Jornal dos Desportos

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Alessandro Zanardi busca ouro hoje

15 de Setembro, 2016

Antigo piloto da Fórmula Indy fez estreia nos Jogos Paralímpicos de Londres’2012

Fotografia: Dr

Alex Zanardi é um nome intrinsecamente ligado à Fórmula Indy. O italiano ostenta o título de bicampeão da categoria e faz furor nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro de 2016. Hoje, vai procurar alcançar a segunda medalha de ouro na prova de para-ciclismo, depois de conquistar ontem a medalha de ouro na prova de contra-relógio, com o tempo de 28min36s81s.

Alex Zanardi deixou a Fómula Indy no dia 15 de Setembro de 2001, quando saia dos boxes no autódromo de Lausitzig, na Alemanha. O canadense Alex Tagliani, a mais de 300 km/h, acertou o carro do italiano. A batida foi no meio e o bico do carro atingido foi completamente destruído. O corpo do piloto sofreu demais. Foi reanimado sete vezes, perdeu muito sangue. Por 15 minutos, a sua circulação ficou praticamente parada.

À chegada ao Rio de Janeiro, disse à imprensa: “De acordo com a ciência, não deveria estar aqui”. Zanardi não foi avisado disso e sobreviveu. No dia em que o acidente faz 15 anos, vai desafiar a ciência mais uma vez. O italiano é o favorito na prova de para-ciclismo de estrada.

As sequelas da batida foram enormes. A maior delas: Zanardi teve de amputar as duas pernas acima do joelho.
“No começo, foi muito difícil. Dependia de alguém 24 horas por dia. No começo, até urinar era um feito”, lembrou o atleta, em conferência de imprensa na Vila dos Atletas dos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro.

Aos poucos, o atleta percebeu que o acidente não iria acabar com a sua vida. A volta ao automobilismo foi rápida: em 2003 já estava a pilotar no Europeu de Turismo. A chegada ao desporto paralímpico demorou um pouco mais Em 2007, leu um artigo sobre o ex-piloto Clay Regazzoni, que perdeu os movimentos abaixo da cintura num acidente na Fórmula 1 e disputou a maratona de Nova Iorque com uma handbike. Inspirado, aceitou o convite para disputar a prova e terminou em quarto lugar: com só quatro semanas de preparação.

A oportunidade de vitória deixou-o animado e não parou mais. Dois anos depois, veio a primeira vitória, na maratona de Veneza. Era o início de uma carreira tão vencedora quanto aquelas a bordo dos carros de corrida.

Aos 49 anos, chegou ao Rio de Janeiro com três medalhas olímpicas, duas das quais de ouro (contra o relógio e na prova de estrada de Londres'2012), e oito títulos mundiais. No Rio'2016, já levou um ouro, no contra-relógio.

Das pistas de corrida, trouxe o conhecimento mecânico e de aerodinâmica. Tanto que projectou (com ajuda de engenheiros da BMW, a sua patrocinadora) e construiu (com peças fabricadas especialmente pela Dallara, empresa italiana que já forneceu chassis para a F-1 e F-Indy) a sua handbike, aquele triciclo que os atletas usam nas provas mais longas, em que os pedais são girados com as mãos.

Para o Rio de Janeiro, usando as informações de percurso e altimetria, adaptou o equipamento para as características do percurso que vai encontrar: acertou a sua posição na cadeira e alguns ângulos de peças da bicicleta.

“A prova acontece na orla do Rio. Não temos muitas subidas e descidas, o que torna a aerodinâmica muito importante. Principalmente na prova de estrada. Tudo é decidido nos últimos metros”, explica.

Zanardi tem uma relação especial com o Rio de Janeiro. Em 1996, conquistou a sua primeira pole position na Fórmula Indy justamente na cidade, em prova disputada no extinto autódromo de Jacarepaguá, que deixou de existir para a construção do Parque Olímpico da Barra.


MEDALHA DE BRONZE
Polaco paga
boda a sogro


Adrian Castro, da esgrima paralímpica da Polónia, ganhou a medalha de bronze dos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro e a conta da sua festa de casamento. Pelo menos é o que avisa o seu sogro, o também esgrimista Grzegorz Pluta.

“Ele ganhou uma medalha de bronze. Com o prémio, vai poder pagar pelo casamento”, disse o sogro, que chegou ao Rio de Janeiro para defender o ouro de Londres'2012. Os dois enfrentaram-se justamente na decisão pela medalha no Rio.

Após a vitória por 15 a 8, o genro até tentou incluir uma aposta para se livrar do débito.
“Antes da luta, disse-lhe que o perdedor pagaria pelo casamento”, tentou Adrian.

“Nada disso. Eu acabei de perder uma medalha de bronze. Quem ganhou o dinheiro foi ele”, rematou Pluta.
Aos 25 anos, Castro era um dos favoritos ao título no Rio de Janeiro. Número 1 do ranking mundial, também é o actual campeão mundial do sabre categoria B. Na meia-final, na Arena Carioca 3, porém, foi superado pelo ucraniano Anton Datsko, tetracampeão mundial.

A relação do novo medalhista paralímpico com a sua noiva começou justamente por causa do sogro: “Conheci-a durante um treino de campo há quatro anos. Estava a acompanhar o Grzegorz no evento. Tudo começou ali”, explicou.

Desde então, Castro e Pluta passaram a treinar juntos. Não pela filha, mas pelo status das suas carreiras. O primeiro é a estrela em ascensão. O segundo, o veterano com títulos paralímpicos. “Treinamos juntos todos os dias. E conhecemo-nos bem. No Mundial de 2015, já nos enfrentamos. Eu tinha vencido também”, disse o sogro.