Jornal dos Desportos

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Alonso abandona na prxima temporada

Paulo Pinha - 18 de Agosto, 2018

Grande Prmio de Abu Dhabi, a disputar a 25 de Novembro no circuito de Yas Marina, ser o ltimo do piloto da Mclaren-Renault

Fotografia: AFP

O piloto espanhol Fernando Alonso, bi-campeão do Mundo, anunciou o fim da sua carreira na Fórmula 1, quando terminar a presente temporada. O Grande Prémio de Abu Dhabi, a disputar a 25 de Novembro no circuito de Yas Marina, será o último do piloto da Mclaren-Renault.
O encerramento da ligação à principal categoria do desporto automóvel, não significa o fim da sua carreira desportiva. Longe de pendurar o capacete, o piloto de 37 anos, natural de Oviedo, capital da província da Astúrias, tem planos para prosseguir a carreira ao mais nível no Campeonato do Mundo de Resistência e na IndyCar.
Fernando Alonso utilizou, esta semana, as redes sociais para anunciar a decisão e aguçou a expectativa, quando “postou” o vídeo de um relógio em contagem decrescente. Há muito que se especulava sobre o futuro desportivo do primeiro e único piloto espanhol a vencer um Grande Prémio e o Mundial de Fórmula 1.
O insucesso da Mclaren nos últimos quatro anos de ligação ao piloto, devido ao fiasco do envolvimento da Honda como fornecedor de motores até ao ano passado e à instabilidade interna da equipa britânica, com sucessivas mudanças de funções e de saídas de técnicos, terá levado Fernando Alonso a bater a porta à Fórmula 1, depois de uma longa sequência de sucessos e infortúnios.
Sob contrato da Renault, o “Príncipe das Astúrias” estreou-se no Grande Prémio da Austrália em 2001, ao volante de um Minardi-Ford, a modesta equipa que hoje chama-se Toro Rosso, depois de triunfar em todas as categorias de formação.
Com três anos de idade, gastou os primeiros litros de gasolina ao volante de um kart construído pelo pai, engenheiro de profissão. Em 1988, aos sete anos, venceu o primeiro campeonato regional da categoria. Daí em diante, abraçou uma carreira nesta categoria de iniciação que culminou com o título de campeão do Mundo em 1996.
A passagem aos monolugares aconteceu naturalmente e os resultados surgiram com a mesma facilidade. Sob contrato da Renault, venceu o campeonato internacional de Fórmula Nissan, posteriormente designado Fórmula 3.5 V6, uma ante-câmara da Fórmula 1 na época.
Depois de um ano como piloto de testes e de reserva, ascendeu à equipa oficial da Renault, conseguindo a sua primeira vitória no Grande Prémio da Hungria em 2003, aos 22 anos. Confirmando o talento inato, venceu os campeonatos do Mundo de 2005 e 2006, suplantando rivais de “peso” como Michael Schumacher e Kimi Raikkonen.
Fechado o capítulo da Renault, ingressou na Mclaren-Mercedes com grandes expectativas. A temporada revelou-se um fiasco para a equipa, que privilegiou o estreante Lewis Hamilton. Os dois pilotos terminaram o campeonato ex-aequo em 2.º e 3.º lugares, a um ponto do vencedor Kimi Raikkonen, piloto de Ferrari.
De regresso à Renault, seguiu o “caminho das pedras” durante dois anos com um carro pouco competitivo. Mesmo assim, conseguiu vitórias esporádicas, “arrancadas a ferros”.
O ingresso na Ferrari em 2010 abriu novas esperanças a Fernando Alonso e mais frustrações. Erros cometidos pela equipa e carros de qualidade inferior aos dominantes Red Bull-Renault, não permitiram mais do que três vice-campeonatos.
Desiludido com a Ferrari, que piorou no ano seguinte, para retomar a curva ascendente em 2016, o piloto espanhol aceitou o regresso à Mclaren, que prometia muito com a entrada em cena da Honda como fornecedora de motores. As novas unidades de energia, que englobam um propulsor de combustão turbo com sistemas híbridos de recuperação de energia, revelaram-se um fiasco, motivando o divórcio entre a equipa japonesa e o construtor japonês.
A mudança, este ano, para o motor da Renault não provocou o efeito esperado e, talvez por isso, Fernando Alonso tenha tomado a decisão de abandonar a Fórmula 1 no auge da suas capacidades. O 9.º lugar que ocupa actualmente na tabela classificativa, após doze corridas, não faz justiça ao seu talento.
Como disse Zak Brown, director-geral da equipa Mclaren, depois de conhecida a notícia, Fernando Alonso é “provavelmente o melhor piloto da sua geração e, sem dúvida, um dos grandes da Fórmula 1”.
Em 303 corridas, conquistou 32 vitórias, 22 “poles positions” e 97 pódios. Com o Mclaren-Renault actual, é improvável que melhor o palmarés. As nove provas que restam serão uma espécie de “turné de despedida”.
Pela frente, Fernando Alonso enfrenta novos desafios. A conquista do Campeonato do Mundo de Resistência, para protótipos e carros de Grande Turismo, ao serviço da Toyota, é um deles. Este ano, venceu as duas primeiras corridas, incluindo a mítica 24 Horas de Le Mans.
No outro lado do Oceano Atlântico, espera-o o campeonato de IndyCar, cuja corrida de cartaz, as 500 Milhas de Indianápolis, está no seu “ponto de mira”, depois de ter falhado o “alvo” por pouco, em estreia no ano passado, quando desistiu a 20 voltas do fim, depois de ter liderado. A lenda continua, como costumam dizer os aficionados, ao referirem-se a grandes desportistas.