Jornal dos Desportos

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Modalidades

Altos e baixos marcam ano

Silva Cacuti - 27 de Dezembro, 2014

No sector masculino extinção da equipa sénior do Kabuscorp e consagração do Petro de Luanda como campeão foram notas dominantes

Fotografia: Jornal dos Desportos

A perda do título africano sénior feminino e o retorno aos préstimos de um técnico estrangeiro para o comando da equipa nacional foram os aspectos mais marcantes do andebol nacional durante o ano que se presta a findar. Estes factos tiveram, como aperitivos, os maus desempenhos das equipas de juniores e cadetes que nos campeonatos mundiais que disputaram estiveram aquém do esperado.

Nem mesmo a queda do Petro de Luanda no pódio africano de clubes, felizmente para outra equipa angolana, 1º de Agosto, rivaliza com o desempenho da selecção que não perdia títulos há oito edições da prova africana, 16 anos, portanto.

Angola não conseguiu manter o que vai ser difícil de reconquistar, já que o cenário e leituras que se fazem em torno da modalidade não aconselham a triunfalismos.

Verdade é que a perda do título coincidiu com a fase crucial da renovação do plantel, factor que, em nosso entender, não foi suficientemente levado em conta, quando a Federação Angolana de Andebol entendeu avançar para a troca de seleccionador, como uma das vias para a recuperação do título perdido.

João Florêncio está em desvantagem para com a Tunísia, campeã continental, que é orientada por Paulo Pereira, ex-seleccionador de Angola e que, como um compêndio, não só conhece os cantos do andebol angolano, como também trabalhou com grande parte das atletas que corporizam a equipa nacional angolana.

No confronto com o patrício, João Florêncio vai ter sempre a desvantagem do background da modalidade continental.

Aliás, já se começa a notar quando, na preparação do torneio pré-olímpico, Angola vai a Portugal jogar amistosos com a selecção portuguesa, ao mesmo tempo que a Tunísia foi a Espanha disputar torneio com a Polónia, Espanha e Brasil, algumas da melhores selecções mundiais.

Mas nem só da selecção viveu o andebol. No ano de 2014 a modalidade experimentou novos aspectos do regulamento de transferências que obrigou as equipas a contratarem jogadores para a época, ao invés do que ocorria. Acabámos por ter provas provinciais com alta competitividade, mais próximas do que foram os campeonatos nacionais. No sector masculino, a extinção da equipa sénior do Kabuscorp e a consagração do Petro de Luanda, como campeão, foram as notas dominantes. Mas a equipa campeã não se fez representar na prova continental de clubes campeões e o andebol angolano deixou uma mancha com visibilidade continental.

O ano foi positivamente marcado pelo regresso da arbitragem angolana ao continente. O árbitro Pedro Pinto recebeu as insígnias da Confederação Africana de Andebol.

A modalidade vive, agora, a pré-época, que pode trazer novidades nos plantéis e propiciar um 2015 mais competitivo internamente.