Jornal dos Desportos

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Agncia Mundial Antidopagem abdica de novas sanes Rssia

24 de Janeiro, 2019

Agncia russa Rusada atrasou-se 15 dias na entrega dos dados de controlos feitos pelo antigo laboratrio de Moscovo

Fotografia: DR

A Agência Mundial Antidopagem (AMA) decidiu não aplicar novas sanções à agência russa Rusada, que se atrasou 15 dias na entrega dos dados de controlos feitos pelo antigo laboratório de Moscovo, mas mantém a entidade sob vigilância. A decisão do organismo ocorreu terça-feira última, dia 22.
\"Vários membros do comité executivo expressaram a sua desilusão pelo facto de o prazo [que terminava a 31 de Dezembro último] não ter sido cumprido, mas concordaram que nenhuma penalização deveria ser imposta em consequência disso\", anunciou em comunicado Craig Reedie, presidente da AMA, citado pela agência de notícias francesa AFP.A 17 de Janeiro, a AMA anunciou o sucesso da sua missão de recuperar dados de controlos feitos pelo antigo laboratório de Moscovo. \"Este é um grande avanço para um desporto limpo. O longo impasse em volta do acesso a estes dados chegou ao fim e isso é uma óptima notícia\", regozijou-se na altura Craig Reedie.
A AMA exigiu esses dados para concluir as suas investigações sobre o sistema de doping institucional que vigorou na Rússia entre 2011 e 2015, e que beneficiou cerca de 1.000 atletas de 30 modalidades, de acordo com as investigações contidas no relatório de Richard McLaren, advogado canadiano.
Apesar do optimismo, o dirigente alertou que agora principia uma nova fase, \"a autenticação de dados para garantir que estes estão completos e que não foram danificados\".
A AMA confia nesses registos para eventualmente estabelecer uma lista de amostras a serem reanalisadas e depois encaminhar os arquivos para as Federações Internacionais para que estas eventualmente abram processos disciplinares.
Aquela agência suspendeu as sanções contra a Rússia em 20 de Setembro, com a condição de Moscovo recuperar esses dados até 31 de Dezembro - a punição foi decretada no final de 2015.
A violação do prazo exigido poderia motivar novas sanções, mas a reunião do comité executivo da AMA decidiu não avançar nesse sentido.O caso remonta ao escândalo levantado pelas revelações do relatório do jurista canadiano Richard McLaren, que descobriu uma rede destinada a forjar resultados de controlos, que envolvia inclusivamente membros do Estado russo.Esta situação levou à exclusão do atletismo russo dos Jogos Olímpicos Rio\'2016 e dos Mundiais de atletismo de 2017, além da participação, sob bandeira neutra, nos Jogos de Inverno PyeongChang\'2018.
Se a AMA não tivesse acesso às amostras na posse do laboratório moscovita, as sanções poderiam ir até à proibição de atletas russos em novos Jogos Olímpicos, desta feita em 2020, no Japão.
Na segunda-feira, a Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF) autorizou 42 atletas russos a participar em competições de atletismo em 2019 sob bandeira neutra, enquanto a Rússia continua suspensa durante três anos devido aos casos de doping.