Jornal dos Desportos

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Alain Prost elogia jovem piloto

26 de Maio, 2016

Max Verstappen tem talento

Fotografia: AFP

Alain Prost, quatro vezes campeão mundial, sabe uma ou duas coisas sobre os grandes pilotos da história da F1. O francês acredita que Max Verstappen mostrou muita coisa até aqui na F1, mas é melhor evitar comparações com pilotos que fizeram história.

A afirmação de que Max Verstappen tem talento para ser um dos grandes pilotos da sua geração e de todos os tempos é antiga, mas ganhou anda mais força depois da vitória no GP de Espanha. Alguém que entende de títulos, o tetra-campeão mundial Alain Prost, acha, porém, que não é bom que se faça tantas comparações.

As razões de Prost são várias. Primeiro, a injustiça de comparar o talento de alguém de 18 anos e um ano e meio de F1 a pilotos realizados que já acumularam glórias e marcas. Outra, porque é impossível saber como os grandes da história seriam tão novos. Prost lembrou que ele mesmo só conseguiu guiar um monoposto aos 19 anos por conta das regras da época. Max nem chegou a essa idade e não pode mais ser chamado de novato na F1.

"Todos somos diferentes. Pode fazer comparações ou não fazer, a única coisa que posso dizer é o que vi ano passado a mesma coisa que vocês. E o vi em provas privas na Áustria com a Red Bull, uma situação diferente. Parece maduro, calmo e muito forte. Lembra do ano passado quando teve o acidente em Mónaco?", questionou.

 "A forma em que respondeu as perguntas, como reagiu a quando estava forçando. Quando você tem 17 anos, isso tudo é instinto. Todo mundo é diferente, talvez Scumacher tivesse feito algo semelhante com mais arrogância, não sei, mas é melhor não comparar", disse.

Mas Prost elogiou. Falou que Verstappen pôde experimentar uma "pressão positiva" ao estrear da forma como fez em Barcelona. "Max não tinha nada que perder, mas no final das contas concluiu um final de semana perfeito sem qualquer erro. É realmente impressionante, todo mundo está a observar. Ele mostrou na pista e, especialmente, nas últimas voltas, quando os pneus estavam gastos, andou muito bem", referiu.

 Lembrou, por fim, que hoje o avanço de categorias é bem mais acessível que no passado. Para Prost os carros também são mais simples de serem guiados.
"É difícil. Claro que os carros de hoje são mais fáceis de conduzir que na minha época, mas os pilotos começam muito jovens. Quando Max tinha oito anos, já guiava kart ou algo assim. Ganha experiência com a forma como gerência os sistemas e carros diferentes", falou.

REACÇÃO
Toro Rosso descarta
antiga versão do motor


A Toro Rosso já se cansou de correr como  motor desactualizado. Condenado a uma temporada sem qualquer actualização da Ferrari, o chefe Franz Tost avisa que um novo acordo para 2017 é muito importante.

Franz Tos, chefe da Toro Rosso, tem um dilema em mãos. A equipa de Faenza é, comparando com outras equipas da F1, a mais distante de um acordo de fornecimento de motor para 2017. Os italianos conseguiram um contrato de última hora com a Ferrari para 2016, mas para receber uma versão desactualizada da unidade de potência. Para o próximo ano, a ideia é conseguir um componente plenamente actualizado.

 Claro, não é tão fácil assim. Equipas como Ferrari e Mercedes já estão com muitos clientes e não parecem dispostas a contar com mais um. A Honda não parece disposta a negociar com ninguém além da McLaren, enquanto a relação com a Renault contiua meio azeda.

 “Precisamos de ter a mesma versão. O ano passado a decisão foi tardia, estávamos encurralados, aceitamos o que nos foi oferecido. Agora é uma situação diferente, e queremos a mesma versão de todos para o próximo ano”, explicou Tost.

Para a Red Bull, equipa principal da marca de energéticos, a situação é muito mais simples. Os taurinos continuam com o motor Renault, mas agora rebaptizado como Tag-Heuer. Apesar dos tropeços de 2015, as duas companhias parecem dispostas a seguir juntas. O mesmo pode acontecer com a Toro Rosso.

 Enquanto o motor novo não chega, Carlos Sainz Jr e Daniil Kvyat sofrem com a falta de actualizações do motor Ferrari. Claro que se trata de uma boa unidade de potência, mas que está rapidamente sendo superada pela concorrência. Afinal, não faz sentido para a equipa de Maranello desenvolver actualizações apenas para a Toro Rosso.

PRETENSÃO
Nasr quer pontuar no Mónaco


Felipe Nasr regressa ao Mónaco com um desejo: que o surreal, como tantas vezes acontece no Principado, volte a atacar e ele consiga pontuar. É, no momento, a forma mais realista dele marcar tentos em 2016 com esta Sauber.

Um ano atrás, Felipe Nasr fez a sua estreia no GP de Mónaco e saiu-se bem. O nono lugar  colocou-o na zona de pontuação pela terceira vez em seis corridas até então com a Sauber. Desta vez, Nasr chega na expectativa de superar o que fez, mas em situação completamente  diferente: seriam os primeiros pontos da Sauber no ano.

 O piloto do número 12 elogiou a pista e disse que gosta muito de correr no estreito traçado tradicional de Monte Carlo. Embora o sonho seja conseguir pontuar - e o surreal muitas vezes dá as caras em Mónaco -, a realidade é muito mais cruel.

 "O GP de Mónaco é uma das melhores corridas do calendário. A pista fina das ruas de Monte Carlo é um desafio real - para nós pilotos assim como para o carro. Há uma linha fina entre a volta perfeita e levar ao carro ao limite. Eu realmente gosto de correr aqui, a atmosfera é muito especial", disse.

"O ano passado tive uma grande corrida durante a qual pude marcar pontos e terminar no nono lugar. Espero que possa voltar a ter um fim de semana positivo", encerrou.

Na mesma onda, Ericsson certamente tem a mesma expectativa. E também foi só amores com o traçado monegasco.
 "Monte Carlo tem uma longa tradição que torna a corrida uma das mais marcantes da F1. A pista é muito divertida e desafiadora ao mesmo tempo. Cada pequeno erro pode te colocar no muro. É tudo uma questão de guiar de forma precisa e ter a confiança no carro para usar cada centímetro da pista", avaliou.

 "Não posso esperar para correr em Monte Carlo. Eu, realmente, gosto da atmosfera do circuito, o que também a torna um dos pontos altos da temporada",  disse.
 A Sauber não participou dos testes colectivos em Barcelona. Sem dinheiro, em grave crise, enterrada em dívidas e com dificuldade de pagar salários, a tradicional equipa de Hinwil vê uma grande interrogação na sua mera existência.