Jornal dos Desportos

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Altitude dificulta pilotos no Grande Prémio do México

01 de Novembro, 2015

Sexta-feira as actividades no GP do México tiveram Max Verstappen a liderar o seu primeiro treino na carreira na F1

Fotografia: AFP

Quem explica os motivos para isso é Felipe Massa: "É uma pista que tem muitas coisas diferentes em relação aos outros circuitos, principalmente a altitude. É mais difícil fisicamente para os pilotos, para o carro, para o motor e para a parte aerodinâmica", disse o piloto brasileiro.

"Mesmo usando o máximo de carga aerodinâmica possível no carro, nessa pista temos menos downforce do que em Monza, onde utilizamos a menor asa possível. Isso é um dos efeitos da altitude. Então devemos ter uma velocidade de recta do nível de Monza, mas com carga aerodinâmica inferior. É uma mudança radical."

Isso ocorre porque, como o ar é mais rarefeito em comparação com regiões que estão mais próximas ao nível do ar, ele apresenta menos resistência, dificultando a estabilidade dos carros. Em outras pistas, isso é resolvido aumentando a inclinação das asas, para oferecer maior resistência. Mas nem isso é suficiente no caso da cidade do México.

Com isso, a expectativa é de que a maior velocidade registada até aqui na temporada, os 257,3km/h de Kimi Raikkonen no GP da Itália, seja superada com folga. "Além da pouca resistência, a recta aqui é uma das maiores do campeonato", disse Massa. Nos primeiros treinos livres, a marca já foi ultrapassada, com os carros chegando a 363km/h e a expectativa é de que as velocidades sejam ainda maiores na classificação.

O brasileiro apontou ainda a refrigeração dos sistemas como outra questão a ser observada neste final de semana.

"A refrigeração dos travões é um problema, assim como a refrigeração do motor também é. Tudo é diferente em relação aos outros circuitos. Então é um final de semana importante, em que o trabalho tem de ser bem feito em todos os momentos para que não tenhamos nenhum tipo de problema."

FALTA DE ADERÊNCIA
PREOCUPA PILOTOS

A falta de aderência no Hermanos Rodríguez foi praticamente um tema certo na declaração dos pilotos após o primeiro dia de actividades para o GP do México. Max Verstappen e Nico Rosberg lideraram os treinos livres.

Sexta-feira as actividades no GP do México teve Max Verstappen a liderar o seu primeiro treino na carreira na F1. Na sequência, foi a vez de Nico Rosberg andar na frente, mostrando que a Mercedes, mais uma vez, deve ser a equipa a ser batida.

 No segundo treino livre, atrás de Rosberg, que virou 1min21s531, apareceu o russo Daniil Kvyat, da Red Bull. Daniel Ricciardo apareceu na sequência, dando sinais de força com a equipa austríaca. Tricampeão, Lewis Hamilton veio atrás, 0s430 mais lento que Rosberg.

Sebastian Vettel ficou com o quinto luga no TL2, 0s453 atrás do compatriota da Mercedes. Seu companheiro de Ferrari, Kimi Räikkönen, foi o sexto melhor. Valtteri Bottas fechou o dia em sétimo, 1s1 atrás.

 Quem parece realmente ter melhorado é a McLaren. Oitavo e nono, respectivamente, Fernando Alonso e Jenson Button fizeram bons trabalhos na sexta-feira.


Decisão
Piloto Gutiérrez recebe segunda oportunidade


Sem surpresas, a Haas anunciou na noite de sexta-feira, na Cidade do México, que Esteban Gutiérrez formará a dupla com Romain Grosjean na temporada de estreia da equipa norte-americana na F1. Para o mexicano, é uma rara segunda chance na categoria depois de correr por dois anos na Sauber, porém sem convencer.

Esteban Gutiérrez está oficialmente de volta a grelha da F1 para a temporada 2016. Nascido em Monterrey, o jovem de 24 anos foi confirmado na noite de sexta-feira, na cidade do México, como o segundo piloto da debutante norte-americana Haas para o Mundial do ano que vem.

O anúncio não chega a ser uma surpresa, uma vez que a equipa chefiada por Gene Haas e Günther Steiner sempre deixou claro que buscava ter como titular um dos reservas da Ferrari, que será a sua fornecedora de motores e parceira técnica. E o anúncio previamente marcado para esta sexta-feira no México, às vésperas da 17ª etapa do Mundial de F1, deixou tudo evidente que seria mesmo Gutiérrez o companheiro de equipa de Romain Grosjean em 2016.

 Para Esteban, trata-se de uma rara segunda chance que a F1 não costuma oferecer aos seus pilotos. O mexicano surgiu com bom destaque nas categorias de base e foi campeão na F-BMW Europeia, em 2008, e na GP3, em 2010. A partir daquele, Gutiérrez passou a ter ligações mais estreitas com a Sauber, participando de sessões de testes privados com a equipa suíça.

A sua promoção natural à GP2 ocorreu em 2011. Foram dois anos na categoria que é o último degrau antes da F1. Gutiérrez teve uma performance razoável no primeiro ano e boa em 2012, quando terminou em terceiro lugar e venceu três corridas. No fim de semana do GP do Brasil daquele ano, graças à força do patrocínio das empresas de Carlos Slim, o latino-americano foi confirmado pela Sauber como titular em substituição a Sergio Pérez, que estava de partida para a McLaren. Mas a partir daí, sua jornada no automobilismo foi de muito aprendizado, mas de resultados escassos.

 Gutiérrez teve como seu primeiro companheiro de equipa o forte Nico Hülkenberg. E o mexicano foi simplesmente esmagado pelo parceiro mais experiente. Tudo o que Esteban conseguiu fazer em termos de resultados foi um sétimo lugar no GP do Japão, que lhe valeu seus únicos pontos na F1. Como prova de que o C32 não era um carro ruim, Hülkenberg somou nada menos que 51 pontos. Já no ano seguinte, tendo ao lado Adrian Sutil como companheiro, Gutiérrez não conseguiu ajudar a tirar a Sauber do zero, um facto inédito na história da equipa de Hinwil.