Jornal dos Desportos

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Angola comea fuga aos ltimos lugares

Silva Cacuti| em Copenhaga - 19 de Janeiro, 2019

Tcnico angolano recusa repetir classificao anterior

Fotografia: Jornal dos Desportos

Com o pensamento fixo no objectivo, que passa pela melhoria da classificação anterior, ou seja, fuga ao último lugar, a selecção nacional sénior masculina de andebol desce hoje ao piso do Royal Arena, às 15h30, para defrontar a Arábia Saudita. O jogo conta para o torneio classificativo do 21º ao 24º lugar. É a chamada “president’s cup”, fase da prova que junta as equipas que se quedaram nos últimos dois lugares de cada grupo preliminar.
Caso vença hoje, a equipa defronta amanhã o vencedor do jogo entre Japão e a Coreia Unificada para definição do 21º lugar. Em caso de derrota, jogará diante do perdedor para discutir o 23º lugar.
Filipe Cruz nega-se a ver Angola última classificada novamente.
Quarta classificada do último campeonato asiático e 20º na edição do Mundial de 2017, a Arábia Saudita não venceu qualquer jogo no grupo preliminar C. Marcou 112 golos, sofreu 159, o que lhe valeu o último lugar do grupo. Mahdi Al Salen, 10º da lista de melhores marcadores do Mundial, com 26 golos, é um dos jogadores mais referenciados.
É pouco o que se sabe da Arábia Saudita. Nunca defrontou Angola.
No grupo D, curiosamente, Angola venceu o campeão da Ásia, o Qatar, e granjeou os únicos pontos da primeira fase. A equipa orientada por Filipe Cruz marcou 121 golos e permitiu 160. Romé Hebo, o angolano que mais marcou golos na primeira fase, consta da longa lista de atletas com 23 golos, na 19ª posição.
Tanto Angola como a Arábia  ambicionam objectivos similares. As duas selecções pretendem melhoria da classificação, embora tenham perdido o lugar entre os 20 melhores da edição passada.
Ainda hoje para a definição do 17º a 20º lugar, a Sérvia defronta o Bahrein e a Argentina joga com a Áustria. Os dois jogos acontecem no Royal Arena de Copenhaga.
Nas classificativas do 13º ao 16º, reservadas às equipas que se quedaram na quarta posição de cada grupo, a Rússia defronta a Macedónia e o Chile joga com o Qatar na cidade de Herning.
 
TUNÍSIA E EGIPTO
SEGUEM EM FRENTE

Moldadas à escola espanhola, a campeã e vice-campeã africanas, Tunísia e Egipto, precisaram de paciência para esperar até o último dia da fase de grupos e asseguraram os passes para o “main group”, que joga a decisão do campeonato.
No grupo C, a Tunísia foi terceira classificada, atrás da anfitriã Dinamarca e Noruega com as quais perdeu. As três vitórias tunisinas foram sobre Chile (36-30), Áustria (32-27) e Arábia Saudita (24-20).
O Egipto foi terceiro classificado no grupo de Angola, a quem venceu por 33-27, na derradeira jornada, venceu a Argentina (22-20)  e empatou com Hungria a 30 golos.
Realçar a prestação do Brasil, que jogou o Mundial pela 13º vez e tornou-se a primeira selecção lusófona a conseguir passagem à segunda fase do Mundial.
Os três primeiros classificados de cada grupo preliminar vão jogar entre si, subdivididos em dois grupos para definir os quartos-de- final, meia-final e final.

FELIPE CRUZ
“Últimos
não queremos ser”

A selecção nacional sénior masculina entra hoje para uma série de dois jogos cruciais para o cumprimento dos objectivos traçados, depois de falhar a passagem à fase seguinte do campeonato mundial, que se disputa na Alemanha e na Dinamarca. O Jornal dos Desportos foi buscar do seleccionador nacional um breve balanço da primeira fase da competição em que o grupo foi a sensação da ronda inaugural.

Que balanço faz desta primeira fase do campeonato?
Duma forma geral, devemos considerar razoável, atendendo ao que eram as nossas expectativas. Sabíamos que era um grupo extremamente difícil e iríamos encontrar as selecções mais fortes que nós.

Mas Angola começou bem, a vencer uma das equipas mais credenciadas à entrada da prova...
É verdade que demos surpresa no início do campeonato, mas depois não fomos capazes de manter este ciclo vitorioso. Foram cinco jogos, quatro derrotas, uma vitória. Sentimos que, se calhar, podíamos ter feito muito mais.

Então, o que faltou?
Em termos morfológicos, sentimos muitas dificuldades. Os adversários, a maior parte deles, têm acima de 1,90 metros e mais de 90 kg. Nós temos uma média de altura e peso inferiores, o que a este nível nos custou muito. Enquanto as outras equipas eram capazes de tirar seis atletas, colocar outros seis e continuarem com a mesma dinâmica, nós não pudemos fazer isso. Pesou naquilo que foi o resultado desta fase. Mas não foi mal de todo, porque ganhámos um jogo.

Temos, agora, jogos decisivos. Como a equipa vai aparecer?
Vamos encontrar equipas mais acessíveis com que vamos jogar de igual para igual. Pensamos em melhorar a classificação anterior, o nosso objectivo definido, nem que seja em um lugar. Últimos não queremos ser.                   

RECONHECIMENTO
David Davis
elogia Filipe Cruz


O abraço demorado entre ambos no final da conferência de imprensa, após jogarem entre si, indiciava os laços entre os seleccionadores de Angola, Filipe Cruz, e do Egipto, David Davis. Um angolano e outro espanhol, mas que têm as vidas marcadas por estarem sempre de lados opostos nas carreiras desportivas.
Enquanto andou em Espanha a jogar pelo Covadongas, CP Almeiria e Teucro, havia um adversário atento às suas exibições. David e Filipe nunca estiveram lado a lado, mas a amizade entre ambos surgiu e dura.
“Nunca jogámos juntos, sempre fomos opositores e lembro-me bem que o Filipe era um bom jogador; era muito rápido, tinha grande elevação no salto e também um bom remate”, elogiou.
Além de Davis, outro contemporâneo de Filipe Cruz é Manuel Cadenas, que orienta a Argentina.
A Espanha é o país com mais treinadores representados neste campeonato do mundo. No total são oito. David Davis (Egipto), Manuel Cadenas (Argentina), Raul Gonzales (Macedónia), Jordi Ribera (Espanha), Toni Gerona (Tunísia), Mateu Garralda (Chile) e Valero Rivera (Qatar).