Jornal dos Desportos

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Angola carece de mdicos

lvaro Alexandre - 06 de Setembro, 2018

Preos de inspeco mdica so considerados exorbitantes no pas

Fotografia: Paulo Mulaza | Edies Novembro

Angola tem um grande déficit para dar resposta a enorme demanda de pacientes que solicitam os serviços médicos no Centro Nacional de Medicina Desportiva (Cenamed). Existem apenas cinco médicos e dois centros hospitalares com condições reunidas para atenderem 54 mil atletas. Os números foram apresentados pelo Director do Cenamed, João Molina, na última terça-feira na Galeria dos Desportos, em Luanda.
O quadro de intervenção dos profissionais especializados em medicina desportiva é interpretado numa única palavra: \"superlotação\". Um médico tem como média 10,8 mil atletas para atender.
\"Para além do número elevado de atletas que cada médico atende, temos um outro grave problema. O país tem apenas dois centros de excelência: o Cenamed e o que está localizado no Estádio 11 de Novembro\", esclareceu.
Para colmatar o déficit nas outras províncias, faz-se recurso às unidades hospitalares que reúnem qualidades afins. João Molina disse que os últimos testes anti-doping foram realizado em 2016.
\"Em média, o país tem a obrigação de realizar 15 testes por ano. De 2010 a 2016, foram testados 85 atletas. Nos anos subsequentes, não fizemos testagem por dificuldades financeiras. O apuramento de resultados é feito fora do país e a sua efectivação envolve moeda externa. Esta é a razão que nos obrigou a interromper temporariamente o processo\", justificou.
Os dados foram revelados no encontro organizado pela Direcção Nacional para a Política Desportiva do Ministério de tutela, orientado pelo Secretário de Estado do Desporto, Carlos Almeida.

REAÇÕES
O presidente da Federação Angolana de Ginástica, Auzílio Jacob, disse que a medicina desportiva não está bem.
\"Não é aceitável que, em 40 anos de independência, só se formaram cinco médicos. Um outro problema é o desconhecimento dos médicos da realidade dos nossos desportistas. Exortou a direcção do Cenamed a rever a politica de preços praticados para a realização da inspecção médica. 30 mil kwanzas considera-se exorbitante\", solicitou.
O secretário-geral da Federação Angolana de Futebol, Rui Costa, manifestou a inquietação sobre o controlo das idades.
\"Já é tempo de termos no país equipamentos de ressonância magnética. Vamos resolver um velho problema que temos com as idades dos nossos atletas\",  concluiu.