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Modalidades

Agentes querem competição interna

Silva Cacuti - 21 de Fevereiro, 2014

Fundista angolano Avelino Ndumbo defende uma prova regional contrariamente à de nível mundial para elevar os níveis dos angolanos

Fotografia: Jornal dos Desportos

A ideia da internacionalização do GP Sonangol, anunciada na sua apresentação, está a merecer pareceres negativos da parte dos agentes da modalidade.

Fernando Capassa, antigo praticante e actual dirigente desportivo, considera negativa a intenção e justifica pelo facto de o país “ter já duas provas internacionais”. Capassa reforça a sua opinião na “inexistência de condições no país” para uma prática salutar do atletismo que permita aos corredores nacionais “atingir os níveis dos corredores internacionais”   chamados para essas provas.

"Não é boa ideia. Já temos a São Silvestre, uma prova internacional, e temos visto o que nela se passa.” Fernando Capassa assegura que para mais uma prova internacional o país precisa de encontrar uma estratégia que vise o equilíbrio entre os corredores nacionais e estrangeiros. “Essa estratégia passa pelo envio dos atletas angolanos além-fronteiras, onde iam evoluir até ao fim das suas carreiras, para se contrabalançar na hora de convidar atletas internacionais.” Caso contrário, alega, "dificilmente, os atletas angolanos estão ao nível dos que vêm, os corredores locais têm carências sociais que dificultam a realização de um trabalho sério, capaz de lhes proporcionar níveis semelhantes aos dos atletas de carreira internacional".

Avelino Ndumbo, atleta afecto ao Interclube, também é contra a internacionalização do GP Sonangol.

"Creio que a federação e todas as instituições devem equacionar e dar outra oportunidade aos corredores que residem no país. Por exemplo, nesse domingo, vai haver uma prova em Pretória, África do Sul, também com um bom prémio, aberta somente aos sul-africanos.” Avelino Ndumbo disse que "aceitava se fosse uma prova regional, com participação de corredores dos países da zona austral, de forma a elevar gradualmente os níveis competitivos dos angolanos", porque "correr com os melhores do mundo não é benéfico para nós".

Ernestina Paulino, expoente do fundo feminino em Angola, louvou a iniciativa de reformulação da prova com o objectivo de lhe dar mais dignidade na organização e na premiação, mas considera que “não beneficia o atletismo angolano se for internacionalizada”.


ORGANIZAÇÃO
GP Sonangol encerra inscrições

As  inscrições para o Grande Prémio Sonangol, que amanhã sai à rua com cerca de 500 participantes, encerram hoje, às 15h00, anunciou a organização, a Federação Angolana de Atletismo (FAA), a Sonangol e a Associação Provincial de Atletismo de Luanda.

Os interessados em participar devem dirigir-se à sede da federação, sendo as inscrições  gratuitas. "As pessoas gostam de fazer tudo à última hora e pensamos que na sexta-feira vamos ter muitas pessoas nas inscrições", disse um membro da organização.

A prova de 15 quilómetros tem uma carteira de prémios de 10 milhões de kwanzas distribuídos por cinco categorias. Na categoria de atletas federados vão ser premiados os 20 primeiros (masculinos e femininos).

O primeiro classificado masculino recebe 1,5 milhões de kwanzas, o segundo 750 mil kwanzas e o terceiro 375 mil kwanzas. Em femininos, a vencedora leva um milhão de kwanzas e a segunda 375 mil kwanzas. Na classe paralímpica o vencedor recebe 150 mil kwanzas e a vencedora 100 mil kwanzas.

O vencedor entre os funcionários da Sonangol é contemplado com um milhão de kwanzas e a vencedora com 500 mil kwanzas. O vencedor entre os «populares» recebe 500 mil kwanzas e a vencedora 300 mil kwanzas.
SILVA CACUTI