Jornal dos Desportos

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Alonso v ttulo prximo

28 de Março, 2016

Alonso v ttulo prximo

Fotografia: AFP

Renascido  do "vale da morte", Fernando Alonso regressou "à terra" com discursos directos e motivado para voltar a inscrever o seu nome na lista de campeões mundiais. Na semana da segunda prova do calendário de época 2016, o piloto da McLaren está optimista e assume que a equipa inglesa é a única capaz até para quebrar a hegemonia da poderosa Mercedes na F1.

Num discurso revestido de motivação, o espanhol asseverou que a McLaren Honda, mesmo depois de todos os problemas em 2015 e um início promissor em 2016, tem um projecto forte e suficiente para subir na liderança do Mundial.Depois de trocar a Ferrari pela equipa de Woking no final de 2014, com a meta de respirar novos ares e alcançar o terceiro título da carreira, Fernando Alonso esqueceu que teve uma época desastrosa no primeiro ano da reedição da parceria entre os ingleses e a Honda. Com olhos no futuro, acredita que está no lugar certo para voltar a vencer o Mundial.

"O projecto é ganhar mais um título e a única que pode fazer isso é a McLaren; é a única que pode quebrar o domínio da Mercedes", afirmou o piloto de 34 anos.Em entrevista ao canal inglês Channel 4, Fernando Alonso disse que "é preciso tempo, porque, infelizmente, na F1 não existem soluções mágicas"."Vejo a equipa numa boa direcção. Estou no lugar certo, mas como desportista, como fã, muitas vezes não temos tempo para esperar o projecto amadurecer e obter o resultado que queremos. Ficamos ansioso. Isso é compreensível", asseverou.

Na avaliação da performance da McLaren Honda, o espanhol não pestanejou: "Acredito que esse é o carro que poderia bater a Mercedes. Todo o mundo gostaria de ganhar e ser campeão, mas agora os únicos que podem fazer isso são Lewis (Hamilton) e Nico (Rosberg). Estão a lutar pelo campeonato e espero estar nessa batalha em breve".O piloto asturiano sofreu na abertura da época, na Austrália, um dos piores acidentes dos últimos tempos na F1.

O contrato de Fernando Alonso com a McLaren vai até o fim de 2017, mas o director de corridas da equipa de Woking, Éric Boullier, pediu ao piloto para estender o acordo como forma de colher os frutos dos seus esforços actuais.A Mercedes tem outra visão sobre a adversária que pode ofuscar os objectivos para a presente época e a Mclaren Honda não consta da lista. Niki Lauda vê a Ferrari como uma grande e real ameaça ao domínio da equipa alemã. O austríaco assume que a disputa pelo título vai ser mais acirrada.

"Acho que vamos ver ainda mais, porque a Ferrari está muito bem. Não há dúvida sobre isso", disse.O presidente não-executivo da equipa alemã, que já lidera o Mundial de Construtores, sustenta a sua posição na força exibida pela equipa italiana no Grande Prémio da Austrália, a primeira da época.

A esquadra italiana mostrou força na corrida que abriu a época ao largar bem, tomar a liderança e abrir vantagem sobre os carros prateados.Só que, apesar da estratégia agressiva, a equipa de Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen sucumbiu depois da bandeira vermelha, causada pelo acidente de Fernando Alonso. A Mercedes trabalhou melhor na táctica e conseguiu virar o jogo. Venceu a prova na Austrália com Nico Rosberg. Lewis Hamilton completou a dobradinha.

Ainda assim, Niki Lauda vê os italianos muito mais fortes que na época passada. O chefe da Ferrari, Maurizio Arrivabene, compartilha da opinião do rival e acha que o ponto forte do carro vermelho é o ritmo de corrida. "Estamos lá e essa é a grande notícia", vibrou o italiano.Arrivabene sustentou que "o ritmo de corrida é muito bom; o carro é muito bom"."Não vamos desistir de melhorá-lo. Temos de continuar a trabalhar, porque cada etapa é uma história diferente. Agora, só precisamos virar a página do que aconteceu na Austrália e tentar aprender para fazer melhor em Bahrein", acrescentou.

DECISÕES
Hamilton rebate críticas de Whiting


Em reacção às críticas do director de provas da F1, Charlie Whiting, Lewis Hamilton voltou a insistir que o comando da categoria rainha do automobilismo mundial deve procurar ouvir mais os pilotos. Depois de toda a polémica a envolver a nova classificação no Grande Prémio da Austrália, Whiting chegou a dizer que o inglês, embora critique severamente a categoria, também não participa das reuniões e citou a ausência do inglês da Mercedes no encontro que teve com os competidores, em Barcelona, ainda durante os testes da pré-época.

"É interessante ver que Charlie reclamou de mim. É verdade que não estive na reunião em Barcelona, mas isso só aconteceu, porque estava com os engenheiros da Mercedes", disse o tricampeão em declaração ao jornal alemão 'Kolner Express'. Lewis Hamilton rebateu com profundidade a posição do director de corridas da F1.

"Mas também é verdade que raramente algo é feito como resultado das nossas observações nesses encontros. Na maioria das reuniões em que estive, Sebastian Vettel foi o único que falou. Então, por que tenho de ir? Posso ler o que aconteceu depois", alfinetou o britânico.
Para uma convivência salutar, o tricampeão mundial sustenta que "as pessoas responsáveis pelas regras da categoria deveriam, ao menos, consultar os pilotos"."Por exemplo, agora, temos um único manípulo de embraiagem, mas isso tornou as largadas mais difíceis? Não, não tornou", insistiu Hamilton.

PROBLEMAS
Espanhol descarta “solução mágica”


Fernando Alonso voltou a falar sobre as suas expectativas para a época 2017. O bicampeão disse que a F1 não deve desperdiçar a oportunidade de mudar completamente e tornar-se de novo num 'desporto de macho'.O piloto de 34 anos critica constantemente os rumos recentes tomados pela maior das categorias ao afirmar que os carros são lentos demais e não proporcionam a mesma emoção de antes. Para Alonso, o Mundial precisa voltar ao normal. Além disso, Fernando entende que as actuais regras são complexas demais e que isso também é um motivo para afastar os fãs.

Apesar de tudo, o asturiano da McLaren tem esperanças de uma séria transformação deste cenário no futuro. "O mais importante é tornar os carros mais rápidos e fazer da F1 um desporto de macho. E este é o plano para o próximo ano. Há um entendimento de que precisamos mudar e espero que a F1 tome a direcção certa", disse o piloto.

"Todos queremos melhorar o desporto, melhorar as corridas e agradar o público. Não há uma solução mágica para isso. Todos os anos são feitos ajustes no regulamento. Mas o ponto principal para mim são os carros. Os pneus, o peso do carro. Estamos quase 125 quilogramas mais pesados do que éramos há alguns anos. Quer dizer, algumas mudanças na F1 não foram tão rápidas quanto deveriam ter sido", explicou.

Ainda assim, Alonso afirmou que há uma memória curta dos fãs quanto a campeonatos acirrados. "Apesar de tudo, vivemos disputas apertadas nos últimos anos. 2010, 2012 e até 2008, com Lewis Hamilton e Felipe Massa. Nos últimos tempos, o desporto é muito criticado, mas o espectáculo sempre esteve lá", disse.Fernando Alonso pela calma na análise das transformações que se pedem à categoria.Os carros devem ser mais rápidos no próximo ano, de modo que estamos constantemente a mudar e procurar melhorias, mas insisto que não há uma solução mágica para isso", acrescentou.

VILLENEUVE CRITICA
O ARTIFICIALISMO

Jacques Villeneuve foi mais um que criticou o momento da F1. Para o campeão mundial de 1997, a categoria deve deixar de lado a artificialismo e pensar mais no lado desportivo que o de entretenimento. Villeneuve fez as duras críticas ao momento da F1 e deixou claro que não gosta de ver a categoria virada mais para entretenimento do que desporto."Tentar transformar a F1 num show é o caminho errado. A F1 não pode virar artificial, querer copiar Hollywood. Isso pode destrui-la", disse ao  'Le Figaro'.

CLASSIFICAÇÃO
Red Bull e McLaren
votam contra decisão


Não foi fácil a reunião entre as equipas, a FIA e a FOM na última quinta-feira. O encontro teve como objectivo decidir qual formato de classificação a F1 vai obedecer na época 2016. A rigor, isso ainda não está completamente acordado, já que a Comissão de F1 optou, ao menos por enquanto, manter o polémico modelo de treino usado no Grande Prémio da Austrália. A ideia é avaliar melhor a nova sessão que define a grelha. Por isso, as equipas concordaram em manter  o sistema para a etapa do Bahrein, na presente semana.

Só que o acordo veio depois de muita discussão. A McLaren e a Red Bull rejeitaram a proposta inicial da FIA, que era a de optar por um sistema misto de classificação.  Ou seja, a iniciativa era manter o Q1 e o Q2 no formato de eliminação dos pilotos a cada 90s, enquanto o Q3 passaria a ser disputado dentro das regras do modelo usado até o ano passado, segundo informações do site 'Motorsport.com'.

Acontece que as duas equipas se colocaram contra essa proposta alternativa. Como qualquer mudança neste ponto do campeonato exige a unanimidade, o caminho foi mesmo foi manter o novo formato, até por conta do prazo apertado para promover uma mudança concreta.
Na verdade, de acordo com a reportagem, a FIA não deixou na mesa outro plano para debate, o que causou a revolta das equipas. Daí o voto contra de McLaren e Red Bull.

A nova classificação, que foi disputada em Melbourne no estilo eliminação, foi alvo de críticas severas de pilotos, equipas e dos próprios dirigentes, especialmente pela confusão provocada no Q3, que tirou a emoção da luta pela posição de honra. Ainda na Austrália, a F1 decidiu voltar atrás e retomou o formato antigo já para a etapa no Bahrein. Mas, numa nova reviravolta, a decisão agora é de manter o modelo aprovado antes do início do campeonato.

Certamente, os chefes da F1 vão reunir-se novamente no Bahrein para tentar decidir por um formato definitivo para o restante da época e parece que as equipas vão querer mesmo voltar ao sistema antigo na sua totalidade, segundo a publicação.A confusão chegou também numa semana em que os pilotos se manifestaram por meio da GPDA, a Associação dos Pilotos de F1. Na carta aberta, os competidores pediram mudanças no comando do Mundial.