Jornal dos Desportos

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"Agora sou tricampeão"

07 de Dezembro, 2015

Lewis Hamilton recebeu troféu em cerimónia da FIA e afirmou que não havia palavras para explicar a emoção

Fotografia: AFP

Em noite recheada de glamour, Paris foi palco da cerimónia de atribuição de prémios de melhores pilotos do mundo. A FIA (Federação Internacional de Automobilismo) promoveu no teatro Lido a entrega de troféus das categorias promovidas pela entidade. A Fórmula 1 foi o destaque da noite.

A Mercedes e Lewis Hamilton voltaram a dividir o palco. A equipa alemã foi laureada pela segunda vez consecutiva com o troféu de campeã do Mundial de Construtores e Lewis Hamilton teve a oportunidade de receber a cobiçada taça de campeão do Mundial de Pilotos, feito igual a das épocas de 2008 e 2014. Oficialmente, o britânico iguala o seu grande ídolo Ayrton Senna.

Durante a cerimónia de atribuição de prémios, Lewis Hamilton desabafou ao falar sobre a polémica mudança da McLaren para a Mercedes, no fim de 2012. O tricampeão emocionou-se ao descrever o seu sentimento por estar no topo da principal categoria do desporto a motor. “É um grande orgulho, especialmente este último passo rumo à Mercedes. Foi uma decisão minha, não houve nada que impactasse nesta decisão. Tomei-a sem pestanejar.

Todo o mundo dizia que era o pior que poderia ter feito, mas, agora, tenho mais dois títulos de campeão do mundo”, declarou o britânico de 30 anos.
Lewis Hamilton foi contratado pela Mercedes a peso de ouro para substituir Michael Schumacher. Depois de um ano de transição em 2013, Lewis foi o artífice perfeito para levar a equipa prateada ao topo, muito também depois de a fábrica conseguir construir o melhor conjunto carro-motor depois da adopção da nova Era Turbo na F1.

“A minha meta é correr para ser o melhor piloto que posso ser. Nem sempre pode estar na sua melhor forma a cada dia, mas recentemente estive assim”, comemorou o piloto. Lewis Hamilton conquistou nada menos que dez vitórias e 11 poles em 2015 e sagrou-se campeão com três corridas de antecipação ao vencer o Grande Prémio dos Estados Unidos, em Austin.  Ao receber o troféu de campeão do mundo, Lewis emocionou-se.

“É impossível explicar em palavras o que significa ser tricampeão do mundo. É um sonho, um sentimento incrível e estou muito orgulhoso da minha família por tudo o que fizeram para estar aqui hoje”, disse Hamilton, rendendo homenagens aos pais. “Em primeiro lugar, porque meu pai estava ao meu lado, quando cresci. Muitos dos meus amigos não tiveram algo parecido.

O meu melhor amigo, por exemplo, não conhece o seu pai. Foi incrível que o meu pai permaneceu, especialmente, depois que os meus pais se divorciaram. Começamos a correr com carros de controlo remoto, depois os karts. Lembro quando ele comprou o meu primeiro capacete, a primeira vez no kart, todas essas coisas”, continuou Lewis.

“Lembro o trabalho duro que o meu pai e a minha mãe tiveram de suportar para fazer sacrifícios por mim. Foi um longo caminho, estou a pilotar há 22 anos. Neste ano, vencer em Austin e selar lá o título foi uma das corridas mais especiais, foi um grande orgulho o que conquistei”, discursou o novo tricampeão mundial de F1.

ESTREANTE
Verstappen é Personalidade do Ano

Estreante do Ano, Personalidade do Ano e Ultrapassagem do Ano. Os prémios conquistados por Max Verstappen mostram que o piloto mais jovem da história da F1 superou um 2015 cheio de desconfiança para terminar a época como uma das grandes sensações do ano no desporto a motor. Quando Max Verstappen foi anunciado pela Red Bull como novo piloto da Toro Rosso para a época'2015 do Mundial de F1, muito se discutiu sobre a decisão da empresa taurina.

Afinal, o holandês tinha apenas 16 anos e estava para completar a sua primeira e única época na F3 Europeia, antes de entrar para a concorrida grelha da principal categoria do automobilismo. Debaixo de muita desconfiança por conta da pouca experiência e baixíssima idade, Max superou as adversidades com extrema personalidade, conquistou dois quarto lugares no seu ano de estreia, não se intimidou com adversários mais experientes e fechou o seu primeiro ano na F1 em 12º lugar, com 49 pontos, sendo o melhor estreante do ano no Mundial.

O ano de 2015 para Verstappen foi coroado com êxito em Paris. Aos 18 anos, o jovem piloto, confirmado para a próxima época pela Toro Rosso, recebeu não apenas um, mas três troféus da entidade. Max foi eleito como Personalidade do Ano, Estreante do Ano e recebeu o prémio de Ultrapassagem do Ano. Talvez, nem nos mais insanos sonhos o holandês poderia almejar tanto para encerrar o seu ano de estreia na F1.

O noviciado de Verstappen ao estrear no Mundial ainda aos 17 anos, fez história ao tornar-se o mais jovem piloto da história da F1, implicou a própria FIA a mudar uma das suas regras para conceder a super-licença na F1. Hoje, está estabelecido que o limite mínimo é de 18 anos de idade. Mas a própria entidade rendeu-se ao talento de Max depois do seu desempenho ao longo da época.

Max recebeu o prémio de Estreante do Ano, que foi definido pela Comissão de Pilotos da FIA, entidade presidida por Emerson Fittipaldi e composta por competidores que somam um total de 12 campeonatos mundiais de F1 e 14 vitórias nas 24 Horas de Le Mans. “Estou impressionado e muito feliz por ter conquistado três prémios nesta noite. É uma grande honra ser o Estreante do Ano, já que é um prémio entregue pela Comissão dos Pilotos.

Devo admitir que dois quarto lugares no meu primeiro ano na F1 foram muito mais do que esperava”, comemorou. O troféu de Personalidade do Ano foi conquistado por Verstappen, eleito pela imprensa especializada. A escolha funcionou da seguinte forma: numa primeira ronda de votações, foram eleitos os dez primeiros e, num segundo turno, foi apontado o vencedor.

PRÉMIO DA FIA
GP México é melhor evento


O GP do México, marcado pelas suas bancadas lotadas e pela paixão do público local, foi um dos grandes momentos da época'2015 da F1. Para compensar o esforço, a FIA condecorou a prova ao atribuir à organização da corrida no circuito Hermanos Rodríguez o prémio Melhor Evento do Ano.
O prémio foi entregue no Conselho Mundial do Desporto a Motor, realizado anualmente na sede da FIA, em Paris.

“Desde que oficializamos o regresso da F1 ao país, traçamos o objectivo de levar o GP ao nível mais alto. E é uma satisfação saber que o México conseguiu isso novamente”, exaltou o mexicano José Abed, vice-presidente da FIA. Abed faz menção à primeira vez que o Hermanos Rodríguez conseguiu tal prémio, em 1986. Na ocasião, a pista voltava à F1 depois de um hiato de 16 anos.

“É um orgulho ver mais uma vez o reconhecimento de todos pelo esforço, perceber que somos capazes de ser os melhores. Queríamos colocar o México no lugar merecido e conseguimos”, seguiu Abed. O responsável assegurou que “isso é o resultado do trabalho de muitos, mas, em especial, foi graças ao público, que entregou a sua paixão no evento".

Para finalizar, ressaltou que "ao mesmo tempo, o prémio é um impulso para seguir neste momento positivo nos próximos anos”. Habitualmente, o prémio é entregue aos Grandes Prémios que entraram no calendário recentemente, numa homenagem ao esforço de fazer parte do selecto calendário da F1. Em 2014, por exemplo, o GP da Rússia foi condecorado.

Nelson Piquet
recebe troféu


O último título conquistado por Ayrton Senna na F1 ocorreu em 1991. Desde então, nenhum brasileiro voltou a comemorar o triunfo num campeonato promovido pela FIA. Vinte e quatro anos depois, Nelsinho Piquet fez questão de traçar a  ribalta a façanha. O jovem piloto brasileiro facturou, em Junho último, o primeiro título da F-E, a revolucionária categoria de carros eléctricos, e o triunfo ocorreu na dupla jornada realizada em Londres.

Entre os laureados da cerimónia de gala da FIA, que premiou os melhores pilotos do ano no automobilismo mundial, Nelsinho Piquet levou as cores da língua portuguesa. O brasileiro recebeu o prémio ao lado de Alain Prost e Jean Paul-Driot, que representaram a e.dams, equipa campeã da categoria, na época 2014/2015.

Nelson Piquet atingiu ao título com as cores de uma equipa chinesa. O brasileiro empreendeu uma reacção, venceu duas provas no campeonato e  garantiu o título com um ponto de vantagem sobre Sébastien Buemi, na épica corrida final, em Battersea, em Londres. Nelsinho foi também destaque ao longo da disputa ao travar grande rivalidade com o compatriota Lucas Di Grassi, que fechou a época em terceiro lugar.

Usando da palavra, o brasileiro revelou que a vitória em Long Beach abriu os olhos da equipa. "A primeira corrida que vencemos, deu indicadores que poderíamos vencer o campeonato. A partir de lá, decolamos", disse ao site da F-E durante a cerimónia de atribuição de prémios em Paris.

Entre os laureados da noite, o destaque vai também para Sébastien Ogier e Julien Ingrassia, tricampeões mundiais de rali com a Volkswagen; Mark Webber, Brendon Hartley e Timo Bernhard, campeões mundiais de endurance com a Porsche; José María ‘Pechito’ López, bi-campeão Mundial de Carros de Turismo; Petter Solberg, campeão mundial de rallycross; e Nasser Al-Attiyah, campeão mundial de rali cross-country.