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Alexandre pretende nova marca

Silva Cacuti - 23 de Dezembro, 2014

Fundista do Interclube (398) treina para corrida de fim de ano sem apoio das instituições do Bié e promete manter os altos níveis de confiança para honrar o clube

Fotografia: AFP

O fundista da província do Bié, João Alexandre, estabeleceu a entrada para a casa dos 29 minutos,  como meta da sua participação na 59ª edição da São Silvestre de Luanda. O melhor angolano na São Silvestre do ano passado (com 30min29s) refere que está na fase final da sua preparação.

“Estou a preparar-me bem para defender a distinção de melhor angolano nessa prova. Atravesso a boa forma desportiva e penso baixar o meu tempo este ano: correr dentro do 29min10s ou 29min15s”, perspectivou.

Atleta afecto ao Interclube, João Alexandre tem representado a província do Bié e integra a selecção local. Contudo, desde que começou a preparação, o atleta desconhece qualquer apoio das estruturas governativas locais ou da Associação Provincial de Atletismo. João Alexandre já se diz habituado à indiferença em relação ao seu trabalho. “Já nem adianta falar”, diz à propósito.

O corredor alterna os períodos de preparação, mediante as condições climáticas. “Se chover pela manhã, corro de tarde”, disse. À excepção de Francisco Caluvi que por razões profissionais se encontra na cidade de Benguela, todos os representantes das principais de referências do fundo angolano cumprem os seus planos de preparação, com vista à melhoria de performances na 59ª São Silvestre.

Avelino Ndumbo, que está em processo de transferência do Interclube para o Petro de Luanda, disse à nossa reportagem que a sua preparação corre sem sobressaltos na cidade de Lubango. No mesmo palco (Lubango) preparam-se também os corredores Francisco Chamane, Luís Kuvíngua e David Elias.

De realçar, que os melhores corredores angolanos desta edição da prova vão receber prémios da NCR. A empresa angolana vai montar uma meta volante na sua loja, aos Combatentes, em que o primeiro corredor angolano que a cruzar vai receber um GPS “tomtom”. Os prémios estendem-se aos três primeiros angolanos que cortarem a meta no Estádio dos Coqueiros.

A NCR vai oferecer ao primeiro angolano um computador portátil, ao segundo classificado, um tablet, enquanto o terceiro lugar tem direito a um GPS “tomtom”. A NCR vai também oferecer relógios “tomtom” aos atletas mais velhos da prova. Ontem, a organização da prova e a equipa técnica do Governo Provincial de Luanda fizeram a segunda vistoria ao percurso da corrida.

Manuel António
exalta compatriotas


O corredor angolano, Manuel António, encorajou ontem no Lubango os seus compatriotas participantes na 59ª edição da corrida de fim de ano, a São Silvestre de Luanda, que sai à rua, às 18h00, do último dia do ano, a ter vontade, coragem e determinação para alcançar resultados positivos, durante a prova mais importante do calendário de competições da Federação Angolana de Atletismo.

O meio-fundista, que se encontra no Brasil a beneficiar de uma bolsa de estudo, no âmbito da Solidariedade Olímpica, admitiu que a prova é dura, dado o alto nível competitivo dos atletas estrangeiros, principalmente, quenianos, etíopes e eritreus. Para constarem entre os 29 primeiros classificados, Manuel António disse que a receita dos angolanos passa pela boa preparação para entrar na casa dos 31 minutos. Para além da condição física, disse, “há condições psicológicas que levem a atingir esse tempo”.

“O nosso desporto nacional é feito com muita garra e determinação, apesar da falta de incentivos, o que dificulta correr abaixo dos 30 minutos nos dez quilómetros. Contudo, vamos apoiar os nossos fundistas para que consigam finalizar a prova entre os dez ou 20 primeiros classificados”, disse. Manuel António apelou aos angolanos participantes da São Silvestre de Luanda a não baixar a guarda, quando se depararem com um adversário numa posição adiantada. Quem se preza em vencer uma prova, “deve vencer  barreiras psicológicas: a vontade e a coragem sobrepõem-se ao sacrifício de alcançar os intentos”.

Quanto ao jogo de equipa que se propala nos últimos anos, Manuel António disse que “muitas vezes não funciona por ser uma prova com muita rapidez à partida”. Os atletas dispersam-se após o tiro de largada e isso dificulta a estratégia de equipa. “Quem tiver velocidade à partida consegue acompanhar os estrangeiros nos primeiros quilómetros, onde são mais fortes e velozes. Não há grupo que consiga ter todos os atletas com o mesmo nível de arranque”, justificou.

ATLETA VAI CORRER
a sua participação na 59ª edição da São Silvestre de Luanda, sem grandes ambições. O atleta de meio fundo almeja melhorar a marca pessoal, uma recomendação do seu treinador.  “É uma força que trago do Brasil. Treinei um pouco especificamente para dez quilómetros, apesar de ser atleta de meio fundo e espero constar entre os 20 primeiros classificados”, disse.
GAUDÊNCIO HAMELAY- LUBANGO