Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Ameaa terrorista preocupa rgos de segurana

12 de Setembro, 2015

Ameaa de aces terroristas durante o Rio-2016 no centro das preocupaes

Fotografia: AFP

A ameaça de acções terroristas, durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio-2016, está no centro das preocupações das Forças Armadas, de órgãos públicos e da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN). Em seminário promovido pelo Ministério da Defesa, no Rio de Janeiro, com foco em segurança com vista o grande evento, o assunto foi um dos que entraram em pauta. Já existe um efectivo de 1.549 militares voltados exclusivamente para actuar no combate ao terror.

A frequência de ataques liga o alerta. Não porque o Brasil seja um alvo, mas pelo facto de que são esperadas 201 delegações para o evento. Os responsáveis pelas acções de prevenção e combate acreditam, que o país acumulou experiências significativas no passado, mas utilizam como exemplo o massacre durante os Jogos Olímpicos de Munique (ALE), em 1972, quando 11 atletas israelitas foram mortos por um grupo extremista palestino.

“Este é um momento crítico, até porque a tendência que se observa no mundo é o terrorismo pelo terrorismo, pela propagação do medo. É diferente de quando essas acções estavam relacionadas a um viés político. Temos o exemplo de Munique. A Alemanha não representava ameaça, mas aconteceu em função da presença de diversos países”, disse o General Mauro Sinott, do Comando de Operações Especiais do Brasil.

A operação para os Jogos vai contar com um centro de coordenação de combate ao terrorismo. Ele vai integrar todas as acções a nível nacional. Além disso, em todas as sedes do futebol, fora o Rio de Janeiro (Manaus, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Salvador) vai ter centros específicos, em escala menor, para assessorar nas acções de prevenção. No Rio, o principal ponto pode ficar situado no Comando Militar do Leste, no centro da cidade.

“O Brasil, historicamente, não é alvo de acções de contra terror. Mas nós receberemos mais de 200 delegações que podem ser alvo dessas ameaças. O evento pode ser um atractivo para a actividade terrorista. Estamos em condições de dar resposta a que for necessária a isso. Trazemos a experiência de outros grandes eventos, desde a Eco-92. Acumulamos muita doutrina desde então”, afirmou Sinott.

Dentre os focos de atenção estão os chamados “lobos solitários”. São terroristas que actuam de forma independente, sem necessariamente fazer parte de uma organização, atraídos por ideais políticos, por exemplo. Por causa da fácil difusão de informações pela internet, a segurança cibernética também faz parte dos debates dos envolvidos na segurança dos Jogos.

Em 2015, o Ministério da Defesa anunciou um pacote de 580 milhões de reais em investimentos voltados para a Rio-2016. Já o Ministério da Justiça prevê 350 milhões na área de segurança pública com o mesmo foco. O evento pode mobilizar 85 mil agentes de segurança, 38 mil só das Forças Armadas.