Jornal dos Desportos

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Angola afastada do Rio

Rosa Napoleão - 16 de Setembro, 2015

Angolanas podem chegar ao Rio de Janeiro através de um convite da Federação Internacional de Ginástica

Fotografia: Dombele Bernardo

A falta de controlo psicológico durante as exibições na prova de ginástica rítmica do campeonato do mundo, que se realizou recentemente na Dinamarca, ditou o afastamento das representantes nacionais aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016. As representantes do país não conseguiram conter o nervosismo diante das grandes potências mundiais.

Com o afastamento dos lugares cimeiros do pódio na Dinamarca, Alice Tomás, Sofia Higino, Jandira Henriques e Ana Panzo depositam a "esperança" ao Rio'2016 no torneio internacional agendado para Abril do próximo ano, em país a indicar. Para alcançar o objectivo definido pela Federação Angolana de Ginástica, o grupo vai triplicar o esforço durante a fase de preparação. Para o vice-presidente da Federação Angolana de Ginástica (FAG) para os assuntos internacionais, Jesus Porfírio, "nada está perdido". O grupo vai trabalhar para obter "resultado favorável".

Em caso de falhanço no torneio internacional, o dirigente assegurou que o plano C da FAG para chegar ao Rio'2016 passa pelo "wild card", convite especial da Federação Internacional de Ginástica. Jesus Porfírio justifica as razões: "Angola é um país sempre presente nas competições internacionais e com grande referência em África". Para além de estado psicológico das atletas, Jesus Porfírio esclareceu outras dificuldades que estiveram na base da fraca participação da delegação angolana no Mundial da Dinamarca.

"Não nos esqueçamos que o grupo teve pouco tempo de preparação em Luanda e não permaneceu o tempo programado no estágio em Portugal (menos de 15 dias). Esses factores contribuíram para o fraco resultado", justificou. O responsável da FAG reconheceu, por outro lado, que as angolanas se depararam com "atletas de maior nível competitivo, mas valeu o esforço e a vontade de vencer". Apesar do fracasso, as atletas nacionais demonstraram "evolução" na actuação e superaram as falhas que carregavam".

O Campeonato do Mundo da Dinamarca contou com presença de atletas de 60 países, entre europeus, asiáticos, sul-americanos e africanos. A África esteve representada por Angola (quatro atletas), África do Sul (2), Marrocos (1) e Cabo Verde (1). A selecção nacional competiu na modalidade de ginástica rítmica com os aparelhos de bola, massa, arco e fita.

JOGOS AFRICANOS
Falhas técnicas condicionam resultados


As condições técnicas e materiais desportivos fragilizados constituíram as principais causas do fraco resultado da selecção nacional de ginástica nos Jogos Africanos, que decorrem até dia 19 do corrente, na capital congolesa, Brazzaville. A constatação é de Agostinho Sungo, director técnico da Federação Angolana de Ginástica. O responsável da Federação assegurou que o grupo se deparou com inúmeras dificuldades, desde a falta de aparelhos e de condições de prática de ginástica.

"Infelizmente, as condições naquele país não foram das melhores. Só a título de exemplo, não havia um solo adequado para os exercícios de aeróbica. Esse e outros pressupostos dificultaram o alcance de bons resultados. Não estamos desmotivados. Vamos cntinuar a trabalhar para os próximos desafios", disse.

Agostinho Sungo realçou igualmente o facto da selecção de ginástica não ter entrado na competição com a preparação habitual. "Não posso negar também o facto de termos ido a esta prova desprovidos de condições para arrecadar qualquer medalha. A verdade é que não nos preparamos bem. Nas outras provas internacionais, os ginastas passam por um estágio pré-competitivo no exterior. Dessa vez, não aconteceu", disse. O ponto mais alto da modalidade na competição africana foi o oitavo lugar alcançado pelo atleta Domingos Paiva, na prova de ginástica aeróbica.

Outras duas finais foram alcançadas pelo ginasta Pita-Grós, nas paralelas e nas mesas, também sem uma boa finalização. Na classe feminina, Clidinádia António foi eliminada na primeira fase, enquanto Vitória Miranda ficou impedida de competir por uma lesão contraída na coxa esquerda.   
A comitiva angolana esteva composta por José Epalanca, Horácio Pita-Grós, Mauro Paciência e Clidinádia António na ginástica. Paiva Pedro e Vitória Miranda competiram na ginástica aeróbica.
ROSA NAPOLEÃO