Jornal dos Desportos

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Agremiaes ignoram estatuto

JOO FRANCISCO - 25 de Janeiro, 2018

Petro de Luanda dos poucos clubes do pas com estatuto de utilidade pblica

Fotografia: Agostinho Narciso | EDIES NOVEMBRO

Falar de agremiações desportivas com Estatuto de Utilidade Pública em Angola ainda é tabú para muitos dirigentes. Contam-se pelos dedos das mãos os clubes nacionais que cumprem com os pressupostos emanados na legislação desportiva em vigor. Alguns clubes não tem sede própria nem gestão financeira autónoma, uma das condições indispensáveis para não continuar a lutar pela sobrevivência.
O Ministério da Juventude e Desportos ainda não veio a público revelar as federações nacionais com Estatuto de Utilidade Pública. Contudo, sem medo de errar, das 25 associações desportivas (Federações Nacionais), menos de um por cento estão reconhecidas com esse estatuto.
Entre os principais eixos de acção das Federações Nacionais, o Estatuto de Utilidade Pública é um dos aspectos importantes, se não quiserem ver-se ultrapassadas pelas transformações em curso no país, que entrou na quarta República. \"Angola é um país do desporto\". Portanto, o terceiro sector da sociedade influencia a postura de cidadãos num momento de viragem de Angola. O alerta sobre a mudança do tempo vem do presidente de direcção  do Progresso Associação Sambizanga, Paixão Júnior. O dirigente assegurou que a agremiação \"vai viver com o recursos à disposição na presente época e o fracasso na edição anterior do Girabola deveu-se a insuficiências financeiras\".
Face aos novos constrangimentos resultantes do ajuste de calendário da competição, Paixão Júnior vaticinou que \"muitas agremiações desportivas angolanas podem abandonar o Girabola ZAP de 2018 por falta de estruturas e de patrocinadores\".
A título de exemplo, testemunhou-se a descida do ASA à segunda posição na época 2017. É uma equipa abraçada com dificuldades financeiras para alavancar a actividade desportiva. Desde a estreia da competição, sempre esteve entre os totalistas.
Outra equipa com situação semelhante é o Progresso da Lunda Sul. A equipa de Saurimo perdeu o patrocinador oficial, o Santos Bikuku, e também deixou o convívio dos grandes.

ESTRATÉGIA
Organismos devem passar a SAD

As Sociedades Anónimas Desportivas em Angola também é um autêntico tabú. Os clubes como Petro de Luanda, 1º de Agosto, Interclube, Recreativo do Libolo, Sagrada Esperança, só para citar esses, que exercem o desporto profissional sem assumirem o contrato com os atletas, preferem manter-se como instituições amadoras.
A Lei do Desporto consagra a criação das Sociedades Anónimas Desportivas, postulado não só dos Estatutos dos \"clubes grandes\" do país. Infelizmente, o desejo não passa de mera proposta em \"banho Maria\".
Informações publicadas dão conta que o Petro de Luanda, 1º de Agosto e Interclube estão no bom caminho quanto à criação de estruturas organizativas para assegurar um futuro radioso. Têm infra-estruturas desportivas próprias (campos e pavilhões) para absorver as academias reservadas à formação de novos talentos.
O trio de clubes de Luanda também apostam nas tecnologias de informação e comunicação. Têm websites, programas de TV e revistas especializadas, nas quais dão a conhecer aos adeptos e ao público em geral as suas actividades. A interacção com o público pode resultar na criação de um canal televisivo, nos próximos anos, à semelhança de outras agremiações desportivas na Europa, como Sport Lisboa e Benfica (BTV).

D´Agosto já no mercado
Os pressupostos para a criação das Sociedades Anónimas Desportivas estão bem lançadas. O clube das Forças Armadas Angolanas lançou recentemente a Revista D\'Agosto no âmbito das celebrações dos seus 40 anos de existência.
É uma publicação com 40 páginas e retrata na capa algumas figuras emblemáticas do futebol, basquetebol e andebol, as três modalidades de eleição. O presidente do 1º de Agosto, general Carlos Hendrick, é o director da Revista.
O editorial tem como titulo \"40 anos a engrandecer o desporto nacional\" e descreve o percurso de sucesso e agruras do clube militar: \"Nesta altura em que o 1º de Agosto completa 40 anos, fazemos uma reflexão da sua trajectória. Hoje, é comum falarmos da grandeza deste clube, mas o caminho até aqui não foi fácil: algumas etapas no passado submeteram-nos a tempos difíceis face à conjuntura do país\".
\"O 1º de Agosto cresceu, mas é preciso não nos esquecermos do envolvimento dos seus fundadores e antigos dirigentes. As suas acções permitiram ao clube ultrapassar barreiras e crescer como uma agremiação que luta pela vanguarda do desporto\", escreve.
Para o presidente Carlos Hendrick, o desafio actual é seguir vitorioso, manter a hegemonia do desporto nacional, o que reflecte também a criação de condições para abrir as alas para o futuro do 1º de Agosto, que começa com acções concretas no presente.
\"O  percurso, que pretendemos trilhar, é igualmente penoso, mas a nossa natureza combativa predispõe-nos para enfrentar este repto. Acreditamos que sairemos vencedores\".
 JF

EM 2018
Benfica do Lubango quer mais dinamismo

O basquetebol, atletismo, taekwondó, ténis de mesa, xadrez, ginástica, voleibol e futebol ganham novo dinamismo, no presente ano desportivo, dentro da direcção do Benfica Petróleo do Lubango. A equipa de Jacques da Conceição pretende imprimir um novo modelo de gestão para catapultar o clube no mosaico desportivo nacional. A pretensão dos encarnados do Lubango tem um senão: recursos financeiros. O presidente da agremiação desportiva, Jacques da Conceição, reconhece que sem o capital financeiro garantido \"é impossível perspectivar a vida de um clube\". Por outro lado, o sucesso da empreitada resulta da qualidade de recursos humanos à disposição para corresponder com os desafios.
Para responder aos desafios a que se propôs, Jacques da Conceição e companhia envidam esforços para encontrarem um patrocinador oficial. Enquanto não surge no mercado nacional, a direcção dá prioridade às \"questões possíveis\" com os escassos recursos.
O Benfica Petróleo do Lubango enfrentou dificuldades na época anterior, mas não desiste da promoção do desporto nacional. O funcionamento \"normal\" da instituição é garantido pelo \"amor\" dos membros.
\"Estamos animados por aquilo que alcançámos em 2017. A título de exemplo é o campo relvado. Agora, estamos em condições de assinar, brevemente, um protocolo com um patrocinador para marcarmos presença em todas as provas oficiais das modalidades praticadas no clube\", disse.
Sem revelar o nome do patrocinador, o presidente dos encarnados garantiu manter as conversações para consolidar o principal suporte da gestão do clube.
\"Precisamos sair do quadro provincial para marcarmos posição nos campeonatos nacionais. Só assim, vamos estar em condições de avaliar os activos formados no clube e lapidar os potenciais atletas com futuro garantido nos próximos três a quatro anos\", disse.
Jacques da Conceição sente-se \"não muito felizardo\", mas considera a gestão revestida de \"êxito\" por tudo quanto fez num clube que tinha apenas duas modalidades e menos de 70 atletas. Hoje, 657 atletas de diferentes escalões movimentam as oito modalidades.
\"Não estamos muito mal, mas precisamos fortalecer o nosso clube\", disse.
Quanto às infra-estruturas, o gestor assegurou que o clube \"tem uma outra visão de rentabilização\". As prioridades de momento são a fonte alternativa de iluminação do estádio, a repintura da sede do clube e do pavilhão gimnodesportivo.Diante da realidade, a \"boa vontade\" da direcção encontra a esperança \"no esforço abnegado\" do grupo para a construção de \"um Benfica mais acutilante e diferente de 2017\".
GH | NO LUBANGO

APOSTA NA QUALIDADE
Equipa da Huíla
forma técnicos


A aposta na formação de treinadores constitui uma das prioridades da direcção do Benfica Petróleo do Lubango, em 2018. Para dar sustentabilidade ao clube, a direcção de Jacques da Conceição assinou um protocolo de cooperação com as instituições de ensino superior, no ano passado, para formar quadros em Educação Física e Desportos e em Psicologia.
O presidente da agremiação encarnada sustentou que a formação académica e profissional se estende também à área administrativa para dar resposta à \"visão bastante profunda\". Só com a formação e a boa vontade de todos se vai \"pôr fim à falta de quadros competentes que enferma o desporto nacional\".
Jacques da Conceição sustenta que chegou o momento de mudar a concepção de que um ex-atleta pode transformar-se num grande treinador ou dirigente sem que tenha as competências qualificativas e académicas.
\"Temos de perceber que tudo carece de uma formação para se efectivar. Por isso é imprescindível mudar a concepção passada por não ser a via exequível\", defendeu.
Jacques da Conceição sustentou que se tornaram em \"grandes jogadores e dirigentes\" depois de um longo processo de formação, que obedeceu diferentes etapas.
\"É a sequência lógica das coisas e precisamos consciencializar e incentivar os nossos quadros existentes no mercado provincial a estudarem o desporto\", disse.
O Benfica Petróleo do Lubango trabalha com 10 estudantes finalistas do Instituto Médio Normal de Educação. No presente ano lectivo, vão frequentar o curso superior de Educação Física e Desporto no Instituo Superior de Ciências de Educação da Huila.
Tão logo o patrocinador assine o contrato, o dirigente garantiu a formação de treinadores no exterior do país.
GH | NO LUBANGO