Jornal dos Desportos

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Angola a mais forte do grupo A

24 de Novembro, 2016

Resultados no Rio2016 impulsionam combinado nacional

Fotografia: AFP

A superioridade física da Costa do Marfim e a evolução ofensiva apresentada nos últimos tempos pelo Congo Democrático fazem das duas selecções as principais adversárias de Angola no grupo A do Campeonato Africano de andebol a decorrer em Luanda de 28 do corrente a 7 de Dezembro. A avaliação é da antiga internacional Nair de Almeida.

Em declarações à Angop sobre o grupo das vice -campeãs africanas, a MVP do Africano de 2008 referiu que as costas -marfinenses são “mais corpulentas” em relação às angolanas e têm um ataque combinado que pode dificultar a equipa nacional no jogo de estreia no dia 28, no pavilhão Multiusos do Kilamba.

Em função disso, anteviu um duelo de desgaste físico para a selecção angolana, não obstante levar vantagem no contra-ataque a julgar pela lentidão contrária em relação à recuperação defensiva. Por isso, apelou à necessidade do espírito de entre -ajuda, colectivismo e muita velocidade para o conjunto nacional sair vitorioso na estreia.

Em relação ao Congo Democrático, sublinhou que o facto de ter sido vice -campeã na edição de 2014, na Argélia, pode galvanizá-la a surpreender o sete nacional. As congolesas são igualmente superiores no físico e por realizarem um africano “irrepreensível” na Argélia, devem ser encaradas com cuidado especial no sentido de evitar surpresa no desfecho, segundo a antiga meia -distância.

Nair Almeida, que encerrou a carreira em 2015 ao serviço do 1º de Agosto, destacou também o crescimento do Senegal por ter várias jogadoras a militar no campeonato da 2ª divisão de França e dos Camarões, que despontam cada vez mais nas provas africanos, mas ainda assim, constituem menos problemas para Angola nesta fase de grupos.

Falta de entrosamento
dá vantagem a Angola

O elevado número de jogadoras costas -marfinenses a militarem fora do país pode indiciar a falta de conjunto e entrosamento nessa selecção, facto que deve beneficiar as angolanas no jogo de estreia do Campeonato Africano de Andebol sénior feminino, a decorrer em Luanda de 28 deste mês a 7 de Dezembro, considerou a antiga capitã Marcelina Quiala.

Em entrevista à Angop, a ex-atleta do Petro de Luanda justificou que as jogadoras do sete nacional actuam todas no campeonato local, por isso estão mais entrosadas, conhecem-se e  existe um conjunto que facilita o trabalho da equipa técnica, rumo à conquista do grupo e da prova.

“Em parte entende-se que as provenientes de fora dão outro nível ao grupo, mas para esta competição é importante o tempo de jogos e conhecimento da movimentação das colegas. Nisso, Angola está em vantagem a julgar pela sua consistência em termo de colectivo”, explicou a antiga meia distância. 

Quiala disse tratar-se de uma opositora com uma cultura táctica bem acentuada, associada à “robustez” das andebolistas. Com isso, prevê-se um duelo de nervosismo por parte das angolanas. A melhor marcadora do mundial de 2007, em França, com 72 golos, referiu que neste encontro toda a concentração é indispensável, porque a jogarem na condição de anfitriães podem acusar a responsabilidade e a ansiedade de resolver o resultado nos primeiros minutos do encontro.

Quanto ao Congo Democrático, Marcelina Quiala salientou que tem duas ou três atletas fundamentais, sendo a principal estrela a Cristiane Muassessa, curiosamente, a actuar em Angola, no 1º de Agosto. “É uma grande jogadora que deve ser  neutralizada e depois controlar a partida com  finalização dos lances revestido de êxito”, disse.

Relativamente aos Camarões, sublinhou que tem um combinado agressivo nos lances defensivos e ofensivos, devido à estrutura das atletas, mas esta situação pode ser vantajosa para Angola, uma vez que as regras de arbitragem não privilegiam excessos em situações de contactos. Sobre o Senegal, Marcelina Quiala precisou que as angolanas vão ter poucas dificuldades, não obstante a adversária ser coesa na defesa.

“ Angola é a mais experiente e pode dar a volta a qualquer barreira que se impuser no desafio”, disse. Em relação a Marcelina Quiala, entre várias conquistas, destaca-se as cinco medalhas de ouro em Africanos das Nações, designadamente, em Marrocos'2002, Egipto'2004, Tunísia'2006, Angola'2008 e Marrocos'2012.