Jornal dos Desportos

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Andy Murray faz história

22 de Novembro, 2016

O triunfo fez de Murray o primeiro tenista britânico da História a terminar uma época como o número um do mundo

Fotografia: AFP

O britânico Andy Murray terminou da melhor maneira a época 2016. Além de conquistar pela primeira vez o título da ATP Finals, manteve a liderança do ranking, sob o olhar atento do sérvio Novak Djokovic. O triunfo fez de Murray o primeiro tenista britânico da história, a terminar uma época como o número um do mundo.

O escocês Andy Murray conquistou uma das vitórias mais importantes da carreira, venceu o sérvio Novak Djokovic por 2 sets a 0 na final das Finais da ATP, em Londres, com parciais de 6-3 e 6-4."Foi uma vitória importante, uma excelente maneira de terminar o ano. Este, é um grande evento e nunca estive bem, até então. A semana foi incrível para mim, mas a dos Jogos Olímpicos foi mais especial ", comemorou o número 1 do mundo, que revelou ser o cansaço após as 3h38 de batalha nas meias-finais.

"Estava cansado, até dormi bem ontem à noite, mas hoje de manhã (domingo) não estava a sentir-me tão bem assim. No aquecimento, a perna estava um pouco pesada. Mas queria  manter-me na liderança e foi isso que fiz", disse Murray. O britânico destacou a relação que tem com Novak Djokovic, e admitiu que a final não foi das mais brilhantes.  "Creio que esta não foi uma das melhores partidas minhas, nem de Novak. Foi um jogo empolgante, mas cometemos muitos erros. De qualquer maneira, tive um bom desempenho, pois não o vencia sem jogar bem", disse.

Andy Murray lembrou que o fim do jogo foi mais duro, uma vez que o sérvio elevou um pouco o nível, e deu mais trabalho. "Perder o saque em 4/1 foi duro. Passou a bater mais forte na bola, ficou mais perto da linha de base. Os último serviço foi bastante duro", comentou o líder da ATP, que precisou de três match -points para fechar o jogo.

Por fim, o atleta anfitrião mostrou que é um grande desportista, lamentou a época conturbada do suíço Roger Federer, e do espanhol Rafael Nadal.  "Este ano foi duro, em certo ponto, por causa das ausências de Roger e Rafa por lesão. Estes dois possuem muitos fãs, são carismáticos e muito populares. Espero que voltem saudáveis, é o melhor que pode acontecer para o ténis", disse.

 JOGO
Depois de uma batalha de 3h38 na meia -final, Andy Murray não demonstrou cansaço e dominou as acções da partida. Do outro lado, Novak Djokovic esteve apagadíssimo e foi presa fácil para o número 1 do mundo. Sofreu uma dura derrota em sets directos, com parciais de 6/3 e 6/4, em 1h43 de jogo.  Se o histórico foi amplamente favorável ao sérvio, com 24 vitórias e apenas 10 derrotas, na quadra não mostrou ser sombra do tenista que liderava o ranking, até poucas semanas atrás, e que venceu dois Grand Slam na actual época.

Curiosamente, Novak Djokovic venceu os seus dois primeiros serviços de saque, sem perder um ponto sequer, mas no terceiro começou a sofrer e teve de salvar dois break -points. No oitavo serviço veio a primeira quebra, com Murray a confirmar o saque em seguida para fechar o primeiro set.

A segunda parcial teve amplo domínio do atleta da casa, na primeira metade, com Murray a chegar a ter 4/1 e ao saque. Foi então que Novak Djokovic esboçou uma reacção, passou a errar bem menos e foi mais agressivo. Com essa mudança, o sérvio devolveu uma das quebras e jogou um pouco de pressão com o rival.

Murray não se assustou com a evolução do sérvio na partida, voltou a confirmar o saque e abriu 5/3. Na sequência, Djokovic também fez o seu serviço e atirou a responsabilidade de fechar para o britânico, que depois de vacilar duas vezes na meia-final, em situação semelhante, desta vez não deu grandes sustos e saiu com a vitória.O título do Finals rendeu ao escocês 1.500 pontos, por vencer de maneira invicta, e mais quase 2,4 milhões de dólares. Murray  conta com dois triunfos em Wimbledon (2013 e 2016), um no Open dos EUA (2012) e dois ouros olímpicos (Londres-2012 e Rio-2016).

MURRAY X DJOKOVIC
A final entra na história


Andy Murray e Novak Djokovic decidiram o título das Finais da ATP'2016. O britânico classificou-se para a final após eliminar o canadense Milos Raonic, enquanto o sérvio passou pelo japonês Kei Nishikori. A partida esteve cercada de elementos que fizeram-na entrar para a história do ténis, independentemente de quem fosse o vencedor.

"É a final que todos queriam ver, e todos anteciparam. Estive muito empolgado e fizemos uma grande final", afirmou Djokovic, no final do jogo. O número 1 do mundo decidiu-se no último jogo da época, num embate directo. Pela primeira vez, a última partida da época colocou frente a frente os dois jogadores que batalham directamente pelo primeiro posto do ranking,  que dependiam  de vitórias para obter o feito. "Isso, nunca aconteceu antes, e foi fantástico que acontecesse entre mim e Andy. Conheço-o há muito tempo e esperei que aproveitássemos esse momento histórico", disse o sérvio.

Em 2000, Guga foi campeão do Masters (antigo nome das Finais da ATP) para virar número 1 do mundo, mas o seu rival foi Andre Agassi e não Marat Safin, então líder. O Reino Unido nunca teve líder do ranking na final do ano. Apesar de muita tradição no ténis, o Reino Unido nunca viu um tenista seu a encerrar a época, como número 1 do ranking de simples ou duplas. Murray é o primeiro  jogador britânico a liderar a lista da ATP.

Novak Djokovic podia igualar o recorde de títulos. Com cinco taças, o sérvio esteve a uma vitória para igualar a Roger Federer, como o maior vencedor da história das Finais da ATP. Actualmente, está empatado na segunda posição, com os aposentados Ivan Lendl.Andy Murray procurava a taça inédita na carreira. Campeão olímpico e detentor de três títulos de Grand Slam, o britânico nunca conseguiu um título das Finais da ATP. Nas sete participações anteriores, teve como melhor resultado as meias-finais em 2008, 2010 e 2012.

Para aproximar-se de marca histórica de Sampras, o norte-americano foi quem mais vezes terminou o ano como número 1 do mundo. Fez isso em seis oportunidades (de 1993 a 1998). Novak Djokovic já obteve o feito em quatro oportunidades, se conseguisse mais uma vez,  igualava a Roger Federer e Jimmy Connors.

NOVAK DJOKOVIC
"Não tive oportunidade de vencer"


O vice -campeão do ATP Finals, o sérvio Novak Djokovic, admitiu que não fez boa partida na final, em que foi dominado pelo britânico Andy Murray e derrotado em sets directos. O ex -líder do ranking culpou os erros e destacou a capacidade do rival em jogar melhor nos pontos importantes.

"Joguei uma má partida, não estava nos meus dias. Todo o crédito para ele, que se manteve forte mentalmente e escolheu bem os golpes. Definitivamente, mereceu ficar com a vitória", avaliou o sérvio. Novak Djokovic descreveu as razões da derrota com o novo homem forte do ranking ATP. "Cometi muitos erro. Para enfrentar um jogador de alto nível, o atleta precisa de estar a jogar muito. Não estive nem perto disso, e não tive oportunidade alguma de vencer", complementou.

Novak Djokovic saiu resignado, apesar da derrota, o impedir de voltar à liderança do ranking. "O desporto é assim. Cada dia é diferente,  há aqueles em que não se sente tão bem quanto gostaria", declarou o tenista de Belgrado, que fez questão de destacar a qualidade de Murray no confronto.

"Esperava vê-lo a jogar em alto nível e sem cansaço" observou o sérvio, que lembrou as 3h38 de Andy no dia anterior. "Mostrou-se confortável nos ralis, e sabia exactamente o que fazer, ao passo que estive hesitante", acrescentou o actual número 2 do mundo.Apesar de não gostar muito do que fez, no segundo semestre, destacou os seus resultados no ATP Finals como no US Open, onde foi vice -campeão, em ambos. Com a época finalizada, Novak Djokovic não pensa na luta pelo número 1, que deve travar com Murray em 2017, só pensa nas férias.

"A meta agora é descansar um pouco. O momento é de deixar a raquete de lado, por um tempo. Tive uma óptima época e tenho muito a reflectir sobre isso", finalizou o sérvio. Djokovic terminou 2016 com dois títulos de Grand Slam (Australian Open e Roland Garros), outros quatro em Masters 1000, 65 vitórias e apenas nove derrotas. Ganhou cinco vezes a  Finals ATP, o torneio que reúne os oito melhores tenistas do ano.

Com a derrota, Djokovic perdeu a oportunidade de alcançar marcas importantes: se vencesse, igualava Roger Federer com seis títulos de Finais da ATP e terminava o ano como número 1 pela quinta vez, ia alcançar Federer e Jimmy Connors e encostar-se ao recordista Pete Sampras (seis épocas fechadas como líder).