Jornal dos Desportos

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Alonso reconhece que vive momento complicado

13 de Maio, 2015

Há dois anos sem vitórias, Alonso revela tristeza com período de transição, mas confia

Fotografia: AFP

Há dois anos sem vitórias, Alonso revela tristeza com período de transição, mas confia: “Voltarei a vencer em breve”.

Depois de abandonar o GP de Espanha devido a um problema inusitado que prejudicou o funcionamento do sistema de travões da McLaren, Fernando Alonso reconheceu que vive um momento complicado e espera voltar a vencer em breve, mas minimizou o período sem vitórias na F1.

Há dois anos, Fernando Alonso brilhava com a Ferrari diante dos seus fãs e com uma estratégia perfeita, conquistava a 32ª e última — ao menos por enquanto — vitória na F1. Desde o triunfo no GP de Espanha de 2013, o bicampeão chegou a lutar pelo título mundial desse ano, vencido por Sebastian Vettel e desde o ano passado mergulhou numa espiral descendente na carreira.

No fim do ano passado, Fernando, insatisfeito por não ter conseguido levar a Ferrari de volta ao caminho dos títulos, optou por deixar Maranello e voltar para a McLaren como líder de um ambicioso projecto, que compreende também o regresso da Honda à F1 como fornecedora de motores. Mas o início do novo capítulo, da sua passagem por Woking, tem sido frustrante.

Em cinco corridas na temporada 2015, Alonso teve como melhor posição em corrida o 11º lugar no GP do Bahrein. O asturiano, que tinha esperanças de ao menos alcançar o top-10 no GP de Espanha e somar seus primeiros pontos no Mundial, amargou mais um abandono no campeonato, desta vez, por conta de um motivo inusitado: uma sobreviseira jogada pelo piloto entrou de forma ocasional no ducto de freio do MP4-30, que levou Fernando a abandonar a prova para preservar a sua segurança.

Ontem, Alonso mostrou-se  resignado com o actual momento na F1, nesta fase, em que tenta levar a McLaren de volta ao topo da categoria. “Seria muito injusto ficar triste ou descontente. Sou piloto de F1, sou bicampeão do mundo, sou quem tem mais pontos em toda a história da F1, tenho a melhor família do mundo”, declarou o espanhol em entrevista ao diário AS, de Madrid.

“Estou triste porque estou num período de transição, que vai durar um tempo X para voltar a vencer em breve”, declarou Fernando. Entretanto, o piloto minimizou o jejum de vitórias. “Ter um troféu a mais ou a menos na vitrine da minha casa é um problema de ego ou de coisas materiais, e isso, agora não me faz falta”, acrescentou.

Alonso também partiu em defesa de Jenson Button, seu companheiro de equipa, que ficou insatisfeito com o desempenho de um carro “assustador” no GP de Espanha e disse que não espera pontuar em 2015.

Na visão de Fernando, o britânico falava ainda de cabeça quente. “Domingo foi uma corrida difícil para nós. Desde Fevereiro, temos enviado mil mensagens positivas,  ontem ele soltou uma pequena frase negativa que teve muita repercussão porque levou a manhã toda para responder à mesma pergunta. Temos de entendê-lo.”

Apesar do cenário desanimador da McLaren, que tem em 2015 o pior início de temporada da sua história, Alonso mantém o discurso optimista e acredita, que em algum tempo, a equipa vai ter condições de lutar pelo topo da F1.

“Para isso é que estou na McLaren Honda, para tentar ganhar, sobretudo bater a Mercedes,  para isso você precisa de adoptar uma abordagem inovadora e agressiva, porque há uma grande vantagem,  tomara que a aposta da Honda dê seus frutos no futuro mais breve possível”, afirmou o bicampeão, que voltou a depositar as suas fichas no melhor desempenho do MP4-30 dentro de duas semanas, nas duas de Monte Carlo, onde a McLaren-Honda fez história pelos vários triunfos conquistados por Ayrton Senna. “Mónaco é o circuito que menos exige do motor. Sabemos que nos falta performance no motor,  seguramente em Mónaco vamos poder suprir isso um pouquinho,  tomara  possamos ser mais competitivos em curvas”, concluiu.


Tudo ou nada
Dois anos sem vitória do espanhol


Desde o 12 de Maio de 2013, Fernando Alonso, disputou 37 GPs, dos quais 33 pela Ferrari e os últimos quatro pela McLaren. Depois do seu grande triunfo na Catalunha com a F138, o asturiano teve uma temporada muito consistente em termos de resultados,  embora tenha sido vice -campeão nesse ano, não conseguiu fazer frente ao avassalador Sebastian Vettel, que facturou o tetracampeonato pela Red Bull com três corridas de antecipação, na Índia.

Em 2013, Alonso ainda subiu ao pódio em seis etapas: Canadá, Inglaterra, Bélgica, Itália, Singapura e Interlagos. No geral, foram 11 top-5 nas últimas 14 corridas daquele ano, tirando vantagens de um carro que evoluiu no fim da temporada e foi capaz de entregar resultados positivos também a Massa. No fim da geração dos motores V8 aspirados de 2,4 L, Alonso empancava mais uma vez e com isso facturava o seu terceiro vice em cinco anos na F1.

Com a chegada de 2014, a F1 inaugurou a era dos polémicos e silenciosos motores turbo V6 de 1,6 L. Mas não é injusto chamar tal período “era prateada” graças ao domínio acachapante da Mercedes diante dos seus adversários. Pior para Alonso, que teve um ano bem difícil com a F14 T, que não tinha o melhor rendimento das novas unidades de força.

Assim, Fernando garantiu apenas dois pódios em 19 etapas, obteve o segundo lugar no GP da Hungria como seu melhor resultado no ano. No geral, o espanhol terminou apenas em sexto, com 161 pontos, muito longe do almejado pelo piloto e pela própria Ferrari.

Alonso mantém optimismo

Nos dias anteriores ao GP de Espanha, Fernando Alonso, deu entrevistas nas quais relatava a confiança que tinha em relação à prova de domingo. No entanto, o espanhol viu os freios da McLaren terem problemas e foi obrigado a abandonar a pista em Barcelona ainda na 28ª volta. Mesmo assim, o bicampeão mundial está optimista quanto ao desempenho do MP4-30 no restante do campeonato.

“Nós acreditávamos que ir para duas paradas era uma possibilidade. As simulações davam-nos uma previsão de acabar em oitavo ou em nono (lugares) e ali estávamos. Não aconteceu e agora é tentar melhorar para a próxima prova”, analisou o espanhol depois da corrida. Apesar de ainda não ter pontuado no Mundial 2015, Fernando Alonso faz questão de manter o discurso de confiança e afirma, que o carro deve estar melhor para o GP de Mónaco, no dia 24 de Maio. “Acredito, que em Mónaco, levaremos coisas novas para o motor e aerodinâmica”, disse Alonso, que abandonou duas das cinco corridas da temporada. “Estávamos a lutar entre os últimos desde a primeira corrida.