa, a deusa do xadrez, não me ia perdoar, se eu deixasse de fazer este lance.

Ao finalizar, o Mestre Internacional não deixou de endereçar uma palavra de apreço aos atletas que vão reprsentar a Selecção Nacional no Campeonato Africano da Lunda Sul."Desejo que joguem o que sabem. Que  tenham vontade e energia para o que exige o xadrez de competição e não se deixem intimidar ou desanimar por factores extra-tabuleiros. Participar num torneio deste gabarito já é uma vitória, melhor do que isso, é alcançar o primeiro lugar. Mas não vamos fazer pressão aos jogadores, temos de estar preparados para aceitar todos os resultados possíveis e termos sempre a capacidade crítica de enxergar onde é possível superar. O Xadrez é um jogo de antecipação e mais do que isso, um jogo de auto-superação".

Anos 90
Campos e Adérito
estudam na Suécia


O antigo bi-campeão africano júnior de xadrez, Eugénio Campos, está  afastado temporariamente dos tabuleiros por questões profissionais, também é colaborador efectivo nas edicções Novembro EP, onde presta a sua colaboração nas páginas especializadas do Jornal de Angola,  sempre que se realizem eventos relacionados com o “jogo- ciência”.

Campos, na companhia do Mestre Internacional Adérito Pedro, outro talento do Xadrez angolano, que na epóca 1990/91, abriu a trajectória dourada do “jogo-ciência” angolano no continente africano com o primeiro título de Campeão Africano de Juniores, em Nairobi (Quénia), foram até agora os xadrezistas angolanos que maior investimento obtiveram da FederaçãoAngolana de Xadez(FAX), quando frequentaram uma “bolsa de estudo” para frequentarem a Escola do antigo Campeão Mundial de Xadrez, o russo Anatoly Karpov, na Suécia.

Fruto do investimento, que aconteceu no consulado do engenheiro, Rogério Nunes da Silva na Direcção da Federação Angolana de Xadrez (FAX), o Mestre Internacional Adérito Pedro, chegou a disputar uma final do Campeonato do Mundo, apesar de ter sido afastado na primeira eliminatória da prova disputada na Rússia.

PERFIL
Nome completo:
Eugénio Ntandala Campos
Local de nascimento: Luanda
Filiação: Francisco Campos e Rosa Dala Medil Campos
Cor preferida: Azul.
Prato preferido: Funje de carne seca.
Bebida preferida: Sumos tropicais.
Religião: Cristã (católica).

Quem mais admira no xadrez mundial: David Bronstein, Paulo Keres, Robert Fischer, Antoly Karpov, Garry Kasparov, Efim Geller, Boris Gelfand, Magnus Carlsen. Todos eles têm as suas virtudes e defeitos, interessa-me as virtudes. Por exemplo, o jogador X é muito forte no meio jogo, estudo o meio jogo deste jogador, o Y é bom nos finais, estudos os finais desse jogador!

E a nível nacional: Alexandre Nascimento, Manuel Mateus, Adérito Pedro, Francisco Briffel, Aristóteles Ramos, Nelson Ferreira, Armindo Sousa, Amorim Agnelo, Catarino Domingos, Vladimiro Pina, David Silva.Qual é o seu estilo de jogo: Universal, porque defendo e ataco com igual mestria, embora, propenda para o xadrez posicional.Outras ocupações: “jornalismo escaquístico angolano “ nas Edições Novembro E.P, pelo que, quero expressar o meu prazer em poder conversar com um dos meus predecessores na especialidade, o Mestre Fide João Francisco.