Jornal dos Desportos

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Modalidades

Anderson Silva busca Jogos Olímpicos

28 de Abril, 2015

Campeão da MMA foi nomeado embaixador de taekwondo pelo presidente da Confederação Brasileira da modalidade e as aspirações nasceram para erguer a medalha de ouro nos Jogos a decorrer na bela capital Fluminense

O doping de Anderson Silva no UFC não vai impedir de participar nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, se conseguir a classificação para a disputa do taekwondó. A Agência Mundial Antidoping (Wada) confirmou que não tem jurisdição sobre organizações que não assinam o seu código, o que é o caso com a Comissão Atlética de Nevada, que regulamenta o Ultimate.

"Neste caso, a Agência Mundial Antidoping não proíbe o atleta de competir no Rio de Janeiro no taekwondó, porque o teste não foi conduzido por um signatário do nosso código. A Agência Mundial Antidoping reconhece as sanções aplicadas apenas pelos signatários do código", informou a entidade, numa nota por email.

"A Wada não tem jurisdição sobre organizações que não são signatárias do código da Wada", reiterou.

Anderson Silva foi apanhado em dois testes anti-doping relativos ao UFC 183, com ansiolíticos e anabolizantes no seu organismo. O lutador foi suspenso preventivamente e deve ter a sua luta alterada para No Contest (sem resultado), anulando o que era uma vitória por pontos sobre Nick Diaz.

O ex-campeão dos médios aguarda julgamento em Maio para definir o caso e, possivelmente, apanhar uma sanção estimada entre nove meses a um ano e meio de afastamento.

Este prazo podia afectar a possibilidade de participação nos Jogos, considerava-se, caso a Wada e o Comité Olímpico Internacional seguissem a punição aplicada ao lutador do UFC. O teste foi realizado num laboratório de Seattle, usado pela agência. No entanto, a Wada permitiu a "brecha" para Anderson buscar a sua vaga olímpica, passando antes pelo processo de selecção da Confederação Brasileira de Taekwondó, no começo de 2015.

LUTADOR PEDE
À CONFEDERAÇÃO

O lutador Anderson Silva pode pintar a sua marca nos Jogos Olímpicos de 2016 numa outra modalidade, o taekwondó. A possível novidade foi divulgada numa carta de Anderson ao presidente da Confederação Brasileira de Taekwondó, Carlos Fernandes.

"Todos sabem que para um atleta de alto rendimento, os Jogos Olímpicos são o sonho de qualquer atleta e, assim, não é diferente comigo. Quando ganhei o título de embaixador do desporto pelo presidente Carlos Fernandes, esse sentimento passou a ficar ainda mais forte e, sendo no meu país, esse espírito olímpico deixou-me muito motivado. É um imenso prazer fazer parte dessa equipa de ouro e que tem uma instituição séria, comandada pelo presidente Carlos Fernandes que muito nos honra, juntamente com toda a sua equipa. Sendo assim, deixo aqui registada a minha vontade de representar o Taekwondó e o Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio 2016. Com toda a minha estima, força e honra", escreveu o lutador Anderson Silva na carta à Confederação Brasileira de Taekwondó, divulgada no site da organização.

Anderson Silva foi nomeado embaixador da modalidade em 2013 e surgiu na luta a praticar taekwondó.

Sobre a vontade de Anderson Silva participar nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o presidente da Confederação Brasileira diz ter recebido a novidade com "agrado". Anderson e Carlos Fernandes devem reunir-se pessoalmente ainda esta semana para discutir o assunto.


HISTÓRICO
Campeão de MMA era chorão


Na semana em que completou 40 anos de forma melancólica, Anderson Silva voltou às suas origens como lutador, ao revelar o sonho de disputar os Jogos Olímpicos do Rio'2016, na luta de taekwondó, uma das primeiras artes marciais que treinou antes de se tornar um astro do MMA.

O caminho para atingir o objectivo é árduo, assim como foi duro o seu início neste mundo. O primeiro mestre de taekwondó do ex-campeão do UFC contou que muitas vezes o garoto terminava treinos a chorar e colocou em dúvida a participação nos Jogos, por conta da idade.

Anderson teve como primeira experiência nas lutas a capoeira, com oito anos, na escola em que estudava em Curitiba. Dois anos depois, vendo amigos a treinar taekwondó, quis tentar a sorte. No entanto, faltava dinheiro. O garoto conversou com o coreano Hong Soon Kang, o Mestre Kang, que aceitou o aluno. O combinado incluía um serviço: Anderson podia treinar, mas tinha que se incumbir da limpeza da academia. O pior é que ainda tinha de mentir para a tia, em casa, que não o queria ver a lutar.

"Fiz taekwondó durante cerca de cinco anos. Cheguei a participar em algumas competições, torneios regionais sem grande importância", contou Anderson, na biografia que lançou pela editora Primeira Pessoa, em 2012.

O Spider chegou à faixa preta e depois passou a lutar também jiu-jitsu, muay thai, boxe e outras artes para formar a sua base no vale-tudo.
O Mestre Hong Soon Kang relembrou os tempos em que trabalhou com o pupilo.

"Vinha à academia treinar e ficou uns seis anos. Era muito dedicado, muito forte no taekwondó. É muito bom", afirmou o técnico, 10º dan em hapkido e 9º dan em taekwondó.
As sessões de treino de Kang não eram nada fáceis, segundo ele mesmo indica.
"Hoje, Anderson é um astro no MMA e dava para ver que tinha talento. Começou como todos, treinava muito. Era muito pobrezinho, não tinha oportunidade na vida. Hoje, 20, 30 anos depois, está muito melhor. Aprendeu muito, mas o treino era muito forte, chorava quase todo o dia", conta Kang.

Ao falar sobre o sonho olímpico de Anderson, o Mestre Kang admitiu que não tem conhecimento das regras para classificação aos Jogos. Ainda assim, a sua análise indica que a idade pode ser um factor a dificultar a participação do lutador de MMA.

"Anderson tem muita qualidade, é um lutador muito bom, com técnica boa. Mas os lutadores costumam estar na melhor forma com 25 a 30 anos", pontuou.

Mestre Kang, nascido na Coreia do Sul em 1943, serviu o exército do seu país como médico. Mais tarde, chegou ao Brasil em 1978. Do Rio de Janeiro, partiu para Curitiba, onde se instalou, sempre a mostrar as suas técnicas de hapkido e taekwondó. Hoje, também é presidente da Câmara do Comércio e Indústria Brasil/Coreia, e continua com a sua academia de artes marciais.


PREPARAÇÃO
Brasileiro treina taekwondó


A notícia do desejo de Anderson Silva de disputar os Jogos Olímpicos do Rio, em 2016, foi dada pela Confederação Brasileira de Taekwondó. Se alguém tinha dúvidas sobre a veracidade desta nova meta para o ex-campeão do UFC, a resposta veio no Twitter do lutador, com uma foto de treino. Mas não parou no Instagram. Anderson deixou claro que ainda tem planos no MMA e pediu uma desforra contra Nick Diaz.

O Spider postou pela primeira vez desde o anúncio de uma foto a treinar a arte marcial, com direito a quimono e faixa-preta. O taekwondó foi a segunda luta desenvolvida pelo astro, com cerca de dez anos. Antes fez capoeira.

"Treino taekwondó na MTC (Muay Thai College)'', diz a legenda da imagem.

O curioso é que Anderson não se limitou a falar de taekwondó nas redes sociais. Também postou uma foto no Instagram manifestando que os seus planos no UFC continuam vivos. O brasileiro apontou quem quer como próximo rival: o mesmo da sua última luta.

"Acredito que há algo inacabado entre mim e Nick Diaz. Agora, espero que você, Dana White, possa aceitar o meu pedido e marcar uma desforra possível no meu país, o Brasil", afirmou Anderson.

Anderson está afastado do MMA após testar positivo no controlo anti-doping realizado antes do UFC 183. Na ocasião, venceu Nick Diaz por pontos, mas um julgamento em Maio deve anular o resultado e pode render-lhe uma sanção entre nove a 18 meses.